Mulheres Negras fazem encaminhamentos para encontro nacional em Goiânia



Publicado em: 07 de maio de 2018

13 a 15 de dezembro de 2018 é destacado como período tentativo para a realização do encontro na capital de Goiás. Estrutura será viabilizada para 1.000 participantes. Delegações serão definidas em encontros estaduais, propostos para acontecer até agosto de 2018. Reunião preparatória registrou a presença de cerca de 80 mulheres negras

A 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” aconteceu no último sábado (5/5), na sede nacional da CONAQ (Coordenação Nacional de Quilombos), em Brasília. A atividade deu seguimento à deliberação por aclamação de realização Encontro Nacionalde  Mulheres Negras 30 Anos, definido em Plenária do Fórum Permanente de Mulheres Negras, ocorrida no Fórum Social Mundial Social 2018, em 15 de março, em Salvador. Naquele momento, a candidatura de Goiânia como sede do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” foi apresentada pelo Movimento Negro Unificado (MNU) e aprovada por cerca de 200 mulheres negras presentes no Fórum Permanente de Mulheres Negras.

No sábado passado (5/5), as mulheres negras deram continuidadeaos encaminhamentos de organização do encontro. Do início ao fim, foram registradas cerca de 80 mulheres negras participantes da 1ª reunião preparatória. Dentre as entidades nacionais, estiveram representadas: Agentes da Pastoral Negros (APNs), Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Coordenação Nacional de Quilombos (CONAQ), Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU) e União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) – seis das oito entidades nacionais integrantes do Comitê Nacional Impulsor da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, de 2015.

 

Entre os principais acordos estão: indicação de 13 a 15 de dezembro de 2018 como data do encontro; definição de 1.000 vagas para participantes negras no encontro nacional, atendendo ao critério de representação populacional negra e de mobilização de mulheres negras por estado; designação do evento como “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”; formação de comissão executiva por ativistas negras do estado de Goiás; criação de cinco comissões, integradas por militantes negras de diferentes localidades do Brasil, a fim de viabilizar o encontro nacional: Finanças, Infraestrutura, Comunicação, Documentos e Metodologia.

Organização do encontro nacional – Um dos principais desafios é a mobilização de mulheres negras no estados. De acordo com a reunião, a articulação com os estados será iniciada com foco na organização de calendário até 25 de maio, com indicativo de datas e locais para que as mulheres negras, nos seus estados de origem, possam participar de reuniões preparatórias locais para definição das delegações. A proposta é incentivar a realização de encontros estaduais até agosto, tendo o #JulhoDasPretas como um momento de articulação e debate sobre o encontro nacional. Setembro foi recomendado como prazo para a realização de encontros regionais, para aqueles estados que consideraram adequada essa modalidade de mobilização.

 

Dentre os encaminhamentos, ainda, constam: elaboração da Carta do Guará acerca do chamamento para o “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”; carta de apoio à candidatura da escritora Conceição Evaristo para a Academia Brasileira de Letras (ABL); carta de apoio as 17 mulheres negras jovens assediadas e estupradas por professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. O grupo presente também definiu por realizar a 2ª Reunião Preparatória do Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” em 9 de junho, em Goiânia, e por outras duas – em agosto e novembro, para fins de organização do encontro nacional.

 

A exemplo da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, o “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” não tem recursos para custear a participação de ativistas nem viabilizar as despesas das delegações estaduais. Contudo, a diferença do encontro em Goiânia é a limitação de participantes, em razão do formato do evento: encontro com apresentação de temas e debates de interesses das mulheres negras.

 

Temas em debate – Ao longo da 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”, as ativistas destacaram a autonomia do movimento de mulheres negras, o impacto positivo da Marcha das Mulheres Negras de 2015 e a interlocução com outros agentes, setores e temáticas persistentes e emergentes, tais como: diversidade das mulheres negras (faveladas, atingidas por barragem); juventudes; relação intergeracional; homens negros; feminismos; partidos políticos; eleições; LGBT; questões políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais; geopolítica; autocuidado; comunicação política; segurança na internet; segurança alimentar e nutricional; letalidade de mulheres negras e população negra; encarceramento de mulheres negras. Dentre os assuntos, as militantes concordaram que o racismo e o sexismo são questões comuns a todas as mulheres negras, reafirmando o compromisso de enfrentamento e eliminação por meio de mudanças estruturais do Brasil como um dos vetores do encontro nacional.

Em breve, será divulgado o relatório da 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” para todos os estados.

Confira: Relatório do Fórum Permanente de Mulheres Negras, que deliberou pela realização do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”.

 

Redação: Bel Clavelin, jornalista. Revisão: Naiara Leite e Ivana Leal.


Odara e organizações parceiras encerram atividades do ano do Programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar



Publicado em: 20 de dez de 2017

 

Veridiana Machado, psicóloga parceira do programa, fala sobre a importância do cuidado psicológico que dimensione o racismo em nossas vidas.

Texto e fotos: Alane Reis

 

Na manhã do último domingo (17) a equipe do Instituto Odara esteve reunida com as organizações parceiras e com as mulheres que integram o programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, moradoras dos bairros do Uruguai, Nordeste de Amaralina, Cabula e Subúrbio Ferroviário de Salvador, bairros atendidos pelo programa. O encontro aconteceu na sede do Centro Cultural Alagados, no Uruguai, e teve como objetivo avaliar as ações de 2017 e pensar as perspectivas para 2018.

A atividade começou com um café da manhã, seguido por apresentação do coral de Mulheres de Alagados, composto por mulheres de várias organizações, e mães ou familiares de vítimas do Estado. “Encontrar minhas companheiras dois dias da semana para cantar é esquecer um pouco os problemas, pensar que a vida pode ser bonita, é bonita e é bonita, como diz a música”, conta uma delas. O coral é uma das atividades terapêuticas psicossocial, desenvolvida pelo programa, no bairro do Uruguai, em parceria com o Centro de Arte e Meio Ambiente (Cama).

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Na sequência foi o momento de avaliação das atividades e perspectivas de 2018, com falas das mulheres que integram o programa, e das organizações parceiras, o Cama e Odeart. As mulheres do Cabula apresentaram os produtos das aulas de artesanato e as roupas produzidas nas aulas de costura. Ambos os cursos são realizados também com fins de cuidado psicossocial, pelo Minha Mãe Não Dorme, em parceria com o Odeart, no bairro do Cabula.

Janice de Sena, integrante do Odeart, fala sobre a importância das atividades: “A partir do argumento da costura, do artesanato, nós, mulheres, nos encontramos para falar das nossas angustias, das nossas expectativas, dores, traumas. Porque a sociedade brasileira se sustenta pela força e pela dor das mulheres, principalmente de nós, mulheres negras”.

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Coral Mulheres de Alagados

Na fala das mulheres, os depoimentos são de vidas atravessadas pelas violências mais diversas, marcadas pela ação do racismo, o sexismo e o silenciamento, ainda assim, o convívio entre elas é frutífero para alimentar sonhos individuais e coletivos, trazer à tona a necessidade do auto cuidado, e do cuidado com a outra, se fortalecer para a busca por justiça pelas vidas de jovens negros ceifadas pelo Estado ou pela negligência do mesmo.

Algumas mulheres, mesmo depois de perder um, as vezes dois filhos, ainda tem coragem de enfrentar o Estado, sob atuação da polícia, para defender sua família. “Dia desses tive que fazer um escândalo na rua, meu filho e meu neto estavam na moto, a polícia parou eles e queriam levar pro meio do mato e colocar meio quilo de droga em casa um. Eu gritei, chamei atenção da rua toda e por isso não levaram eles presos”. Relatos como este, de abusos e truculência policial fazem parte do cotidiano das periferias de Salvador, e por este motivo, iniciativas autônomas do povo e das comunidades negras, que visam denunciar e combater o racismo institucional são necessárias.

Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra

Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra

“Acreditamos que nós somos a solução dos problemas nas comunidades negras, na cidade de Salvador, no estado da Bahia e em nosso país, basta que os gestores, dirigentes e sociedade em geral acreditem e possibilite que nós mulheres, homens e comunidades negras, promovam a transformação. Para isto é fundamental que nos deixem viver”, Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra, durante a avaliação.

A psicóloga e parceira do Instituto Odara, Veridiana Machado, trouxe a provocação: “o que é uma assistência psicossocial para mulheres negras, vítimas de violências determinadas pelo racismo?”, e a partir daí ela falou da importância de pensarmos o cuidado psicológico individual e coletivo. “O Estado não está preocupado nem com a justiça, quanto mais com essa dor, por isso nós precisamos criar espaços efetivos de cura desta dor”.

No encerramento da atividade, Valdecir Nascimento falou como as avaliações apresentadas neste encontro irão orientar as ações do programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, em 2018, e reforçou a importância do cuidado psicológico para todas as mulheres negras, especialmente às que tiveram filhos assassinados pela violência genocida anti negra do Estado brasileiro. “Nós mulheres negras somos a centralidade das nossas famílias, das nossas comunidades, independente de sofrer violência diretamente, precisamos nos cuidar, cuidar do psicológico, para continuar cuidando das nossas e dos nossos”.


JOVENS ATIVISTAS DO INSTITUTO ODARA PARTICIPAM DO MOVIMENTE-SE, ENCONTRO NACIONAL PARA DEBATER POLÍTICAS DE DROGAS



Publicado em: 13 de dez de 2017

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O 1º Movimente-se contou com a participação de jovens de favelas de todo Brasil

 

Quarenta jovens de periferias do Brasil estiveram reunidos entre os dias 7 e 10 de dezembro, no Rio de Janeiro, para debater o impacto da atual política de drogas na vida das juventudes de periferia.­ Duas jovens ativistas do Odara – Instituto da Mulher Negra, Alane Reis e Ana Paula Rosário, estiveram com o grupo no 1º Movimente-se, uma imersão com foco em formação política e construção de estratégias para enfrentar as várias violências racistas causadas pela suposta “guerra às drogas” que embasa as políticas de segurança no Brasil.

A imersão foi organizada pelo Movimentos – Drogas, Juventude e Favela, um grupo de jovens de favelas com atuação principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Durante estes dias, o grupo conversou com especialistas em drogas de vários campos como saúde, segurança, comunicação comunitária, entre outros. Todos os debates demarcavam o teor de repressão do povo negro e indígena no histórico de criminalização das drogas no continente americano.

Alane Reis no morro do Alemão. Ana Paula Rosário em Caxias.

Alane Reis no morro do Alemão. Ana Paula Rosário em Caxias.

Para nós, do Instituto Odara, participar deste encontro foi muito inspirador para fortalecer nossa compreensão que a juventude negra está organizada resistindo de diversas formas pelo Brasil. Estamos resistindo nas favelas e quilombos deste país, somos fortes nas mídias comunitárias, nos movimentos literários de poesia marginal, nas universidades, que sempre tenta reforçar que lá não é nosso lugar, pois sabe como o conhecimento descolonizado produzido por nós tem poder libertador.

O Movimente-se, para nós, trouxe perspectivas de como fazer o debate sobre políticas de drogas no Programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, que entre as ações, investe no fortalecimento de mulheres que perderam os filhos para a suposta guerra às drogas, atual justificativa do Estado para matar e encarcerar pessoas negras.

É muito gratificante voltar pra casa com a certeza que a luta diária que trilhamos por aqui está em consonância em todo Brasil. Que venham outros Movimente-se!


ODARA INICIA DIÁLOGO SOBRE A AGENDA 2030 COM MOVIMENTO DE MULHERES NEGRAS DA BAHIA



Publicado em: 12 de dez de 2017

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Próxima reunião será realizada no dia 21 de dezembro, das 14h às 18h, no CEAO.

Na última quarta-feira (05), o Odara – Instituto da Mulher Negra convocou as Mulheres Negras de Salvador para roda de diálogo  para discutir como garantir que as mulheres negras estejam no centro das ações para o cumprimento da Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, como uma condição para o alcance de um Planeta 50-50 em 2030. A atividade reuniu no Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), no Dois de Julho cerca de 40 mulheres dos diferentes segmentos.

Para dialogar sobre a agenda 2030 o grupo pontuou a necessidade de fortalecer um debate junto ao movimento de mulheres negras sobre a perspectiva de incidência dentro dos contextos nacional e internacional. Neste sentido, foi suscitado a necessidade de uma conexão entre os pontos estruturantes da Década Internacional dos Afrodescendentes e as denuncias internacionais de violação de direitos humanos, feminicidio e do genocídio da população negra protocolizadas até o momento.

“Este é o momento que precisamos reforçar nossas estratégias de incidência. É importante reafirmar que não iremos transformar a perspectiva de um planeta diferente com a morte cotidiana dos jovens e das mulheres negras. Estamos desde a Marcha das Mulheres Negras, em 20115, cobrando do Estado brasileiro respostas.”, disse Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Instituto Odara.

Coral do Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar

Coral do Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar

Ao pensar a conjuntura e os dados alarmantes nas áreas da educação, segurança púbica, defesa e proteção as meninas e mulheres em situação de violência, trabalho com relação a população negra, desde o acesso a creche e a programas como o EJA, compreendeu – se a importância de estabelecer um diálogo de pressão com os representantes dos órgãos do poder público, principalmente, por conta da eleição de 2018.

Para as mulheres é necessário que a relação com a Organização das Nações Unidas (ONU) seja alimentada a partir de agendas estratégicas para barrar o projeto genocida e racista que atinge a vida da população negra, são elas: Foco no combate ao  Feminicidio, Desmilitarização da polícia; Fortalecimento de uma nova perspectiva da política de drogas; Judicialização do Estado e indenização das famílias vitimadas pela violência racial.  O grupo também discutiu sobre a importância de alargar o  conceito de genocídio a partir do olhar das mulheres negras, assim como, de provocar os órgãos institucionais para reconhecer o genocídio da população negra.

Participaram da reunião: representantes do Coral Mulheres de Alagados, Coletivo Brejo, Centro de Arte e Meio Ambiente – Cama, Rede de Mulheres Negras da Bahia, Odeart, Koinania\Afirme-se, Coletivo Creuza Oliveira; Coletiva de Mulheres Negras Abayomi, Sindoméstico\BA, Sindoméstico\Nova Iguaçu, Coletivo Luiza Bairros, Grucom, Coletivo Angela Davis, Grupo de Mulheres do Alto das Pombas, UFRB, e mulheres negras ativistas independentes.

O próximo encontro será realizado no dia 21 de dezembro, das 14h às 18h, na SEDE DO ODARA, (pois o CEAO está em Greve) para refletir sobre o alargamento do conceito de genocídio.  As reuniões são abertas para participação de todas as pessoas.

 

 


Rodas de Diálogos “Mulheres Negras Para um Planeta 50-50: O que queremos em 2030?” será realizado em Salvador, Maceió, Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro



Publicado em: 29 de nov de 2017

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As organizações da sociedade civil de mulheres negras brasileiras vão realizar  Rodas de Diálogos “Mulheres Negras Para um Planeta 50-50: O que queremos em 2030?”, de 5 a 16 de dezembro, em 5 capitais brasileiras (Salvador/BA; Maceió\AL, Recife/PE, Porto Alegre/RS e Rio de Janeiro/RJ). Os diálogos, vão acontecer em parceria com a ONU Mulheres, e têm como foco discutir como garantir que as afro-brasileiras estejam no centro das ações para o cumprimento da Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, como uma condição para o alcance de um Planeta 50-50 em 2030. As atividades serão realizadas no âmbito dos 16 dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres e Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Em Salvador, o diálogo será feito no próximo dia (5), a partir das 17h, pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, no Centro de Estudos Afro- Orientais (CEAO), no Largo Dois de Julho e irá contar com a participação de representantes da sociedade.  O objetivo dos diálogos é garantir que as organizações do movimento de mulheres negras possam discutir entre si estratégias e identificar ações, a serem realizadas numa parceria com o Sistema ONU no Brasil, para o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para a coordenadora executiva do Instituto Odara, Valdecir Nascimento, este é um momento de incidência muito grande dos movimentos de mulheres negras no Brasil e também de muitos desafios em função do impacto do racismo e da violência na vida das mulheres negras. “Somos a maioria neste país e precisamos fortalecer as ações que venham a nos ajudar a reduzir a violência e o feminicídio de mulheres negras no Brasil e na Bahia, que só vem aumentando nos últimos anos. Portanto, vamos aproveitar os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e o dia internacional dos direitos humanos para dar visibilidade a esse debate. Precisamos refletir sobre desenvolvimento econômico, político e social das mulheres negras observando a realidade que nos atinge em todo o país ”.

De acordo com o “Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil”, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FlACSO), o assassinato de mulheres negras aumentou 54% nos últimos dez anos, de 1.864 (2003) para 2.875 (2013). Neste mesmo período o número de homicídios que vitimou mulheres brancas reduziu 10%, de 1.747 para 1.576.

O Brasil ocupa a incômoda 5ª posição em ranking global de homicídios de mulheres, entre 83 países elencados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2013, a taxa de mortes por assassinato de mulheres no Brasil, para cada 100 mil habitantes, foi de 4,8 casos. A média mundial foi de dois casos. Foram 4.762 mulheres mortas violentamente no país naquele ano: 13 vítimas fatais por dia.

 

Na Bahia, a situação também é preocupante. A violência doméstica tem sido responsável por 9,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres existentes. Com isso o estado aparece como o segundo mais violento do Brasil, atrás apenas do Espírito Santo, que possui média de 11,24 para cada 100 mil mulheres.

 

Os diálogos, nos cinco estados que serão realizados, estão sendo organizados pelo Odara em parceria com a Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), a Rede de Mulheres Negras do Nordeste, e organizações locais, com apoio institucional da ONU Mulheres Brasil e deverá produzir um documento que vai revelar novas metas para a Localização dos ODS no Manifesto da Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver 2014, elaborado pela ONU Mulheres Brasil, compreendendo necessidades das mulheres negras que ainda não foram identificadas nos ODS. Além de servir para que as ativistas possam realizar uma análise da conjuntura política e social do Brasil em 2018, constituindo também um espaço para que discutam nos seus estados quais resultados esperam para o empoderamento econômico, social e político e garantia do bem viver das mulheres negras brasileiras até 2030.

 

 


MINHA MÃE NÃO DORME ENQUANTO EU NÃO CHEGAR



Publicado em: 28 de nov de 2017

Equipe Odara e parceiras se reúnem para pensar o atendimento psicossocial das vítimas do Estado

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Dialogar sobre uma metodologia de atendimento psicossocial para mulheres vítimas da violência do Estado foi o foco do encontro com psicólogas (os) e assistentes sociais, realizado pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, na última quarta-feira (22), em Salvador. O evento contou com a presença da psicóloga e psicanalista do Instituto AMMA Psique e Negritude, Maria Lucia da Silva, da psicóloga social e coordenadora executiva do Centro de Estudos das Relações do Trabalho e Desigualdades (CEERT), Cida Bento, e de cerca de 20 profissionais baianos das áreas.

Construir uma metodologia que responda a emergência e qualificação no serviço de atendimento a mães e familiares que perderam seus filhos vitimas da violência policial é um dos desafios do projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, desenvolvido pelo Instituto Odara.  O projeto atua há dois anos em comunidades da periferia de Salvador: Cabula, Nordeste de Amaralina, Uruguai e Subúrbio Ferroviário, e tem como principal objetivo promover o constrangimento do Estado brasileiro em relação ao fenômeno do extermínio da juventude negra, a sensibilização da sociedade para cobrar mudanças sistemáticas, pensar e propor políticas de segurança e políticas de drogas e promover ações de cuidado e atendimento as mães.

“A assistência psicológica pode ajudar no acolhimento das mulheres e dos familiares em situação de violência. Pode ajudar a reconhecer a importância da resistência. Ajudar as pessoas entenderem que o racismo agrava toda a situação de vulnerabilidade, que nós, que somos usuários de diferentes políticas públicas, mas somos negros e negras, vamos enfrentar todas as dificuldades colocadas. O racismo exige mais do psicólogo, não apenas no sentido de fazer um acolhimento, mas que venha contribuir para que essas pessoas venham de volta pra vida”, enfatizou Cida Bento (CEERT).

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Na ocasião, as profissionais refletiram sobre uma metodologia que esteja apropriada a um acolhimento de mulheres e familiares em situação de luto, a partir de um  perfil racial, social, econômico e psicológico. O grupo também propôs a formalização de diálogos estratégicos com instituições púbicas e privadas, a exemplo, dos Conselhos Estadual e Regional de Psicologia, com Universidades, centros comunitários e clínicas para garantir um ciclo de atendimento eficaz e que leve em consideração o impacto do racismo, das condições sociais e de vulnerabilidades que estão inseridas essas tantas mães, tias, irmãs e avôs de jovens negros assassinados.

“Uma coisa importante para pensarmos é que somos cotidianamente golpeados e golpeadas pelo racismo. Mas o dramático desses golpes que estamos recebendo ao longo das nossas vidas é o genocídio da população negra, particularmente o da juventude negra.  Esse genocídio coloca principalmente as mulheres, que são as donas de casa, em situação de adoecimento, depressão, a crises intensas e a perda da sua qualidade de vida, e na maioria das vezes, é preciso um atendimento no campo da saúde mental porque a saúde mental é algo que nos estrutura. Portanto, estrutura um serviço dessa natureza é vital para a vida das mulheres e das nossas famílias”, Maria Lucia da Silva (AMMA Psique). Ela destaca a importância de construir espaços que reúna estas mulheres para elas conversarem e saber que não estão sozinhas na sua dor. “Para que elas também possam construir a partir das experiências coletivas, estratégias de superação”.

Para as profissionais é necessário pensar na recepção das vítimas a partir de um atendimento forjado pela parceria entre profissional de assistente social e de psicóloga com centralidade na escuta e que fortaleça a resiliência e incentivo à sociabilidade. Para a assistente social Joice Santiago “é de suma importância do trabalho do serviço social e da psicologia para tentar amenizar o déficit deixado pelo Estado. Cabe a mim enquanto profissional da assistência social mapear instituições e locais que façam atendimento para esse público e como podem ser encaminhado. Esse é o nosso papel. Lutar pela justiça, pelo fortalecimento pessoal para que outras mulheres e familiares não passem por isso”.

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Segundo dados do Mapa da Violência 2016, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO), entre 1980 e 2014, os homicídios cresceram 592,8% no Brasil. Já os dados do Relatório Final da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens (2016), revelam que um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no país, o que representa 63 mortos por dia e 23.100 por ano. Os dados também mostram que a Região Nordeste é uma das mais impactadas pela violência contra jovens.

“A violência do Estado no Brasil é grande, e no Nordeste é imensa. Para as mulheres negras temos um cenário de morte, de violência, de abandono. Se olharmos para as crianças é a mesma coisa, falta de creche e escola adequada. Agora, falando da juventude negra esse é um ponto crucial. Temos uma política de Estado, da classe média alta dominante de absoluta destruição. Então, quando um jovem negro consegue sobreviver a violência racial, do trafico de drogas e do abandono da escola ele é um jovem sem estrutura para sobreviver, ele vai para rua, não tem emprego digno”, Maria Conceição Costa, Ceiça do Pernambuco.


TRAGA-ME A CABEÇA DE LIMA BARRETO! Estreia em Salvador (30/11)



Publicado em: 27 de nov de 2017

Fotos de divulgação!

Fotos de divulgação!

Hilton Cobra comemora 40 anos de carreira e estreia em Salvador peça teatral que celebra a genialidade e a obra de Lima Barreto

Celebrando 40 anos de carreira, o ator e diretor Hilton Cobra traz a Salvador seu elogiado espetáculo teatral “Traga-me a cabeça de Lima Barreto”, inspirado livremente na obra do escritor brasileiro Lima Barreto (1881-1922). O texto foi escrito especialmente por Luiz Marfuz para Hilton Cobra e tem direção de Fernanda Júlia (do NATA – Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas. A estreia será em 30.11.2017, no Teatro Vila Velha, seguindo em curta temporada, de 01 a 10 de novembro, de quinta a domingo.

 

A peça mostra uma imaginária sessão de autópsia na cabeça de Lima Barreto, conduzida por médicos eugenistas, defensores da higienização racial no Brasil, na década de trinta. O propósito seria esclarecer “como um cérebro considerado inferior poderia ter produzido uma obra literária de porte se o privilégio da arte nobre e da boa escrita é das raças tidas como superiores?”. A partir desse embate, a peça mostra as várias facetas da personalidade e da genialidade de Lima Barreto, refletindo sobre loucura, racismo e eugenia, a obra não reconhecida e os enfrentamentos políticos e literários de sua época. Recentemente, o espetáculo teve apresentação, com ingressos esgotados, na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty, onde o escritor foi o homenageado.

Foto de Divulgação.

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“Se em vida me submeti às mais sórdidas humilhações, em morte não cederei”

“Traga-me a cabeça de Lima Barreto” marca um reencontro de Cobra com a obra do escritor – em 2008, o ator protagonizou a versão cênica de Luiz Marfuz para o clássico da literatura O Triste Fim de Policarpo Quaresma. Desta vez, a peça é inspirada livremente em romances, contos e crônicas Lima, especialmente Diário íntimo e Cemitério dos vivos, consideradas autobiográficas. Trechos dos livros e da vida breve do escritor – viveu apenas 41 anos –  se entrecruzam com uma situação imaginária e se espalham em quatro espaços dramatúrgicos: o colóquio com a plateia; as confissões íntimas; a voz do delírio e o discurso dos eugenistas. Todos se enredam nos fios nervosos da cabeça encantada de Lima Barreto.

 

A narrativa ganha força com trechos dos filmes “Homo Sapiens 1900” e “Arquitetura da Destruição” – ambos cedidos gentilmente pelo cineasta sueco Peter Cohen – que mostram fortes imagens da eugenia racial e da arte censurada pelo regime hitlerista. O cenário, de Marcio Meirelles – um manifesto de palavras – contribui para a força cênica juntamente com o figurino de Biza Vianna, a luz de Jorginho de Carvalho, a direção de movimento de Zebrinha e a música de Jarbas Bittencourt. Os atores Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Déda,  Hebe Alves,  Rui Manthur e Stephane Bourgade – todos amigos e admiradores do trabalho de Cobra, emprestam suas vozes para a leitura em off de textos de apoio à cena.

Ficha técnica dos sonhos reúne grandes profissionais da cena teatral de Salvador

“Se eu estou celebrando 40 anos, eu quero trabalhar com pessoas que me ajudaram e que contribuíram ao longo desses 40 anos” conta Hilton Cobra, que convidou Luiz Marfuz, autor e diretor teatral, um dos melhores do Brasil, “uma cabeça pensante no mundo do teatro. Ele me deu a “carreira de ator”, essa possibilidade de falar através do teatro”.

 

Para o cenário, Cobra convidou Márcio Meirelles – artista que o incentivou a criar a Cia dos Comuns, que é o grande projeto da sua vida. “Marcio e seu trabalho com o Bando de Teatro Olodum me ajudaram a colocar minhas ideias dentro do palco e na vida teatral. Trabalhar com um elenco preto, uma dramaturgia que fale das coisas da gente negra brasileira” explica Cobra. Outro grande nome na ficha técnica é Zebrinha, que muito contribui com os espetáculos da Cia dos Comuns e é um precursor dentro dessa estética da dança negra e do teatro negro. Zebrinha sabe muito e cada dia mais prima pela síntese corporal. Na música, “Traga-me a cabeça de Lima Barreto” conta com a sensibilidade de Jarbas Bittencourt, profissional extraordinário, com quem Cobra já havia trabalhado em “Bakulo – os bem lembrados” e “Silêncio” e um dos poucos criadores de “música para a cena” no Brasil.

 

A mais nova dessa “equipe dos sonhos” é Fernanda Júlia, que aceitou o desafio de dirigir um projeto com tanta gente extraordinária do teatro brasileiro. “Não existe equipe como essa, que artisticamente e tecnicamente é “artesanal”, porque trabalho com artesanato dentro do teatro – isso é muito bacana. Soma-se a essa equipe baiana o cineasta David Aynnan que chegou na reta final com a sua preciosa objetividade artística, criando e organizando os vídeos. Finalizando tivemos a presença marcante de Erick Saboya e Igor Liberato na concepção, criação e execução do cenário juntamente com Marcio Meireles. Essas pessoas não poderiam estar de fora dessa celebração e dessa felicidade e necessidade que é colocar Lima Barreto no palco, discutindo eugenia, racismo, preconceito, genocídio – “isso é extraordinário” vibra Cobrinha.

 

Foto de Divulgação.

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Reconhecimento do público e crítica especializada

Traga-me a cabeça de Lima Barreto cumpriu sua primeira temporada no Sesc Copacabana (RJ) no período de 14 de abril a 7 de maio, com grande sucesso de público e crítica. Recentemente, o espetáculo teve apresentação, com ingressos esgotados, na Flip – Festa Literária Internacional de Paraty.

 

Gilberto Bartholo, crítico teatral, assim descreveu o espetáculo:

“…O texto é genial, mesclando ineditismo com frases de eugenistas e do próprio LIMA BARRETO. Tudo o que é dito se encadeia muito bem e se apresenta de uma forma meio didática, porém não enfadonha; muito ao contrário, é dinâmico, valorizado pela magnífica e irrepreensível atuação de HÍLTON COBRA, um ator de grandes possibilidades técnicas, que, parecendo imantado, atrai os espectadores, desde sua entrada triunfal em cena, e mantém essa atração até o apagar do último refletor. Dono de um carisma, de um talento e de uma gigantesca presença de palco, Hilton nos brinda com uma atuação inesquecível, um convite a voltar àquele espaço, para aplaudi-lo mais e mais…”

 

O site Conversa de Historiadoras publicou a seguinte resenha sobre o espetáculo: “…Traga-me a cabeça de Lima Barreto, monólogo interpretado por Hilton Cobra, chega aos palcos, neste conturbado 2017, como um exercício de cura compartilhada com o público, no qual somos convidadas/os a ver o escritor negro como protagonista de um acerto de contas com o passado que cria novas possibilidades de futuro…”

 

“Traga-me a cabeça de Lima Barreto” foi contemplado com o 4º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras e vem cumprindo sucessivas temporadas no Rio de Janeiro. O espetáculo celebra, também, os 135 anos do nascimento de Lima Barreto e os 15 anos da Cia dos Comuns.

 

Lima Barreto

Afonso Henriques de Lima Barreto foi o crítico mais agudo da época da República Velha no Brasil, rompendo com o nacionalismo ufanista e pondo a nu a roupagem da República, que manteve os privilégios de famílias aristocráticas e dos militares. Nascido na cidade do Rio de Janeiro, no dia 13 de maio de 1881, sete anos antes da abolição da escravatura, sua vida é recheada de acontecimentos polêmicos, controversos e trágicos.

 

Em sua obra, de temática social, privilegiou os pobres, os boêmios e os arruinados. Foi severamente criticado por escritores contemporâneos por seu estilo despojado e coloquial, que acabou influenciando os escritores modernistas. Lima queria que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha finalidade de criticar o mundo circundante para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam pessoas e grupos.

Serviço: Traga-me a cabeça de Lima Barreto

Monólogo teatral que celebra a genialidade de Lima Barreto, refletindo sobre loucura, racismo e eugenia.

 

Local: Teatro Vila Velha, Av. Sete de Setembro, S/Nº, Passeio Público, Campo Grande, Salvador, BA.

Informações: (71) 3083 4600

Estreia: 30/ nov / 2017

Temporada: 01 a 10 dez / 2017  –  qui a dom

Horário:  qui a sab – 20h00   –   dom – 19h00

Ingressos: qui – R$ 20,00 | R$ 10,00     –     sex a dom – R$ 30,00  |  R$ 15,00

 

Ficha Técnica:

Hilton Cobra – Ator | Luiz Marfuz – Dramaturgia | Fernanda Júlia – Direção | Cenário: Vila de Taipa (Laboratório de Investigação de Espaços do Teatro Vila Velha), Erick Saboya, Igor Liberato e Márcio Meireles | Desenho de Luz: Jorginho de Carvalho e Valmyr Ferreira | Figurino: Biza Vianna Direção de Movimentos: Zebrinha | Direção Musical: Jarbas Bittencourt |Direção de vídeo: David Aynnan | Direção de Produção: Tania Rocha | Design gráfico: Bob Siqueira e Gá, Produção executiva: Clarissa Torres | Fotos: Valmyr Ferreira e Marta Viana

Participações especiais (voz em off): Lázaro Ramos, Frank Menezes, Harildo Deda, Hebe Alves, Rui Manthur e Stephane Bourgade  

 

Informações para imprensa:

Target Assessoria de Comunicação

Com: Márcia Vilella | Letícia Reitberger

(21) 2284-2475 | 98158-9692 | 98158 9715

marcia@target.inf.br | leticia@target.inf.br

 

Teatro Vila Velha

Com: Virgílio Machado

(71) 98186-9220 | 3083-4617

comunicacao@teatrovilavelha.com.br | tvvcomunicacao@gmail.com

 

 

 


Dia de Mobilização do Fopir #Contra o Genocídio da População Negra



Publicado em: 27 de nov de 2017

Durante o evento serão apresentadas petições enviadas à ONU e o estudo sobre as proposições legislativas que tratam das questões raciais

O Fórum Permanente pela Igualdade Racial (Fopir), uma coalizão de organizações antirracistas, realizará o Dia de Mobilização do Fopir #Contra o Genocídio da População Negra, no próximo dia 29 novembro, no Observatório de Favela, no Rio de Janeiro. O evento celebra o primeiro ano de atuação do Fopir. “Ser uma coalizão de instituições que reúnem negros e não negros é inédito e muito importante para o país, pois no Brasil se imagina que a luta contra o racismo é dos negros e isso não é verdade. O Fopir tem um olhar amplificado, diversificado e assertivo, chamando novos colaboradores para o combate ao racismo. Essa união é um ganho incomensurável.”, avalia Valdecir Nascimento, do Odara – Instituto da Mulher Negra.

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O evento completo será transmitido ao vivo pelo Facebook pela página do Fopir (www.facebook/fopir). Entre 10h e 11h50, o espaço estará aberto para quem quiser participar presencialmente e, a partir de 14h, as apresentações feitas de diferentes partes do país poderão ser acompanhadas apenas pelo Facebook.

O primeiro documento a ser apresentado será a Denúncia Internacional do Genocídio da Juventude Negra como Política Pública do Estado Brasileiro, que foi enviado a Organização das Nações Unidas (ONU) para que sejam realizadas averiguações in loco e se comprove que o governo brasileiro não está seguindo as recomendações do Relatório da CPI dos Assassinatos de Jovens no Brasil, do Senado Federal. Neste relatório, pela primeira vez, o Estado brasileiro reconheceu o genocídio dos jovens negros no país, mas não atua de forma a reprimir de fato esses assassinatos. A apresentação do documento será realizada por Hélio Santos, do Baobá, e Daniel Teixeira, do CEERT.

A seguir, Irone Santiago, do Fórum Basta de Violência! Outra Maré é Possível, fará a apresentação Diálogos: vítimas de violência do Estado por armas de fogo, tratando da evolução dos homicídios por armas de fogo no Brasil.

Caderno Temático Monitoramento das Proposições Legislativas Relacionadas às Desigualdades e Discriminações Raciais será apresentado por João Feres e Luiz Augusto Campos (GEMAA-UERJ). O documento reúne informações sobre as propostas apresentadas por parlamentares que de alguma forma afetam a luta pela igualdade racial. Os pesquisadores identificaram projetos que ajudam a combater ações preconceituosas e projetos  que criam ou ampliam obstáculos no caminho da igualdade.

Na parte da tarde, entre 14h e 16h40, serão realizadas quatro apresentações ao vivo direto da página do FOPIR no facebook. A primeira será 40 anos do livro O Genocídio do Negro Brasileiro do Abdias Nascimento,  por  Elisa Larkin Nascimento, do IPEAFRO e convidados. Em seguida, o escritor e poeta Milsoul Santos, também do IPEAFRO, fará uma Intervenção Poética. Na sequência, teremos a participação de Alane Reis, do Odara falando sobreMulheres Negras pelo Bem Viver: As formas de ação do genocídio da população negra contra a vida das mulheres negras. O último tema do dia será Contra o Genocídio da Juventude Negra e pelo Estado de Direito, que será tratado por Raull Santiago, do Coletivo

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Sobre o Fopir

Fórum Permanente pela Igualdade Racial – FOPIR tem como propósito desenvolver estratégias e ações de diagnóstico, mobilização, comunicação e incidência política capazes de deflagrar um debate amplo e democrático em prol do enfrentamento do racismo e na defesa das políticas de promoção da igualdade racial e de gênero.

Para mais informações, acesse: http://fopir.org.br/


ONU Mulheres e entidades parceiras inscrevem, até 13/10, para curso gratuito de comunicação, saúde e direitos das mulheres em Natal, Recife, Rio de Janeiro e Salvador



Publicado em: 06 de out de 2017

Inscrições começam nesta segunda-feira (2/10) e se estendem até 13 de outubro pelo blog comunicacaoedireitosdasmulheres.wordpress.com, com limite de 50 pessoas por turma. Curso será ministrado para duas turmas: uma para jornalistas e outra para comunicadoras, comunicadores e ativistas

Faça a sua inscrição:
Turma Jornalistas: Rio de Janeiro (16 e 17/10/17), Natal (24 e 25/10/17), Salvador (6 e 7/11/17) e Recife (13 e 14/11/17).
Turma Comunicadoras e comunicadores: Rio de Janeiro (18 e 19/10/17), Natal (25 e 26/10/17), Salvador (9 e 10/11/17) e Recife (16 e 17/11/17).

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Jornalistas, comunicadoras, comunicadores e ativistas de Natal, Recife, Rio de Janeiro e Salvador podem se inscrever a partir desta segunda-feira (2/10) até o dia 13 de outubro para o Curso de Comunicação, Saúde e Direitos das Mulheres, promovido pela ONU Mulheres e entidades parceiras do campo da comunicação e outras agências das Nações Unidas, com apoio de empresas de comunicação digital.

O curso é viabilizado por projeto de cooperação entre a ONU Mulheres e a Fundação Ford, para incentivar a qualificação da cobertura local da imprensa, de plataformas digitais de comunicação livre, veículos de comunicação comunitários e populares sobre a realidade das mulheres infectadas pelo vírus zika e tríplice epidêmica e arboviroses, articulando os direitos sexuais, direitos reprodutivos, prevenção e eliminação da violência contra as mulheres, tomando por base a garantia das mulheres ao direito humano à comunicação e o incentivo ao empoderamento político e econômico.

A iniciativa tem como objetivo preparar jornalistas, profissionais da imprensa e estudantes de Jornalismo e comunicadoras e comunicadores para a abordagem das temáticas de gênero, raça e etnia, colaborando para a melhoria do trabalho jornalístico e da produção de conteúdos livres de comunicação, com destaque à saúde e ao enfrentamento à violência contra as mulheres.

Em cada localidade, o curso será realizado para duas turmas distintas em razão das rotinas profissionais e das características das mídias. A turma jornalistas é voltada para repórteres, editoras e editores, produtoras e produtores, assessoras e assessores de imprensa e estudantes de Jornalismo. Este curso retoma a parceria entre a FENAJ e a ONU Mulheres, iniciada, em 2011, com o curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas.

turma comunicadoras, comunicadores e ativistas destina-se a blogueiras e blogueiros, vlogueiras e vlogueiros, radialistas, cyberativistas, repórteres comunitárias e comunitários e ativistas com interesse em comunicação. Cada turma tem o limite de 50 participantes.

As inscrições são totalmente online. Informações mais detalhadas estão disponíveis no blog do curso e eventuais dúvidas poderão ser enviadas para o e-mail: grejornalistas@gmail.com

Curso de Comunicação, Saúde e Direitos das Mulheres está estruturado em três módulos, – Mulheres, saúde, acesso aos direitos e os contextos de enfrentamento ao racismo, ao etnocentrismo e à violência em sociedade; Comunicação, ética e os princípios da solidariedade e justiça social na saúde; e Mídias digitais – e duas atividades pedagógicas, uma sobre leitura crítica da mídia e outra de produção de conteúdo por meio da interação com fontes especializadas.

São entidades parceiras do curso: Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras, Artigo 19, Blogueiras Negras, FENAJ, Intervozes, Instituto Patrícia Galvão, Rede Mulher e Mídia, Repórteres sem Fronteiras, Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), OPAS/OMS (Organização Pan-americana e Saúde/Organização Mundial da Saúde). O curso acontece com apoio das ONGs Criola, Kilombo, Mirim e Odara; dos sindicatos de Jornalistas da Bahia, Município do Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte e dos Bancários da Bahia; e das instituições de ensino Instituto Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Católica de Pernambuco e Universidade Federal do Rio Grande do Norte e das empresas de comunicação digital Google e Twitter.

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Sensibilização da mídia para agenda de direitos da ONU – Os conteúdos do Curso de Comunicação, Saúde e Direitos das Mulheres se interrelacionam com os propósitos da estratégia global Pacto de Mídia “Dê um passo pela igualdade de gênero”, da ONU Mulheres, que retomam os objetivos da área de preocupação Mulher e Mídia, da Plataforma de Ação de Pequim: aumentar a quantidade de mulheres nos espaços de decisão da mídia e aprimorar a abordagem sobre a temática de gênero, eliminando estereótipos.

Trazem, ainda, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo a campanha internacional UNA-SE, cujo lema de 2017 é “Não deixar ninguém para trás: acabar com a violência contra as mulheres e as meninas”, e os desafios da Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), para enfrentar o racismo e promover os direitos da população negra, contemplada, no Brasil, pelo Marco de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021.

Fonte: ONU Mulheres


Coletivo de Mulheres do Calafate: 25 anos de resistência e luta pelos direitos das mulheres



Publicado em: 29 de set de 2017

Por Redação Odara

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Este ano, o Coletivo de Mulheres do Calafate (CMC) completou 25 anos de resistência e luta pela garantia dos direitos das mulheres e do empoderamento comunitário.  Com atuação histórica no movimento feminista baiano e brasileiro, o CMC tem realizado ações importantes para o fortalecimento de um Estado democrático com participação efetiva das mulheres nas diferentes esferas, a partir do controle social permanente das políticas públicas direcionadas as mulheres, principalmente, no campo da saúde e dos Direitos Sexuais e Reprodutivos; do enfrentamento a violência; da economia solidária entre outras.

Confira na íntegra entrevista do Coletivo de Mulheres do Calafate concedida a equipe de comunicação do Odara – Instituto da Mulher Negra e conheça mais sobre a trajetória política e os desafios apresentados pelo Coletivo na atual conjuntura, no que diz respeito aos direitos e participação política das mulheres.

Leia entrevista completa!

Como e quando surgiu o Coletivo de Mulheres do Calafate?

CMC- O Coletivo de Mulheres do Calafate foi criado em 08 de outubro de 1992, por oito mulheres da comunidade do Calafate indignadas pelos casos de violência doméstica e pela situação de subordinação que viviam as mulheres da comunidade.

Qual era a conjuntura no momento de criação da organização?

CMC- Em nível nacional o cenário político era de pós-promulgação da Constituição Brasileira (1988), garantindo o exercício da cidadania e da democracia no país, depois de anos no regime de Ditadura Militar. No âmbito da comunidade do Calafate existia um forte movimento de moradia, que envolvia moradores/moradoras da comunidade em prol do desenvolvimento da comunidade e luta por direitos sociais.

Apesar do cenário favorável a mobilização e articulação comunitária, a situação da de vida das mulheres era de opressão e exploração, devido ao sistema capitalista racista-patriarcal. Situação que dificultava a participação política das mulheres.

Quantas e qual o perfil das ativistas que compõe o Coletivo?

CMC – O Coletivo de Mulheres do Calafate é atualmente composto por 38 integrantes. Na sua grande maioria mulheres negras e adultas. Somos aposentadas (ou beneficiada pelo BPC), trabalhadoras doméstica, beneficiada pela Bolsa Família e outras no mercado informal (sem proteção social). O número de mulheres no ensino superior vem crescendo, mas não chega a 50% do grupo.

(Imagem/Arquivo fotográfico Coletivo de Mulheres do Calafate)

(Imagem/Arquivo fotográfico Coletivo de Mulheres do Calafate)

Quais são as principais agendas de incidência da organização ao longo dos seus 25 anos?

CMC- O Coletivo tem atuado fortemente no enfrentamento à violência contra as mulheres; Saúde, Direitos Sexuais e Reprodutivos; e da Economia Solidária.

(Imagem/Arquivo fotográfico do Coletivo de Mulheres do Calafate)

(Imagem/Arquivo fotográfico do Coletivo de Mulheres do Calafate)

Como tem sido o diálogo do Coletivo com a comunidade com relação à pauta dos direitos reprodutivos e do aborto?

CMC – Saúde, Direitos Sexuais e Reprodutivos é a agenda de incidência política que enfrentamos maior desafio para se desenvolver dentro do Coletivo e na comunidade. Os desafios vêm aumentando devido ao crescimento das igrejas evangélicas (segundo os evangélicos tradicionais, o que seria a ‘nova onda de evangélicos’) e do próprio sistema patriarcal.

Os anos 90 foi o período que mais falamos sobre os Direitos Sexuais e Reprodutivos, devido ao surgimento da AIDS. Tínhamos projetos financiados pela Coordenação Nacionalde DST/HIV/AIDS, que apoiava projetos e contribuía com a atuação das mobilizadoras comunitárias.

Neste período, o Coletivo de Mulheres do Calafate contribuiu para a formação e criação do Grupo Homossexual do Calafate, que depois se tornou o Grupo Homossexual da Periferia, e realizou ações comunitárias e de rua marcando na comunidade do Calafate o dia 29 de Agosto – Dia da Visibilidade Lésbica.

Todos os projetos e ações eram realizados com muita mobilização comunitária. Apesar das críticas dos seguimentos conservadores da comunidade na época, no âmbito interno do grupo existia um consenso da importância da agenda política sobre os Direitos Sexuais e Reprodutivos, só que esse consenso tinha seu limite quando se tratava do tema Aborto. Apesar da resistência de se falar sobre aborto – muitas vezes por medo de ser presa – as mulheres faziam o aborto. Nas rodas de conversa sobre aborto eram relatadas as ‘dores’ e as opressões provocadas pelas concepções religiosas e patriarcais impostas às mulheres, geralmente vinculadas à maternidade, a vida do feto. A maternidade como a essência do ser mulher.

Atualmente, os desafios estão sendo enfrentados dentro do grupo, a partir do número significativo de evangélicas. Algumas reconhecem o aborto como direito da mulher internamente no grupo, porém não sustentam o argumento fora do grupo. A comunidade tem um perfil conservador nos aspectos político e social, exigindo do Coletivo de Mulheres do Calafate criação de estratégias para garantir a pauta dos Direitos Sexuais e Reprodutivos e do Aborto.

No Brasil, a saúde pública é uma das áreas mais marcadas pelo racismo institucional. Cenas e práticas de controle da população negra brasileira são indicadores das desigualdades do país, com efeitos negativos, sobretudo no direito à maternidade para as mulheres negras. Qual a opinião e como o Coletivo tem enfrentado este tema?

CMC – Um desafio encontrado pelo Coletivo se refere à naturalização do sofrimento pela condição de pobreza e de ser mulher negra. As mulheres naturalizam a situação de sofrimento e de ‘que tudo tem que ser com dificuldade’. Outro desafio é do fazer entender que as mulheres negras têmdireitos. As mulheres não negras acessam a saúde pública com a convicção de que elas têm direito a saúde pública. Elas imaginam a dificuldade de ir aos serviços públicos de saúde, podem naturalizar que por ser mulher em situação de pobreza tudo é mais difícil, mas elas vão.

Para as mulheres negras o diálogo é praticamente inexistente, diante das situações provocadas pelo racismo. As mulheres negras muitas vezes são levadas a não acessar a saúde pública, já que não tem direito de romper com o pensamento “de não ter direito”, de ser ‘barrada’ pelo racismo institucional, como castigo de sua rebeldia, que nesse caso, seria o de se achar sujeitas com direito.

Esse cenário é enfrentado pelo Coletivo, sendo uma organização composta por mulheres negras e não negras, criando espaços de empoderamento para as mulheres negras.

Nós temos debatido e feito enfrentamento as práticas de controle da população negra brasileira como indicadores das desigualdades do país, com efeitos negativos, sobretudo, no direito à maternidade para as mulheres negras.

O Coletivo comemora seus 25 anos em um momento de conjuntura política desfavorável com relação aos direitos das mulheres no Brasil. Neste cenário, quais têm sido os principais desafios apontados pelo Coletivo?

CMC – Estamos enfrentando o desafio a cerca do descrédito das mulheres em relação à importância participação política diante do Golpe. A manutenção do golpe tem reforçado a naturalização de desesperança, deque a situação não tem jeito e que sempre foi assim. A atuação das forças conservadoras nas comunidades tem promovido ampla despolitização diante do desespero da população. Existe uma pressão atuando nesse caos para que esta mesma população acredite que para mediar ‘o caos do Brasil só Jesus na causa’.

São expressões que reforça a alienação e o afastamento das mulheres na possibilidade de mudanças. Como o Coletivo de Mulheres do Calafate tem sua atuação centrada na formação política feminista para o controle social sofre o impacto dessa conjuntura política na participação das mulheres e adesão nas lutas. Só nos resta a resistência!

(Imagem/Arquivo fotográfico Coletivo de Mulheres do Calafate)

(Imagem/Arquivo fotográfico Coletivo de Mulheres do Calafate)

A violência contra as mulheres e o feminicídio tem aumentado de forma significativa no estado da Bahia, o Coletivo atribui esse fenômeno a quais fatores?  Quais ações o Coletivo tem realizado para enfrentar este quadro?

CMC – Atribuímos esse fenômeno ao capitalismo patriarcal racista. Quando o governo consegue implementar políticas públicas no enfrentamento a violência contra as mulheres, por pressão dos movimentos sociais, não faz seus devidos investimentos orçamentários para que esse serviço tenha um atendimento que contemple a necessidade das mulheres, compreendendo a prevenção e a atenção. Com a atual conjuntura política desfavorável só se agravou mais o descaso do governo aos equipamentos de enfrentamento a violência contra as mulheres e a Lei Maria da Penha.

No âmbito ideológico, existe um ódio contra as mulheres, que só se agrava no cenário de ódio. É perceptível o incomodo com relação ao empoderamento das mulheres, o desprezo não basta só ]à execução. Como o feminismo representa esse caminho para o empoderamento, se agrava o ódio contra as feministas e as instituições feministas. Só basta a resistência!!!