Lígia Margarida fala sobre o Julho Das Pretas

Histórico do Julho Das Pretas


Publicado em: 15 de jun de 2018

Lígia Margarida, da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) fala do histórico do Julho Das Pretas, e da importância do Julho deste ano.


Entrevista concedida pelo Odara ao Portal Correio Nagô

Histórico do Julho Das Pretas


Publicado em: 05 de jun de 2018

Entrevista concedida pela coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra, Valdecir Nascimento, ao Portal Correio Nagô. Valdecir fala do surgimento, objetivos e ações do coletivo.


Feminicídio – Por que as mulheres negras são as mais violentadas?



Publicado em: 15 de maio de 2018

Feminicidio das mulheres negras – Gravação do programa que foi ao ar pelo Facebook [Live].


Mulheres Negras fazem encaminhamentos para encontro nacional em Goiânia



Publicado em: 07 de maio de 2018

13 a 15 de dezembro de 2018 é destacado como período tentativo para a realização do encontro na capital de Goiás. Estrutura será viabilizada para 1.000 participantes. Delegações serão definidas em encontros estaduais, propostos para acontecer até agosto de 2018. Reunião preparatória registrou a presença de cerca de 80 mulheres negras

A 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” aconteceu no último sábado (5/5), na sede nacional da CONAQ (Coordenação Nacional de Quilombos), em Brasília. A atividade deu seguimento à deliberação por aclamação de realização Encontro Nacionalde  Mulheres Negras 30 Anos, definido em Plenária do Fórum Permanente de Mulheres Negras, ocorrida no Fórum Social Mundial Social 2018, em 15 de março, em Salvador. Naquele momento, a candidatura de Goiânia como sede do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” foi apresentada pelo Movimento Negro Unificado (MNU) e aprovada por cerca de 200 mulheres negras presentes no Fórum Permanente de Mulheres Negras.

No sábado passado (5/5), as mulheres negras deram continuidadeaos encaminhamentos de organização do encontro. Do início ao fim, foram registradas cerca de 80 mulheres negras participantes da 1ª reunião preparatória. Dentre as entidades nacionais, estiveram representadas: Agentes da Pastoral Negros (APNs), Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Coordenação Nacional de Quilombos (CONAQ), Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU) e União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) – seis das oito entidades nacionais integrantes do Comitê Nacional Impulsor da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, de 2015.

 

Entre os principais acordos estão: indicação de 13 a 15 de dezembro de 2018 como data do encontro; definição de 1.000 vagas para participantes negras no encontro nacional, atendendo ao critério de representação populacional negra e de mobilização de mulheres negras por estado; designação do evento como “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”; formação de comissão executiva por ativistas negras do estado de Goiás; criação de cinco comissões, integradas por militantes negras de diferentes localidades do Brasil, a fim de viabilizar o encontro nacional: Finanças, Infraestrutura, Comunicação, Documentos e Metodologia.

Organização do encontro nacional – Um dos principais desafios é a mobilização de mulheres negras no estados. De acordo com a reunião, a articulação com os estados será iniciada com foco na organização de calendário até 25 de maio, com indicativo de datas e locais para que as mulheres negras, nos seus estados de origem, possam participar de reuniões preparatórias locais para definição das delegações. A proposta é incentivar a realização de encontros estaduais até agosto, tendo o #JulhoDasPretas como um momento de articulação e debate sobre o encontro nacional. Setembro foi recomendado como prazo para a realização de encontros regionais, para aqueles estados que consideraram adequada essa modalidade de mobilização.

 

Dentre os encaminhamentos, ainda, constam: elaboração da Carta do Guará acerca do chamamento para o “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”; carta de apoio à candidatura da escritora Conceição Evaristo para a Academia Brasileira de Letras (ABL); carta de apoio as 17 mulheres negras jovens assediadas e estupradas por professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. O grupo presente também definiu por realizar a 2ª Reunião Preparatória do Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” em 9 de junho, em Goiânia, e por outras duas – em agosto e novembro, para fins de organização do encontro nacional.

 

A exemplo da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, o “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” não tem recursos para custear a participação de ativistas nem viabilizar as despesas das delegações estaduais. Contudo, a diferença do encontro em Goiânia é a limitação de participantes, em razão do formato do evento: encontro com apresentação de temas e debates de interesses das mulheres negras.

 

Temas em debate – Ao longo da 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”, as ativistas destacaram a autonomia do movimento de mulheres negras, o impacto positivo da Marcha das Mulheres Negras de 2015 e a interlocução com outros agentes, setores e temáticas persistentes e emergentes, tais como: diversidade das mulheres negras (faveladas, atingidas por barragem); juventudes; relação intergeracional; homens negros; feminismos; partidos políticos; eleições; LGBT; questões políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais; geopolítica; autocuidado; comunicação política; segurança na internet; segurança alimentar e nutricional; letalidade de mulheres negras e população negra; encarceramento de mulheres negras. Dentre os assuntos, as militantes concordaram que o racismo e o sexismo são questões comuns a todas as mulheres negras, reafirmando o compromisso de enfrentamento e eliminação por meio de mudanças estruturais do Brasil como um dos vetores do encontro nacional.

Em breve, será divulgado o relatório da 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” para todos os estados.

Confira: Relatório do Fórum Permanente de Mulheres Negras, que deliberou pela realização do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”.

 

Redação: Bel Clavelin, jornalista. Revisão: Naiara Leite e Ivana Leal.


Odara e organizações parceiras encerram atividades do ano do Programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar



Publicado em: 20 de dez de 2017

 

Veridiana Machado, psicóloga parceira do programa, fala sobre a importância do cuidado psicológico que dimensione o racismo em nossas vidas.

Texto e fotos: Alane Reis

 

Na manhã do último domingo (17) a equipe do Instituto Odara esteve reunida com as organizações parceiras e com as mulheres que integram o programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, moradoras dos bairros do Uruguai, Nordeste de Amaralina, Cabula e Subúrbio Ferroviário de Salvador, bairros atendidos pelo programa. O encontro aconteceu na sede do Centro Cultural Alagados, no Uruguai, e teve como objetivo avaliar as ações de 2017 e pensar as perspectivas para 2018.

A atividade começou com um café da manhã, seguido por apresentação do coral de Mulheres de Alagados, composto por mulheres de várias organizações, e mães ou familiares de vítimas do Estado. “Encontrar minhas companheiras dois dias da semana para cantar é esquecer um pouco os problemas, pensar que a vida pode ser bonita, é bonita e é bonita, como diz a música”, conta uma delas. O coral é uma das atividades terapêuticas psicossocial, desenvolvida pelo programa, no bairro do Uruguai, em parceria com o Centro de Arte e Meio Ambiente (Cama).

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Na sequência foi o momento de avaliação das atividades e perspectivas de 2018, com falas das mulheres que integram o programa, e das organizações parceiras, o Cama e Odeart. As mulheres do Cabula apresentaram os produtos das aulas de artesanato e as roupas produzidas nas aulas de costura. Ambos os cursos são realizados também com fins de cuidado psicossocial, pelo Minha Mãe Não Dorme, em parceria com o Odeart, no bairro do Cabula.

Janice de Sena, integrante do Odeart, fala sobre a importância das atividades: “A partir do argumento da costura, do artesanato, nós, mulheres, nos encontramos para falar das nossas angustias, das nossas expectativas, dores, traumas. Porque a sociedade brasileira se sustenta pela força e pela dor das mulheres, principalmente de nós, mulheres negras”.

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Coral Mulheres de Alagados

Na fala das mulheres, os depoimentos são de vidas atravessadas pelas violências mais diversas, marcadas pela ação do racismo, o sexismo e o silenciamento, ainda assim, o convívio entre elas é frutífero para alimentar sonhos individuais e coletivos, trazer à tona a necessidade do auto cuidado, e do cuidado com a outra, se fortalecer para a busca por justiça pelas vidas de jovens negros ceifadas pelo Estado ou pela negligência do mesmo.

Algumas mulheres, mesmo depois de perder um, as vezes dois filhos, ainda tem coragem de enfrentar o Estado, sob atuação da polícia, para defender sua família. “Dia desses tive que fazer um escândalo na rua, meu filho e meu neto estavam na moto, a polícia parou eles e queriam levar pro meio do mato e colocar meio quilo de droga em casa um. Eu gritei, chamei atenção da rua toda e por isso não levaram eles presos”. Relatos como este, de abusos e truculência policial fazem parte do cotidiano das periferias de Salvador, e por este motivo, iniciativas autônomas do povo e das comunidades negras, que visam denunciar e combater o racismo institucional são necessárias.

Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra

Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra

“Acreditamos que nós somos a solução dos problemas nas comunidades negras, na cidade de Salvador, no estado da Bahia e em nosso país, basta que os gestores, dirigentes e sociedade em geral acreditem e possibilite que nós mulheres, homens e comunidades negras, promovam a transformação. Para isto é fundamental que nos deixem viver”, Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra, durante a avaliação.

A psicóloga e parceira do Instituto Odara, Veridiana Machado, trouxe a provocação: “o que é uma assistência psicossocial para mulheres negras, vítimas de violências determinadas pelo racismo?”, e a partir daí ela falou da importância de pensarmos o cuidado psicológico individual e coletivo. “O Estado não está preocupado nem com a justiça, quanto mais com essa dor, por isso nós precisamos criar espaços efetivos de cura desta dor”.

No encerramento da atividade, Valdecir Nascimento falou como as avaliações apresentadas neste encontro irão orientar as ações do programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, em 2018, e reforçou a importância do cuidado psicológico para todas as mulheres negras, especialmente às que tiveram filhos assassinados pela violência genocida anti negra do Estado brasileiro. “Nós mulheres negras somos a centralidade das nossas famílias, das nossas comunidades, independente de sofrer violência diretamente, precisamos nos cuidar, cuidar do psicológico, para continuar cuidando das nossas e dos nossos”.


JOVENS ATIVISTAS DO INSTITUTO ODARA PARTICIPAM DO MOVIMENTE-SE, ENCONTRO NACIONAL PARA DEBATER POLÍTICAS DE DROGAS



Publicado em: 13 de dez de 2017

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O 1º Movimente-se contou com a participação de jovens de favelas de todo Brasil

 

Quarenta jovens de periferias do Brasil estiveram reunidos entre os dias 7 e 10 de dezembro, no Rio de Janeiro, para debater o impacto da atual política de drogas na vida das juventudes de periferia.­ Duas jovens ativistas do Odara – Instituto da Mulher Negra, Alane Reis e Ana Paula Rosário, estiveram com o grupo no 1º Movimente-se, uma imersão com foco em formação política e construção de estratégias para enfrentar as várias violências racistas causadas pela suposta “guerra às drogas” que embasa as políticas de segurança no Brasil.

A imersão foi organizada pelo Movimentos – Drogas, Juventude e Favela, um grupo de jovens de favelas com atuação principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Durante estes dias, o grupo conversou com especialistas em drogas de vários campos como saúde, segurança, comunicação comunitária, entre outros. Todos os debates demarcavam o teor de repressão do povo negro e indígena no histórico de criminalização das drogas no continente americano.

Alane Reis no morro do Alemão. Ana Paula Rosário em Caxias.

Alane Reis no morro do Alemão. Ana Paula Rosário em Caxias.

Para nós, do Instituto Odara, participar deste encontro foi muito inspirador para fortalecer nossa compreensão que a juventude negra está organizada resistindo de diversas formas pelo Brasil. Estamos resistindo nas favelas e quilombos deste país, somos fortes nas mídias comunitárias, nos movimentos literários de poesia marginal, nas universidades, que sempre tenta reforçar que lá não é nosso lugar, pois sabe como o conhecimento descolonizado produzido por nós tem poder libertador.

O Movimente-se, para nós, trouxe perspectivas de como fazer o debate sobre políticas de drogas no Programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, que entre as ações, investe no fortalecimento de mulheres que perderam os filhos para a suposta guerra às drogas, atual justificativa do Estado para matar e encarcerar pessoas negras.

É muito gratificante voltar pra casa com a certeza que a luta diária que trilhamos por aqui está em consonância em todo Brasil. Que venham outros Movimente-se!


ODARA INICIA DIÁLOGO SOBRE A AGENDA 2030 COM MOVIMENTO DE MULHERES NEGRAS DA BAHIA



Publicado em: 12 de dez de 2017

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Próxima reunião será realizada no dia 21 de dezembro, das 14h às 18h, no CEAO.

Na última quarta-feira (05), o Odara – Instituto da Mulher Negra convocou as Mulheres Negras de Salvador para roda de diálogo  para discutir como garantir que as mulheres negras estejam no centro das ações para o cumprimento da Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, como uma condição para o alcance de um Planeta 50-50 em 2030. A atividade reuniu no Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), no Dois de Julho cerca de 40 mulheres dos diferentes segmentos.

Para dialogar sobre a agenda 2030 o grupo pontuou a necessidade de fortalecer um debate junto ao movimento de mulheres negras sobre a perspectiva de incidência dentro dos contextos nacional e internacional. Neste sentido, foi suscitado a necessidade de uma conexão entre os pontos estruturantes da Década Internacional dos Afrodescendentes e as denuncias internacionais de violação de direitos humanos, feminicidio e do genocídio da população negra protocolizadas até o momento.

“Este é o momento que precisamos reforçar nossas estratégias de incidência. É importante reafirmar que não iremos transformar a perspectiva de um planeta diferente com a morte cotidiana dos jovens e das mulheres negras. Estamos desde a Marcha das Mulheres Negras, em 20115, cobrando do Estado brasileiro respostas.”, disse Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Instituto Odara.

Coral do Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar

Coral do Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar

Ao pensar a conjuntura e os dados alarmantes nas áreas da educação, segurança púbica, defesa e proteção as meninas e mulheres em situação de violência, trabalho com relação a população negra, desde o acesso a creche e a programas como o EJA, compreendeu – se a importância de estabelecer um diálogo de pressão com os representantes dos órgãos do poder público, principalmente, por conta da eleição de 2018.

Para as mulheres é necessário que a relação com a Organização das Nações Unidas (ONU) seja alimentada a partir de agendas estratégicas para barrar o projeto genocida e racista que atinge a vida da população negra, são elas: Foco no combate ao  Feminicidio, Desmilitarização da polícia; Fortalecimento de uma nova perspectiva da política de drogas; Judicialização do Estado e indenização das famílias vitimadas pela violência racial.  O grupo também discutiu sobre a importância de alargar o  conceito de genocídio a partir do olhar das mulheres negras, assim como, de provocar os órgãos institucionais para reconhecer o genocídio da população negra.

Participaram da reunião: representantes do Coral Mulheres de Alagados, Coletivo Brejo, Centro de Arte e Meio Ambiente – Cama, Rede de Mulheres Negras da Bahia, Odeart, Koinania\Afirme-se, Coletivo Creuza Oliveira; Coletiva de Mulheres Negras Abayomi, Sindoméstico\BA, Sindoméstico\Nova Iguaçu, Coletivo Luiza Bairros, Grucom, Coletivo Angela Davis, Grupo de Mulheres do Alto das Pombas, UFRB, e mulheres negras ativistas independentes.

O próximo encontro será realizado no dia 21 de dezembro, das 14h às 18h, na SEDE DO ODARA, (pois o CEAO está em Greve) para refletir sobre o alargamento do conceito de genocídio.  As reuniões são abertas para participação de todas as pessoas.

 

 


Rodas de Diálogos “Mulheres Negras Para um Planeta 50-50: O que queremos em 2030?” será realizado em Salvador, Maceió, Recife, Porto Alegre e Rio de Janeiro



Publicado em: 29 de nov de 2017

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As organizações da sociedade civil de mulheres negras brasileiras vão realizar  Rodas de Diálogos “Mulheres Negras Para um Planeta 50-50: O que queremos em 2030?”, de 5 a 16 de dezembro, em 5 capitais brasileiras (Salvador/BA; Maceió\AL, Recife/PE, Porto Alegre/RS e Rio de Janeiro/RJ). Os diálogos, vão acontecer em parceria com a ONU Mulheres, e têm como foco discutir como garantir que as afro-brasileiras estejam no centro das ações para o cumprimento da Agenda de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, como uma condição para o alcance de um Planeta 50-50 em 2030. As atividades serão realizadas no âmbito dos 16 dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres e Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Em Salvador, o diálogo será feito no próximo dia (5), a partir das 17h, pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, no Centro de Estudos Afro- Orientais (CEAO), no Largo Dois de Julho e irá contar com a participação de representantes da sociedade.  O objetivo dos diálogos é garantir que as organizações do movimento de mulheres negras possam discutir entre si estratégias e identificar ações, a serem realizadas numa parceria com o Sistema ONU no Brasil, para o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para a coordenadora executiva do Instituto Odara, Valdecir Nascimento, este é um momento de incidência muito grande dos movimentos de mulheres negras no Brasil e também de muitos desafios em função do impacto do racismo e da violência na vida das mulheres negras. “Somos a maioria neste país e precisamos fortalecer as ações que venham a nos ajudar a reduzir a violência e o feminicídio de mulheres negras no Brasil e na Bahia, que só vem aumentando nos últimos anos. Portanto, vamos aproveitar os 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres e o dia internacional dos direitos humanos para dar visibilidade a esse debate. Precisamos refletir sobre desenvolvimento econômico, político e social das mulheres negras observando a realidade que nos atinge em todo o país ”.

De acordo com o “Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil”, realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FlACSO), o assassinato de mulheres negras aumentou 54% nos últimos dez anos, de 1.864 (2003) para 2.875 (2013). Neste mesmo período o número de homicídios que vitimou mulheres brancas reduziu 10%, de 1.747 para 1.576.

O Brasil ocupa a incômoda 5ª posição em ranking global de homicídios de mulheres, entre 83 países elencados pela Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2013, a taxa de mortes por assassinato de mulheres no Brasil, para cada 100 mil habitantes, foi de 4,8 casos. A média mundial foi de dois casos. Foram 4.762 mulheres mortas violentamente no país naquele ano: 13 vítimas fatais por dia.

 

Na Bahia, a situação também é preocupante. A violência doméstica tem sido responsável por 9,8 assassinatos a cada 100 mil mulheres existentes. Com isso o estado aparece como o segundo mais violento do Brasil, atrás apenas do Espírito Santo, que possui média de 11,24 para cada 100 mil mulheres.

 

Os diálogos, nos cinco estados que serão realizados, estão sendo organizados pelo Odara em parceria com a Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), a Rede de Mulheres Negras do Nordeste, e organizações locais, com apoio institucional da ONU Mulheres Brasil e deverá produzir um documento que vai revelar novas metas para a Localização dos ODS no Manifesto da Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver 2014, elaborado pela ONU Mulheres Brasil, compreendendo necessidades das mulheres negras que ainda não foram identificadas nos ODS. Além de servir para que as ativistas possam realizar uma análise da conjuntura política e social do Brasil em 2018, constituindo também um espaço para que discutam nos seus estados quais resultados esperam para o empoderamento econômico, social e político e garantia do bem viver das mulheres negras brasileiras até 2030.