Boletim Odara (Julho\Agosto)



Publicado em: 02 de out de 2018

Olá companheiras e companheiros!

A radicalidade, a irreverência, os gritos de luta, força e resistência definiram a 6ª edição do Julho das Pretas na Bahia. Com uma programação extensa que atravessou os meses de julho – marcado pelo dia 25 de julho: Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha e dia nacional de Tereza de Benguela, e ocupou quase todo o mês de agosto, reafirmando a importância da luta política das mulheres negras.

Neste ano, o Odara – Instituto da Mulher Negra, idealizadora do Julho das Pretas, realizou atividades centradas no debate do enfrentamento ao racismo e do bem viver para as mulheres negras. Com o objetivo de reafirmar as estratégias de resistência na luta e de provocar amplo debate em torno da conjuntura política, como: os 130 anos da falsa Abolição da Escravatura; 30 anos do primeiro Encontro Nacional de Mulheres; 30 anos da Constituição Federal; o aumento significativo do feminicídio de mulheres negras e o extermínio da juventude negra.

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Lígia Margarida fala sobre o Julho Das Pretas

Histórico do Julho Das Pretas


Publicado em: 15 de jun de 2018

Lígia Margarida, da Sociedade Protetora dos Desvalidos (SPD) fala do histórico do Julho Das Pretas, e da importância do Julho deste ano.


Entrevista concedida pelo Odara ao Portal Correio Nagô

Histórico do Julho Das Pretas


Publicado em: 05 de jun de 2018

Entrevista concedida pela coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra, Valdecir Nascimento, ao Portal Correio Nagô. Valdecir fala do surgimento, objetivos e ações do coletivo.


Feminicídio – Por que as mulheres negras são as mais violentadas?



Publicado em: 15 de maio de 2018

Feminicidio das mulheres negras – Gravação do programa que foi ao ar pelo Facebook [Live].


Mulheres Negras fazem encaminhamentos para encontro nacional em Goiânia



Publicado em: 07 de maio de 2018

13 a 15 de dezembro de 2018 é destacado como período tentativo para a realização do encontro na capital de Goiás. Estrutura será viabilizada para 1.000 participantes. Delegações serão definidas em encontros estaduais, propostos para acontecer até agosto de 2018. Reunião preparatória registrou a presença de cerca de 80 mulheres negras

A 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” aconteceu no último sábado (5/5), na sede nacional da CONAQ (Coordenação Nacional de Quilombos), em Brasília. A atividade deu seguimento à deliberação por aclamação de realização Encontro Nacionalde  Mulheres Negras 30 Anos, definido em Plenária do Fórum Permanente de Mulheres Negras, ocorrida no Fórum Social Mundial Social 2018, em 15 de março, em Salvador. Naquele momento, a candidatura de Goiânia como sede do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” foi apresentada pelo Movimento Negro Unificado (MNU) e aprovada por cerca de 200 mulheres negras presentes no Fórum Permanente de Mulheres Negras.

No sábado passado (5/5), as mulheres negras deram continuidadeaos encaminhamentos de organização do encontro. Do início ao fim, foram registradas cerca de 80 mulheres negras participantes da 1ª reunião preparatória. Dentre as entidades nacionais, estiveram representadas: Agentes da Pastoral Negros (APNs), Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Coordenação Nacional de Quilombos (CONAQ), Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU) e União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) – seis das oito entidades nacionais integrantes do Comitê Nacional Impulsor da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, de 2015.

 

Entre os principais acordos estão: indicação de 13 a 15 de dezembro de 2018 como data do encontro; definição de 1.000 vagas para participantes negras no encontro nacional, atendendo ao critério de representação populacional negra e de mobilização de mulheres negras por estado; designação do evento como “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”; formação de comissão executiva por ativistas negras do estado de Goiás; criação de cinco comissões, integradas por militantes negras de diferentes localidades do Brasil, a fim de viabilizar o encontro nacional: Finanças, Infraestrutura, Comunicação, Documentos e Metodologia.

Organização do encontro nacional – Um dos principais desafios é a mobilização de mulheres negras no estados. De acordo com a reunião, a articulação com os estados será iniciada com foco na organização de calendário até 25 de maio, com indicativo de datas e locais para que as mulheres negras, nos seus estados de origem, possam participar de reuniões preparatórias locais para definição das delegações. A proposta é incentivar a realização de encontros estaduais até agosto, tendo o #JulhoDasPretas como um momento de articulação e debate sobre o encontro nacional. Setembro foi recomendado como prazo para a realização de encontros regionais, para aqueles estados que consideraram adequada essa modalidade de mobilização.

 

Dentre os encaminhamentos, ainda, constam: elaboração da Carta do Guará acerca do chamamento para o “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”; carta de apoio à candidatura da escritora Conceição Evaristo para a Academia Brasileira de Letras (ABL); carta de apoio as 17 mulheres negras jovens assediadas e estupradas por professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. O grupo presente também definiu por realizar a 2ª Reunião Preparatória do Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” em 9 de junho, em Goiânia, e por outras duas – em agosto e novembro, para fins de organização do encontro nacional.

 

A exemplo da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, o “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” não tem recursos para custear a participação de ativistas nem viabilizar as despesas das delegações estaduais. Contudo, a diferença do encontro em Goiânia é a limitação de participantes, em razão do formato do evento: encontro com apresentação de temas e debates de interesses das mulheres negras.

 

Temas em debate – Ao longo da 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”, as ativistas destacaram a autonomia do movimento de mulheres negras, o impacto positivo da Marcha das Mulheres Negras de 2015 e a interlocução com outros agentes, setores e temáticas persistentes e emergentes, tais como: diversidade das mulheres negras (faveladas, atingidas por barragem); juventudes; relação intergeracional; homens negros; feminismos; partidos políticos; eleições; LGBT; questões políticas, econômicas, sociais, culturais e ambientais; geopolítica; autocuidado; comunicação política; segurança na internet; segurança alimentar e nutricional; letalidade de mulheres negras e população negra; encarceramento de mulheres negras. Dentre os assuntos, as militantes concordaram que o racismo e o sexismo são questões comuns a todas as mulheres negras, reafirmando o compromisso de enfrentamento e eliminação por meio de mudanças estruturais do Brasil como um dos vetores do encontro nacional.

Em breve, será divulgado o relatório da 1ª Reunião Preparatória do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil” para todos os estados.

Confira: Relatório do Fórum Permanente de Mulheres Negras, que deliberou pela realização do “Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 Anos: contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil”.

 

Redação: Bel Clavelin, jornalista. Revisão: Naiara Leite e Ivana Leal.


Odara e organizações parceiras encerram atividades do ano do Programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar



Publicado em: 20 de dez de 2017

 

Veridiana Machado, psicóloga parceira do programa, fala sobre a importância do cuidado psicológico que dimensione o racismo em nossas vidas.

Texto e fotos: Alane Reis

 

Na manhã do último domingo (17) a equipe do Instituto Odara esteve reunida com as organizações parceiras e com as mulheres que integram o programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, moradoras dos bairros do Uruguai, Nordeste de Amaralina, Cabula e Subúrbio Ferroviário de Salvador, bairros atendidos pelo programa. O encontro aconteceu na sede do Centro Cultural Alagados, no Uruguai, e teve como objetivo avaliar as ações de 2017 e pensar as perspectivas para 2018.

A atividade começou com um café da manhã, seguido por apresentação do coral de Mulheres de Alagados, composto por mulheres de várias organizações, e mães ou familiares de vítimas do Estado. “Encontrar minhas companheiras dois dias da semana para cantar é esquecer um pouco os problemas, pensar que a vida pode ser bonita, é bonita e é bonita, como diz a música”, conta uma delas. O coral é uma das atividades terapêuticas psicossocial, desenvolvida pelo programa, no bairro do Uruguai, em parceria com o Centro de Arte e Meio Ambiente (Cama).

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Na sequência foi o momento de avaliação das atividades e perspectivas de 2018, com falas das mulheres que integram o programa, e das organizações parceiras, o Cama e Odeart. As mulheres do Cabula apresentaram os produtos das aulas de artesanato e as roupas produzidas nas aulas de costura. Ambos os cursos são realizados também com fins de cuidado psicossocial, pelo Minha Mãe Não Dorme, em parceria com o Odeart, no bairro do Cabula.

Janice de Sena, integrante do Odeart, fala sobre a importância das atividades: “A partir do argumento da costura, do artesanato, nós, mulheres, nos encontramos para falar das nossas angustias, das nossas expectativas, dores, traumas. Porque a sociedade brasileira se sustenta pela força e pela dor das mulheres, principalmente de nós, mulheres negras”.

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Coral Mulheres de Alagados

Na fala das mulheres, os depoimentos são de vidas atravessadas pelas violências mais diversas, marcadas pela ação do racismo, o sexismo e o silenciamento, ainda assim, o convívio entre elas é frutífero para alimentar sonhos individuais e coletivos, trazer à tona a necessidade do auto cuidado, e do cuidado com a outra, se fortalecer para a busca por justiça pelas vidas de jovens negros ceifadas pelo Estado ou pela negligência do mesmo.

Algumas mulheres, mesmo depois de perder um, as vezes dois filhos, ainda tem coragem de enfrentar o Estado, sob atuação da polícia, para defender sua família. “Dia desses tive que fazer um escândalo na rua, meu filho e meu neto estavam na moto, a polícia parou eles e queriam levar pro meio do mato e colocar meio quilo de droga em casa um. Eu gritei, chamei atenção da rua toda e por isso não levaram eles presos”. Relatos como este, de abusos e truculência policial fazem parte do cotidiano das periferias de Salvador, e por este motivo, iniciativas autônomas do povo e das comunidades negras, que visam denunciar e combater o racismo institucional são necessárias.

Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra

Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra

“Acreditamos que nós somos a solução dos problemas nas comunidades negras, na cidade de Salvador, no estado da Bahia e em nosso país, basta que os gestores, dirigentes e sociedade em geral acreditem e possibilite que nós mulheres, homens e comunidades negras, promovam a transformação. Para isto é fundamental que nos deixem viver”, Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Odara Instituto da Mulher Negra, durante a avaliação.

A psicóloga e parceira do Instituto Odara, Veridiana Machado, trouxe a provocação: “o que é uma assistência psicossocial para mulheres negras, vítimas de violências determinadas pelo racismo?”, e a partir daí ela falou da importância de pensarmos o cuidado psicológico individual e coletivo. “O Estado não está preocupado nem com a justiça, quanto mais com essa dor, por isso nós precisamos criar espaços efetivos de cura desta dor”.

No encerramento da atividade, Valdecir Nascimento falou como as avaliações apresentadas neste encontro irão orientar as ações do programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, em 2018, e reforçou a importância do cuidado psicológico para todas as mulheres negras, especialmente às que tiveram filhos assassinados pela violência genocida anti negra do Estado brasileiro. “Nós mulheres negras somos a centralidade das nossas famílias, das nossas comunidades, independente de sofrer violência diretamente, precisamos nos cuidar, cuidar do psicológico, para continuar cuidando das nossas e dos nossos”.