PROGRAMA MINHA MÃE NAO DORME ENQUANTO EU NÃO CHEGAR ENCERROU AS ATIVIDADES DO ANO COM CUIDADOS COLETIVOS E DEBATE POLÍTICO



Publicado em: 10 de dez de 2019

Foi um dia de alegrias compartilhado por 75 mulheres, 25 crianças e 4 adolescentes

 

O sábado (7 de dezembro) começou cedo para as mulheres do Odara e demais mulheres do Programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar. Foi dia de juntar-se às outras de nós para o encerramento das atividades dos projetos que compõem o programa com nome de samba, que tem como foco estimular a organização política, o cuidado pessoal e coletivo de mulheres negras afetadas pela violência do Estado a partir do assassinato de um ente querido, em maioria, mães que perderam filhos.

Às 7h da manhã as mulheres começaram a sair de seus bairros: As guerreiras da Nova República partiram do Nordeste de Amaralina, As Cabuleiras vieram do Cabula, e o Coral Mulheres de Alagados saíram do Uruguai. As três regiões que abrigam o Minha Mãe Não Dorme, como chamamos carinhosamente o programa realizado há 4 anos pelo Instituto Odara, em parceria com a Associação Artístico Cultural Odeart e o Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA).

No período da manhã tomamos café da manhã juntas entre risadas e abraços. Em seguida, cada grupo dos três bairros fez avaliações sobre as atividades durante o ano e preparou alguma surpresa de acolhimento e afeto ao grupo todo. O Uruguai preparou uma grande oficina de canto; o Cabula fez um desfile de moda com as peças confeccionadas nas aulas de costuras semanais; o Nordeste trouxe relatos de profunda reflexão política sobre a situação de exploração e violências que envolve as mulheres negras no dia a dia, nas ruas, dentro de casa. Elas, as Guerreiras da Nova República também prepararam uma deliciosa salada de natal que compartilharam com o grupo todo.

Jeane Oliveira, poetiza, conhecida como Mona Kizola, adolescente que participa junto com a mãe no programa no Nordeste de Amaralina, recitou:

“Eu queria saber o que lhe faz lembrar de mim

O conceito racismo ou a palavra “mimimi”…

A que é massacrada porquê veio da senzala ou a que é negra, mas tem que aceitar ser chamada de mulata…

Nos julgam por ter nascido mulher, mas um homem em nosso lugar não aguentaria um dia de pé

Chega pra experimentar e vê que a sociedade não vai lhe aceitar

Porque vai ter nascido mulher e vai ser considerado um qualquer”

Márcia Nascimento, professora e mobilizadora comunitária que acompanha o projeto desde 2016 no Nordeste, comenta da felicidade de ver o movimento de formação política e empoderamento das mulheres acontecer. “São falas de força e determinação, apesar das diversas violências sofridas. Estamos no caminho certo! As violências que o Estado concretiza com essas mulheres não são mais silenciadas, o combate está sendo feito a todo momento e o Instituto Odara vem realizando e constituindo com elas, outras vivências e possibilidades para o bem viver.

No debate apareceram os inevitáveis temas da violência do Estado e dos homens das suas famílias; o descaso com as comunidades periféricas e a relação de uso que os políticos fazem das pessoas em épocas de campanha eleitoral; elas também falaram sobre representação e participação política, além de trazerem inúmeros depoimentos de como a participação no Programa Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar ajudou a curar sentimentos de solidão, depressão e outros adoecimentos psicológicos.

No período da tarde, após o almoço, foi a hora de se divertir ao som da voz da cantora Matilde Charles, enquanto as crianças brincavam, dançavam e corriam já desda manhã. Benilda Brito, coordenadora do Minha Mãe Não Dorme, comenta: “Reunir três comunidades negras periféricas, da cidade de Salvador, neste ano, que foi tão difícil, com tantos retrocessos na luta por direitos humanos, não é uma tarefa fácil. É uma tarefa que só mulheres negras ousadas na intenção de refazer sonhos e esperanças poderíamos fazer. Só poderíamos ser todas negras, como somos. Tínhamos que entender da mesma dor, como entendemos. E garantir um misto de denúncia, afeto e cumplicidade”.

Como dizem na Bahia: Ficou pequeno a casa e o dia, pra tanta alegria.


SEM DEFENDER AS VIDAS NEGRAS NÃO PODE SER DIREITOS HUMANOS



Publicado em: 10 de dez de 2019

 

57.341 pessoas foram assassinadas e tiveram suas mortes registradas no Brasil em 2018, segundo o Atlas da Violência. Entre as vítimas, 77% eram negras.

Há uma banalização generalizada do genocídio da população negra por parte do Estado e uma naturalização por parte dos setores de Direitos Humanos em geral, expressa no lamento sem ação política.

As pessoas negras são as que mais morrem da polícia, da milícia, do tráfico, do feminicídio, dos crimes de ódio lgbtfóbicos.

Os movimentos negros encampam há pelo menos 50 anos as ações políticas em defesa da vida no Brasil, mas essa agenda precisa ser prioridade dos movimentos de direitos humanos em geral, com as devidas abordagens de raça, gênero, orientação sexual, regionalidade.

Sem defender as vidas negras não pode ser Direitos Humanos!

#10deDezembro #DiaInternacionalDosDireitosHumanos #VidasNegrasImportam #CriancasNegras #JuventudeNegra #VidasNegras #VidasNasFavelasImportam #BlackLivesMatter #BlackLives #MulherNegra #MulheresNegras #PelaVidaDasMulheresNegras #BlackWomen #BlackWoman


Organizações da sociedade civil e OAB denunciam violência racial e de gênero no sistema prisional cearense a órgãos de direitos humanos da ONU



Publicado em: 21 de nov de 2019

Um conjunto de movimentos e organizações da sociedade civil regionais e nacionais* e a Ordem dos Advogados do Brasil apresentaram um relatório de sistematização de violações de Direitos Humanos no sistema penitenciário do Ceará no dia 20 de novembro que celebra o Dia Nacional da Consciência Negra, nas proximidades do Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher e dentro da chamada Década Internacional dos Afrodescendentes da ONU (2015 – 2024) para denunciar como a violência do sistema prisional tem repercutido sobre a população jovem negra e feminina do Estado.

O escopo do relatório é apresentar o atual cenário do Sistema Penitenciário do estado do Ceará, que notadamente atinge com grande abrangência a população jovem negra e com uma forte intensidade a população negra feminina encarcerada e familiares de presos e egressos. A implementação de questionáveis procedimentos de segurança e disciplinares adotados no ano de 2019 pela recém criada Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (SAP), estão distribuídas em sete dimensões fundamentais para a compreensão da gravidade e da extensão destas violações: i) perfil dos encarcerados cearenses e sobrerepresentação de afrodescendentes; ii)superlotação, condições estruturais e de assistência material a configurarem situação de tortura estrutural; iii) instituição de procedimentos disciplinares ilegais e que, de per si, representam práticas de tortura e de tratamento cruel, desumano e degradante; iv) falhas do controle externo por parte do Poder Judiciário e do Ministério Pùblico da execução penal no Estado; v) violação do direito à saúde no Sistema de Privação de Liberdade do Ceará vi) violações de direitos contra mulheres encarceradas e contra familiares de presos e egressos vii) ausência de transparência e criminalização de familiares, da advocacia criminal e de organizações de controle da sociedade civil.

A negação do Estado diante das inúmeras violações para com os direitos humanos da população negra dá continuidade a séculos de violências quando essas pessoas foram sequestradas do continente africano e passaram a ser considerados objeto, mercadoria e moeda, em que era tido como natural a prática das prisões em massa e torturas.

O Governo Estadual denomina esse conjunto de restrições e violências de DOUTRINA DO CONTATO ZERO, em que são adotadas diversos procedimentos a fim de evitar ou restringir o contato do preso com pessoas não encarceradas, sejam elas familiares, representantes da sociedade civil ou profissionais da administração penitenciária e disciplinar os presos pela humilhação, aniquilamento da subjetividade e torturas físicas e psicológicas.

O relatório também enfatiza o fato de que 94% das mulheres encarceradas no Ceará são negras que ocupam a única unidade feminina do Estado, em que se verificou uma superlotação insustentável para a gestão prisional de 393% a gerar imensas situações de violações de direitos humanos. Vale ressaltar que a unidade está passando por uma obra que visa expandir a capacidade, o triplicando o número de vagas do Instituto Penal Feminino o que consolidaria a situação de superlotação, calor e umidade configurando uma situação de tortura estrutural. Além disso, são negras as mulheres que convivem com o cárcere, visitando e garantindo a subsistências de seus familiares e vivenciam cotidianamente estigmatições, violências, criminalizações e ameaças.

Diante desse cenário, as organizações subscritoras solicitam que o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o Subcomitê de Prevenção à Tortura, o Comitê sobre a Eliminação da Discriminação Racial, o Comitê sobre Eliminação de todas as formas de Discriminação contra Mulheres reconheçam o cenário de grave violações de Direitos Humanos e realize visita in loco no sistema penitenciário cearense.

 

*Coordenação de Acompanhamento do Sistema Carcerário do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional Ceará, Movimento Negro Unificado (MNU), Uneafro Brasil, Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), Pastoral Carcerária Nacional, Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP), Justiça Global, Plataforma DHESCA, Rede Nacional de Feministas Antiproibicionista (RENFA), Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (Renila), Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), Articulação de Mulheres Brasileira (AMB)


MONITORAMENTO AGOSTO



Publicado em: 20 de nov de 2019

O monitoramento da mídia é uma iniciativa do Programa de Comunicação do Odara Instituto da Mulher Negra considerando que o monitoramento é uma ferramenta importante para analisar como os jornais vêm tratando temas importantes e decisivos para a sociedade baiana e brasileira.

Nesse sentido, foi analisado o jornal A tarde fizeram muitos debates sobre o governo atual, incêndios na Amazônia, nepotismo, educação e a reesistencia indígena.

Click no link e leia o boletim completo!

http://Monitoramento da Mídia Agosto

 


CONSCIÊNCIA NEGRA – O que a sociedade pensa | O que nós pensamos



Publicado em: 20 de nov de 2019

Já falam por aí que o 20 de novembro virou o dia da “Paciência Negra”. Entre os dois lados dos memes de humor negro #SemTempoIrmão pra #Branquice materializada em Culpa Branca ou falsa solidariedade, nós convidamos a pensar:

Se por um lado o movimento negro sempre lutou com bandeiras como visibilidade e representatividade negra, é uma vitória que todos os setores da sociedade se mobilizem para darem opiniões sobre o racismo, nem que seja com essas homenagens bregas e mal feitas que brotam dos marketing de multinacionais aos RHs de pequenas empresas.

Por outro lado, tem um monte de nós que já pegou a visão de o capitalismo esvazia a importância histórica desta data; que pequenas homenagens, citações, imagens que ressaltam a igualdade a partir da equiparação visual e discursiva entre negros e brancos, não ajudam na luta contra o racismo, não param a necropolítica, não nos tira dos lugares de pobreza e discriminação.

#NãoPassePanoProRacismo #ConscieênciaNegra #20deNovembro #AhBrancoDáUmTempo


NINGUÉM MAIS VAI CALAR O GRITO POR LIBERDADE – Manifesto da Mídia Negra Brasileira



Publicado em: 20 de nov de 2019

NINGUÉM MAIS VAI CALAR O GRITO POR LIBERDADE

Manifesto da Mídia Negra Brasileira

 

Nós, veículos e coletivos de Mídias Negras organizadxs em todo território nacional, que estivemos reunidxs entre os dias 10 e 13 de outubro de 2019 – no Seminário Genocídios Contemporâneos, Reagir é Preciso[1] (em Belo Horizonte – MG), e que nos agregamos a esta articulação política a partir de então, viemos por meio desta carta-manifesto informar:

A mídia negra brasileira está unida em defesa da vida da população negra e pela reforma do sistema político no Brasil.

Somos cientes de nosso legado herdado da imprensa negra – prática comunicacional e jornalística iniciada oficialmente em 1833, no Rio de Janeiro – com o jornal O Homem de Cor, mas que tem suas raízes de organização política ainda antes: Na Salvador (BA) colonial e escravocrata de 1798, com os Manuscritos da Revolta dos Búzios, pregados nas paredes da cidade e soando gritos de liberdade que ecoaram dos campos de concentração-senzalas aos salões nobres da sociedade. Com destaque para experiências longínquas, como a do Jornal O Exemplo, no Rio Grande do Sul – que existiu entre os anos de 1892 a 1930, e o jornal Irohín, produzido em Brasília, com distribuição nacional – de 1996 a 2009.

Desde então, os povos negros do Brasil, reconhecidamente através da imensa pluralidade do que convencionamos a chamar de Movimentos Negros, sempre usamos as tecnologias de comunicação para denunciar o racismo, reportar direitos, mobilizar nossos pares e propor narrativas de liberdade.

O nosso acesso, mesmo que seletivo, aos meios de produção, ontem e hoje, sempre foi sob a missão de subverter a ordem racista hegemônica. Somos nós xs precursorxs, teoria e prática da Democratização da Comunicação no Brasil.

Hoje somos ainda mais diversxs nos formatos, linguagens, políticas editoriais e territórios de atuação. Ainda assim, nos alinhamos nos princípios de:

– Garantir o Direito à Comunicação da maior parte da população brasileira, composta em 54% de autodeclaradxs negrxs.

– Produzir narrativas alternativas, ou de enfrentamento direto, as lógicas racistas e sexistas da mídia hegemônica brasileira.

– Fazer frente às diversas formas de Genocídio da População Negra, com discursos em defesa das #VidasNegras – banalizadas e descartadas pelas estruturas do Estado e da sociedade, sob legitimidade da mídia hegemônica.

– Reverberar narrativas de felicidade e bem viver protagonizadas por pessoas negras, bem como, priorizar o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida em nossas políticas editoriais, e em nossas atuações políticas-profissionais;

– Refletir e questionar todas as lógicas opressoras de poder na sociedade que agregadas ao racismo potencializam nossas vulnerabilidades, tais como o sexismo, a cisheteronormatividade, desigualdade de classe e as geopolíticas de poder.

Assim, reafirmando a liberdade e autonomia das nossas entidades, nos comprometemos em atuar em conjunto com os movimentos sociais organizados, especialmente com os movimentos negros, em sua pluralidade, na luta por uma sociedade livre das violências coloniais que fundam este país. Para tal, reafirmamos a importância das práticas coletivas e em solidariedade entre nós, mídias negras, a fim de que nossos discursos reverberem ainda com mais força,  pela perpetuação e sustentabilidade de nossas iniciativas.

Em tempo, clamamos a sociedade brasileira a estar atenta a ordem de desinformação e manipulação da informação vigente em nosso país, ao constante ataque aos defensores de direitos humanos e a importância de acompanhar e incentivar veículos de comunicação negros comprometidos com a promoção dos direitos e a defesa da democracia.

 

Ninguém mais vai calar o grito de liberdade!

 

OBS: Veículos, coletivos, canais e iniciativas em geral de mídias negras que queiram assinar o manifesto, enviar e-mail para: midiasnegrasbrasil@gmail.com – a versão atualizada de assinantes está concentrada no site do FOPIR.

 

Alma Preta – Agência de Jornalismo

Associação de Produtores do Audiovisual Negro – APAN

Bahia 1798 – Rede de Mídia Livre

Blog Gorda&Sapatão

Blog Negro Nicolau

Blogueiras Negras – Portal

Canal Corpo Político – Ana Paula Rosário

Canal Ela Preta Afronta – Milly Costa

Canal Sapas Gordas – Milly Costa

Canal Sapatão Amiga – Ana Claudina

CMA HIP-HOP, Comunicação, Militância e Atitude Hip-Hop

Coletivo Papo Reto

Coletivo Terra Firme

Comissão de Jornalistas Pela Igualdade Racial / SJPMRJ – Cojira Rio

Cooperativa de Literatura Marginal

Conexão Malunga

Instituto Búzios

Instituto Mídia Étnica / Correio Nagô

Nação Z

Notícia Preta – Portal

Núcleo de Jornalistas Afro-brasileiros do Simdjors ( Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS)

Portal BlackFem

Programa Evolução Hip-Hop

Programa Me Despache – Luciane Reis

Projeto Afro

QuilomboNews

Raízes TV

Revista Afirmativa – Coletivo de Mídia Negra

Revista Quilombo

Site Mundo Negro

TV Raça

[1] Organizado pelo Fórum Permanente de Igualdade Racial (FOPIR).


Violação dos direitos humanos das mulheres negras brasileiras é denunciado no Parlamento Europeu



Publicado em: 07 de nov de 2019

 

De 04 a 08 de novembro a representante da Articulação de Organizações de Mulheres Negras (AMNB), do Fórum Permanente pela Igualdade Racial (FOPIR) e do Instituto Odara, Valdecir Nascimento, está participando de debates e diálogos para denunciar a situação conjuntural e política do Brasil, em Bruxelas. A ativista tem participando de debates e reuniões para visibilizar os impactos do racismo e da violação de direitos das mulheres negras.

Na mesa de debate sobre “Desconstrução da Democracia no Brasil” falou das perdas de direitos, do agravamento da violência contra a população negra, sobretudo, para as mulheres negras. Também denunciou a histórica exclusão dxs negrxs do projeto democrático no país.

Durante sua estadia em Bruxelas, Valdecir Nascimento , integrou a comissão do Parlamento Europeu denunciando as violações e crimes do governo Jair Bolsonaro. Na ocasião, pontuou debates importantes sobre o acordo da União Europeia com o MercoSul e a situação das mulheres negras no Brasil, bem como, reforçou denuncia sobre o crime ambiental que contaminou o litoral da região Nordeste do país, afetando diretamente os povos e comunidades tradicionais.

A agenda de incidência também contou com visitas organizadas pela Heinrich Böll Stiftung as Missões dos Direitos, Democracia e Governança da União Europeia e ao Comitê Internacional de Relações da América Latina em Bruxelas.

A agenda está sendo coordenada pelos escritórios da Fundação Heinrich Böll Stiftung na Europa e tem como objetivo fortalecer as conexões entre as defensoras de direitos humanos do Brasil, o parlamento europeu e as organizações de fomento na Europa. A imersão e agendas seguem até o dia 08 de novembro. 🇧🇷

 


Boletim Especial Julho das Pretas 2019



Publicado em: 30 de out de 2019

A REDE DE MULHERES NEGRAS DO NORDESTE ANUNCIOU – e o Julho das Pretas 2019 foi Mulheres Negras por um Nordeste Livre

Foram ao todo 46 atividades organizadas em parceria com a Rede Nordeste

A 7ª edição do Julho das Pretas teve como tema “Mulheres Negras Por Um Nordeste Livre”. A chamada foi proposta pela Rede de Mulheres Negras do Nordeste e acolhida por centenas de organizações, coletivos e ativistas da região, demarcando a resistência histórica das mulheres negras da nossa região nas lutas por liberdade, igualdade e pela democracia. Somos o grupo humano brasileiro que mais disse não ao fascismo nas urnas em 2018. Somos a mão de obra que move o motor do desenvolvimento no Brasil. Somos a contribuição política intelectual que pensa e constrói a sociedade brasileira em toda sua história, e ainda assim somos constantemente apagadas, silenciadas, violadas, e por isso este ano toda região Nordeste grita por liberdade.

Construímos os caminhos de liberdade contra o racismo, o sexismo, a violência policial, o feminicídio, o encarceramento em massa e as diversas formas de terrorismo do Estado.

“O Julho das Pretas é especial. Para nós, do movimento de mulheres negras, se tornou um marco de luta muito mais importante que o 8 de março. Estamos imersas em atividades todo o mês e tratamos de uma forma muito comprometida e sensível sobre o nosso ser e o nosso fazer enquanto mulheres negras”, declarou Sônia Terra, do Ayabás Instituto da Mulher Negra do Piauí, organização que compõem a coordenação da Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

Clique no link e veja o boletim completo!

Boletim Especial Julho das Pretas 2019


BOLETIM ODARA / FEVEREIRO



Publicado em: 01 de out de 2019

Cerca de 20 mulheres do movimento de mulheres negras de Salvador reuniram-se no fim de tarde, do dia 09 de outubro, uma terça-feira, na sede do Odara- Instituto da Mulher Negra, para ouvir e compartilhar experiências de vida com a ativista negra, pesquisadora e professora universitária Patrícia Hill Collins. O encontro foi agradável e emocionante com diversas trocas de experiências e a discussão sobre a resistência das mulheres no Brasil e nos Estados Unidos, frente à violência do racismo, do sexismo, e a nova onda de fascismo no mundo. Muitas mulheres foram pegas de surpresa com a presença de Collins, pois a reunião que estava marcada foi de construção do Encontro Estadual de Mulheres Negras da Bahia, rumo ao Encontro Nacional de Mulheres Negras + 30, contra o racismo, a violência e pelo Bem-viver.

Click no link!

Boletim Odara/Fevereiro


BOLETIM ODARA / MARÇO



Publicado em: 01 de out de 2019

Os últimos quatro anos são marcados por um período de amplos retrocessos, violação e perdas de direitos, violência, e reafirmação de uma política de morte, especialmente, para a população negra e indígena. São tempos de reafirmação dos movimentos sociais, que temos, entre as lutas diárias, a tarefa de defender nossas vidas, existência, nosso direito à fala, expressão e, principalmente, de fortalecer a luta antirracista e defender o projeto político de nação que esteja centrado na garantia do bem viver para todas as pessoas.

Este ano o Odara – Instituto da Mulher Negra criou o “Março de Lutas” – uma agenda com o intuito de cruzar as grandes agendas internacionais de luta contra o racismo e o sexismo. O mês de março é internacionalmente conhecido como o mês das mulheres na luta contra o patriarcado, celebrado oficialmente dia 8 de março.

Também no dia 14 de março de 2019 faz um ano que a militante negra e parlamentar Marielle Franco foi executada e o Estado brasileiro ainda não nos apresentou respostas. Neste dia homenageando o nascimento de duas estrelas negras que tiveram grande contribuição para a luta negra brasileira: Carolina Maria de Jesus e Abdias Nascimento. Já no dia 16 de março de 2019 fez 5 anos que a trabalhadora Claúdia Ferreira foi assassinada por PMs do Rio de Janeiro e arrastada do lado de fora da viatura.

É também em março, dia 21, que celebramos o dia internacional de luta pela eliminação da discriminação racial. Ainda no dia 27 de março celebramos o nascimento de outra estrela negra brasileira, Luiza Bairros, que tem inspirado homens e mulheres negras além do seu tempo com seu legado.

O Março de Lutas é mais uma tática de reafirmar a resistência negra nesse país. É a forma de celebrar o legado dos homens e mulheres negras que morreram lutando para consolidação de um projeto político em que a população negra tivesse sua humanidade, cidadania e direitos reconhecidos e assegurados.

Continuaremos em marcha até que todas as Marielles, Claudias, Carolinas, Abdias e Luizas tenham direito à vida e ao bem viver.

Click no link!

BoletimODARA