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Nota em apoio à doutora Maria Inês da Silva Barbosa e em repúdio ao racismo, à censura e ao facismo de Abilio Brunini (PL)

Nós, do Odara – Instituto da Mulher Negra, organização criada por e para mulheres negras, que há mais de uma década atua em defesa dos direitos das mulheres negras, da justiça social e do Bem Viver, manifestamos nosso irrestrito apoio à professora doutora Maria Inês da Silva Barbosa e repudiamos com veemência a atitude do prefeito de Cuiabá e ex-deputado federal, Abilio Brunini (PL-MT), que interrompeu e expulsou a conferencista de sua fala durante a Conferência Municipal de Saúde, realizada nesta quarta-feira, 30 de julho de 2024.

O motivo da expulsão foi o uso de pronomes neutros, uma prática de inclusão e respeito à diversidade de identidades de gênero. Maria Inês, mulher negra retinta, doutora em Saúde Pública e referência histórica na luta pela criação do Sistema Único de Saúde (SUS) – com igualdade de gênero e raça, foi silenciada em um espaço democrático por exercer seu compromisso ético com a justiça e o cuidado integral à população brasileira.

Este episódio trata-se de uma ação racista, misógina e autoritária, que se soma a outros posicionamentos perigosos e desinformativos do prefeito de Cuiabá. Em setembro de 2020, enquanto candidato à prefeitura, Abilio Brunini declarou publicamente que a vacina contra a Covid-19 “não tinha eficácia comprovada”, uma mentira já desmentida por estudos científicos que demonstram que as vacinas salvaram milhões de pessoas. 

Mais recentemente, em 2023, Abílio foi acusado de fazer um gesto associado ao supremacismo branco durante sessão da CPMI dos Atos Golpistas. Esses fatos revelam um padrão de atuação baseado na desinformação, no negacionismo científico e na violência, incompatível com qualquer compromisso verdadeiro com a saúde pública e com a democracia.

O SUS é uma política de Estado, construída pela luta dos movimentos sociais e garantida pela Constituição Federal. O SUS É DE TODES! É das mulheres, dos homens, das pessoas trans, travestis, não binárias. É para os povos de terreiro, para os ribeirinhos, para a população em situação de rua. O SUS é do povo brasileiro, por isso, precisa ser plural, inclusivo e acolhedor, porque nós somos diversos. 

É importante ressaltar que a Conferência Municipal do SUS foi organizada pelo Conselho Municipal de Saúde, um órgão autônomo e independente da Prefeitura de Cuiabá. Diante da tentativa de censura e imposição autoritária, é fundamental que os conselheiros e conselheiras se posicionem publicamente contra a interferência do prefeito e reafirmem a autonomia do Conselho como espaço de controle social e participação popular.

Ao lado de Maria Inês, reafirmamos que não há saúde pública sem enfrentamento ao racismo. Não há SUS sem democracia. E não haverá bem viver possível enquanto nossas vozes forem interrompidas.

Seguiremos em marcha, com todas, todos e todes que constroem a saúde pública como direito e como prática de cuidado com justiça e dignidade.

Salve Maria Inês!
Salve a força das mulheres negras que constroem este país!

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