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5 anos sem justiça por Mirella Barreto (6), morta a tiros pela Polícia Militar da Bahia

A família de Mirella aguarda a abertura do prazo para alegações finais e consequente decisão da juíza Drª Andrea Sarmento Netto sobre o réu  Aldo Santana do Nascimento ir a júri popular

Por Redação Odara

No último dia 17 de março de 2026, completaram-se cinco anos desde que a Polícia Militar  da Bahia interrompeu a vida de Mirella do Carmo Barreto. Aos 6 anos, a criança foi vitimada por uma ação da PM no bairro de São Caetano, em Salvador (BA). O caso, que se arrasta sem desfecho, representa mais uma família destruída pelo genocídio negro e a política de morte que atinge as periferias soteropolitanas.

As investigações confirmaram que o disparo que atingiu Mirella partiu da arma do soldado da PM Aldo Santana do Nascimento. Apesar da materialidade, o sistema de justiça indiciou o agente por homicídio culposo (sem intenção de matar), tipificação que minimiza o impacto da letalidade policial sobre corpos negros. Após um breve afastamento à época do crime, o soldado retornou às atividades na corporação, evidenciando a lógica de proteção que blinda o braço armado do Estado.

A paralisia processual é apontada como uma extensão da violência sofrida pela família. Desde a única audiência de instrução, realizada antes da pandemia de Covid-19, o caso permaneceu estagnado. Após anos de silêncio, o processo registra movimentações apenas em 2026. Atualmente, aguarda-se a abertura do prazo para as alegações finais do Ministério Público e da assistência de acusação. Esta fase precede a decisão judicial que determinará se o réu será submetido ao Tribunal do Júri. A sentença é aguardada como um marco: ou a responsabilização efetiva ou o arquivamento simbólico pelo esquecimento.

Para além das estatísticas, as narrativas familiares preservam a identidade de Mirella: uma criança afetuosa que sonhava em ser fisioterapeuta para cuidar da mãe. Relembrar sua história é um ato de resistência contra um sistema que decide quem tem direito à vida e quem é reduzido a um efeito colateral de operações policiais.

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