Pela 6ª vez, família de Valdir Macário enfrenta novo adiamento do júri

Quase uma década após o assassinato, o caso segue sem julgamento e sem uma resposta definitiva da Justiça Novo júri está previsto para 6 de outubro.
*Por Brenda Gomes | Redação Odara
O julgamento dos acusados pelo assassinato de Valdir Macário foi adiado pela sexta vez nesta quinta-feira (10), em Salvador. A sessão estava prevista para acontecer no Fórum Ruy Barbosa, mas foi suspensa após um pedido da defesa dos réus justificar um impeditivo por motivo de saúde, apresentado pouco antes do início dos trabalhos. O Tribunal do Júri foi remarcado para o dia 6 de outubro.
O novo adiamento acontece a dois meses do assassinato de Valdir completar dez anos. Referência da estética negra em Salvador, o cabeleireiro foi morto em 12 de novembro de 2016, aos 45 anos, enquanto trabalhava em seu salão, na Avenida Vasco da Gama. Patric Ribeiro Tupinambá e Edgar da Silva Santos são acusados pelo Ministério Público da Bahia de participação no assassinato. Desde então, sua família acompanha o processo e espera que os acusados sejam levados a julgamento.
O júri dos acusados já foi marcado e suspenso seis vezes. Os três primeiros adiamentos ocorreram em meio às dificuldades para a transferência de Patric Ribeiro Tupinambá para a Bahia. Preso em Minas Gerais, o acusado precisava ser recambiado ao estado para participar do julgamento.
Em 6 de agosto de 2026, ocorreu o quarto adiamento. Na ocasião, um dos acusados chegou ao Fórum Ruy Barbosa sem advogado, depois que sua defesa deixou o processo. Como os réus respondem conjuntamente, a sessão não pôde ser realizada.
O julgamento foi novamente marcado para 25 de agosto, mas sofreu o quinto adiamento. Desta vez, a defesa de Edgar da Silva Santos solicitou a suspensão porque participaria, na mesma data, de um julgamento de habeas corpus envolvendo réus presos. O júri foi então transferido para 10 de setembro.
Nesta quinta-feira, 10 de setembro, a família chegou novamente ao Fórum Ruy Barbosa para acompanhar o julgamento. Pouco antes do início da sessão, um novo pedido da defesa, desta vez por motivo de saúde, levou ao sexto adiamento.
SEIS ADIAMENTOS DO JÚRI
- 8 de julho de 2025 — 1ª tentativa
- 23 de abril de 2026 — 2ª tentativa
- 10 de junho de 2026 — 3ª tentativa
- 6 de agosto de 2026 — 4ª tentativa
- 25 de agosto de 2026 — 5ª tentativa
- 10 de setembro de 2026 — 6ª tentativa
- 6 de outubro de 2026 — nova data prevista para o julgamento dos acusados.
A cada julgamento marcado, familiares precisam se preparar novamente para enfrentar as circunstâncias do assassinato, reorganizar suas vidas e alimentar a expectativa de que haverá, finalmente, uma resposta da Justiça. Quando a sessão não acontece, a espera recomeça.
“Já é o sexto adiamento. Mesmo após quase dez anos do crime, seguimos vivendo essa espera tão dolorosa e enfrentando a impunidade. Seguimos na esperança de que, um dia, o júri aconteça e que Valdir receba a justiça que merece”, afirma Elen Vitória, sobrinha de Valdir Macário.
A espera também é atravessada por perdas que não podem ser reparadas. O pai e a mãe de Valdir morreram sem acompanhar o desfecho judicial do assassinato do filho. Para os familiares que permanecem acompanhando o processo, os sucessivos adiamentos prolongam a busca por Justiça e produzem novas situações de desgaste e revitimização.
Para Valdecir Nascimento, ativista do movimento de mulheres negras e idealizadora do Instituto Odara, a demora enfrentada pela família de Valdir também precisa ser compreendida a partir do racismo que atravessa o sistema de Justiça brasileiro.
“Se uma família negra quiser justiça neste país, é uma maratona, porque a Justiça é branca, a Justiça é racista. Depois de quase dez anos do assassinato dele, a gente vive um adiamento atrás do outro para que esse julgamento aconteça. Isso, para mim, beira o descaso. Isso tem a ver com racismo institucional. Tem a ver com um racismo que está impregnado nas estruturas do Judiciário do nosso país, que não respeita a população negra, que não respeita as famílias negras”, afirma Valdecir.
Valdir Macário construiu uma trajetória de referência no cuidado e na estética negra em Salvador. Seu salão reunia artistas, ativistas do movimento negro e uma ampla clientela que encontrou em seu trabalho um espaço de cuidado, autoestima e valorização da identidade negra. Após seu assassinato, a família manteve o salão e o legado construído por ele.

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