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Comunidades do Baixo Sul da Bahia recebem a  Caravana da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver

Por Adriane Rocha | Redação Odara

Encontro em Camamu (BA) reuniu lideranças quilombolas e jovens ativistas para fortalecer a mobilização rumo à 2ª Marcha Nacional em Brasília


No último sábado (5), o município de Camamu, na região do  Baixo Sul da Bahia, recebeu a Caravana da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver. Com rodas de conversa, feira de produtos, cantos ancestrais e escutas políticas, a caravana fortaleceu o diálogo entre lideranças, juventude e movimentos locais. O encontro reuniu mais de 100  mulheres quilombolas, de comunidades tradicionais, de beiradas e assentamentos, vindas de municípios como: Nilo Peçanha, Taperoá, Igrapiúna, Ituberá, Maraú, Pedra Rasa, Jatimane, Dandara,  Boa Vista, Barroso, Assentamento Limoeiro, Acaraí, Gandu, Assentamento Manjerona, Tapuias,  Laranjeiras, Sapucaia, Superba, Zumbi, Grapiúna, Jurubeba e Barroso.

A atividade integrou a agenda estadual de mobilizações que articula os territórios para a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que acontecerá no dia 25 de novembro, em Brasília (DF). 

Para Suely Souza, da Rede de Mulheres Negras da Bahia, a Marcha é uma ferramenta estratégica de luta e denúncia. “Nós vamos a Brasília para dizer que esse modelo de sociedade não serve pra nós. A segurança pública nos mata. A pobreza nos alcança porque fomos deixadas para trás pela história oficial. O que estamos reivindicando não é favor: é reparação. O Estado brasileiro nos deve pelo que nossos ancestrais passaram. E estamos indo com consciência, força e ancestralidade.”

Ana Celsa, da Articulação de Mulheres Negras do Baixo Sul, também destacou a importância da mobilização regional. “Foi um momento muito rico. A gente quer sair daqui com pelo menos cinco ônibus para Brasília. Essa caravana é só o começo da nossa caminhada.”

Entre as presenças que marcaram o encontro, esteve Amanda Oliveira, jovem quilombola da comunidade de Olhos da Aguinha, no município de Boninal, Chapada Diamantina, e  ativista do Instituto Odara. Amanda participou de duas caravanas: a da Chapada e, agora, do Baixo Sul e destacou a importância da articulação das juventudes para a Marcha: 

“Fiquei muito feliz com o que vi aqui hoje. A participação da juventude foi muito expressiva. É importante dizer que a Marcha não é um momento isolado, é continuidade. Em 2015, muitas mulheres marcharam e hoje seguem firmes, segurando as organizações e puxando a construção de 2025. E nós, jovens, precisamos assumir essa luta com responsabilidade e coragem”, afirmou.

A jovem  também reforçou o papel das comunidades quilombolas nesse processo: “Nos nossos quilombos, a gente aprende desde cedo que não se luta sozinha. A construção é coletiva. A marcha não pode ser só nas capitais, tem que sair das nossas casas, das rodas na igreja, das escolas, das conversas na feira. É bonito ver o quanto as comunidades estão se engajando. Cada caravana é uma raiz que se espalha. E essa raiz vem da nossa ancestralidade. Se a gente quer um futuro com dignidade, a gente precisa começar agora, puxando mais jovens, mais vizinhas, mais irmãs para essa marcha. Porque é com os pés no chão da comunidade que a gente muda o rumo desse país.”

Hellen Nascimento, do Assentamento Manjerona, localizado no município de Igrapiúna – Baixo Sul da Bahia, também ressaltou a força do encontro em Camamu e se comprometeu na construção coletiva e fortalecimento das estratégias para a mobilização:  “Vamos construir essa marcha que, sem dúvida, será histórica. Eu faço parte dessa construção aqui no Baixo Sul, e sei que cada passo importa. Essa caravana foi mais um passo firme rumo a Brasília.”

CAMINHOS ATÉ BRASÍLIA 

A Caravana é uma estratégia de mobilização territorial que visa escutar, envolver e articular mulheres negras em suas próprias comunidades, fortalecendo suas vozes e demandas. Essa metodologia, que foi fundamental na construção da primeira Marcha Nacional de Mulheres Negras, em 2015, está sendo retomada em 2025 como ferramenta essencial para garantir uma mobilização ampla, popular e profundamente conectada aos territórios.

Além do fortalecimento político e cultural, a Caravana segue preparando as bases para a Marcha Nacional em Brasília, promovendo o protagonismo das mulheres negras quilombolas e tradicionais na luta por Reparação e Bem Viver. 

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