Encontro de organizações baianas apoiadas pela Terre des Hommes no Quilombo Koange, em Cachoeira (BA), pauta a Marcha Global das Mulheres Negras 2025

O Instituto Odara esteve presente e participou do intercâmbio entre juventudes quilombolas e urbanas rumo à Marcha
Por Redação Odara
O Quilombo Kaonge, em Cachoeira (BA), realizou no último sábado (23) uma atividade organizada em parceria com a Terre des Hommes. O encontro reuniu jovens negras quilombolas, ativistas do projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar do Odara – Instituto da Mulher Negra, além de outras organizações e coletivos como a Cipó – Comunicação Interativa e o CRIA- Centro de Referência Integral de Adolescentes em um movimento de fortalecimento para a Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver.
A atividade reuniu jovens negras e quilombolas em um momento de diálogo sobre violências, religiosidades, direito à memória e estratégias para o fortalecimento da luta contra o racismo e as demais repressões. Sophia Ayana, jovem mobilizadora do projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, destacou a importância do encontro para fortalecer a juventude negra:
“No encontro debatemos sobre a Marcha que se aproxima e refletimos, enquanto juventude, sobre as diferentes esferas que nos atingem, além de pensar quem nos deve e de que forma precisamos cobrar do Estado que nos proteja de fato. A união das jovens de Salvador e de Cachoeira me fez perceber o quanto precisamos nos aquilombar cada vez mais e construir estratégias contra o sistema.”
A denúncia sobre o epistemicídio expresso na negação e invisibilidade dos saberes e práticas da população negra também atravessou a discussão e foi apontada como parte do mesmo projeto genocida que insiste em negar humanidade ao povo negro.
“Acredito que um dos nossos principais objetivos foi fortalecer a luta coletiva em defesa da reparação histórica e da construção do Bem Viver. O processo de construção da Marcha das Mulheres Negras evidenciou essa necessidade”, destacou Sheila Araújo, técnica do projeto Minha Mãe Não Dorme.
Representando, Terre des Hommes, Júlia Garcia reforçou que a preparação para a Marcha das Mulheres Negras exige organização e continuidade. “A gente viu a potência dessa ação coletiva enraizada nos territórios, a importância da escuta qualificada às juventudes e a necessidade de manter um processo de mobilização vivo, pulsante e contínuo até a marcha”, afirmou.
Ela ainda destacou a necessidade de sistematizar as contribuições do encontro e de estimular ações locais que fortaleçam os territórios. “O encontro possibilitou o fortalecimento da solidariedade entre as organizações parceiras, criando um espaço fértil para refletir sobre a participação na marcha e para multiplicar o debate sobre reparação e Bem Viver nos diferentes territórios.”.
A preparação para a Marcha esteve no centro das falas e foi apontada como uma oportunidade histórica para ampliar e aprofundar as pautas do movimento de mulheres negras. O encontro também destacou o legado da Marcha de 2015 e a urgência de fortalecer a organização de comitês, delegações e ações locais em quilombos e comunidades negras urbanas.
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