Aula inaugural do Curso Profissionalizante Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar reuniu mais de 80 mulheres na última sexta-feira (29)

A atividade aconteceu no Centro Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (Cepaia), no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador – BA

Redação Odara

Durante a manhã da última sexta-feira (29), mais de 80 mulheres que integram o projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar se reuniram no Centro Estudos dos Povos Afro-Índio-Americanos (Cepaia) para a aula inaugural do curso profissionalizante de culinária oferecido pelo Odara – Instituto da Mulher Negra com apoio da L’Oréal Brasil, por meio do Fundo L’Oréal para Mulheres.

Participaram do encontro, a equipe responsável pelo projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, mobilizadoras e integrantes do projeto nas três comunidades alcançadas (Cabula, Nordeste de Amaralina e Uruguai), ativistas do Instituto Odara, representantes do Senac, da L’Oréal Brasil e o do Cepaia.

Salão principal do Cepaia ocupado pelas mulheres. (Foto: Jamile Novaes)

A atividade iniciou com a fala de Hildete Emanuele, coordenadora do Minha Mãe Não Dorme, que passou as instruções iniciais sobre o curso e se disse emocionada em “ver o salão repleto de mulheres cheias de força, energia, beleza e sonhos”. Hildete ressaltou ainda que o curso é a realização de um sonho coletivo por autonomia e emancipação de todas as mulheres presentes.

Durante a sua fala, Naiara Leite, coordenadora executiva do Instituto Odara, lembrou que a ideia de realizar qualificação profissional para mulheres mães e familiares vítimas da violência foi provocada por dona Marina, que perdeu o neto Natanael, de 14 anos, no episódio que ficou internacionalmente conhecido como Chacina do Cabula, em 2015. 

“Construir processos de autonomia para mulheres negras é garantir renda. Se a gente não tem salário, não tem emprego, não temos condição de olhar para os nossos filhos e para nossas companheiras e dizer que existem outras possibilidades”, salientou Naiara.

Mesa de abertura. Da esquerda para a direita estão: Ana Sueli, Laurinete Lopes, Selma Andrade, Edvalda de Deus e Naiara Leite. Na tela, representantes da L’Oréal Brasil participam por chamada de vídeo. (Foto: Jamile Novaes).

Para ela, o curso é o primeiro passo para a construção da autonomia das mulheres do projeto e precisa ser, futuramente ampliado, para atender às necessidades e interesses profissionais do grupo. “A ideia da gente ter possibilidades é o que vai permitir que a gente não aceite qualquer emprego vulnerabilizado oferecido às mulheres negras”, completou Naiara.

Euclides Santos, diretor do Cepaia, afirmou:  “Para nós, é uma alegria muito grande receber o Odara, com quem já temos uma parceria de longa data, ainda mais com esse projeto tão poético. Nós que somos negros, de famílias de trabalhadores, sabemos muito bem da preocupação que nossas mães sentem até voltarmos para casa”. Ele também afirmou que o espaço se encontra aberto para receber eventos de organizações que dialoguem com os temas discutidos pelo Cepaia.

Laurinete Lopes, responsável pelo relacionamento de mercado do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), deu as boas vindas às alunas do curso e agradeceu ao Minha Mãe Não Dorme pela confiança e parceria. Também representando o Senac, Quelen Costa, da equipe de Coordenação de Educação Profissional da unidade Aquidabã, falou sobre a expectativa de, através do curso, promover sustentabilidade e oportunidades de emprego e realização de sonhos para as alunas. “A gente deseja consolidar a realização dos sonhos dessas mulheres e apresentá-las às possibilidades que a gastronomia pode ofertar”, afirmou Quelen.

Integrantes do projeto assistem à aula inaugural. (Foto: Jamile Novaes)

Ana Sueli, integrante do Minha Mãe Não Dorme no bairro do Uruguai, agradeceu ao Odara, à Loreal Brasil e ao Senac por investir numa formação profissional e apontou a importância de adquirir conhecimento e conquistar a independência através do curso: “Isso é muito importante para nós. Durante a pandemia tivemos que aprender muita coisa nova para sobreviver. As coisas mudam e na gastronomia não é diferente. Nossa expectativa é aprender, crescer e ter independência, porque a violência nos pega pela dependência”, disse Sueli.

Representando o núcleo do Minha Mãe Não Dorme no Cabula, Selma Andrade compartilhou a sua experiência pessoal para dizer o que essa formação representa em sua vida: “Eu sou mãe de duas filhas e, por não ter apoio com a maternidade, precisei abrir mão da minha vida profissional e me jogar na informalidade. Para mim, esse curso vem como um presente”. Ela também incentivou as mulheres a serem agentes multiplicadoras dos conhecimentos adquiridos durante o curso.

Integrantes do projeto assistem à aula inaugural. (Foto: Jamile Novaes)

Edvalda de Deus, integrante do núcleo do Minha Mãe Não Dorme no Nordeste de Amaralina, contou que sempre gostou de cozinhar, recebeu elogios sobre a sua comida e até iniciou a venda de refeições durante a pandemia, mas que só se sentiu realmente motivada e entendeu a potência do ato de cozinhar quando foi escolhida para preparar os alimentos dos Orixás no terreiro onde é iniciada. Ela falou ainda que o curso chega na sua vida em um momento muito oportuno e que será essencial para consolidar o empreendimento tão sonhado por ela e por suas companheiras do grupo Mulheres em Luta: “Esse curso vai fazer com que as Mulheres em Luta tirem o projeto da cooperativa do papel e levem para a comunidade, tanto para ter autonomia financeira, quanto para promover ações sociais”, explicou.

O Curso Profissionalizante Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar terá duração de 2 meses e meio, com carga horária total de 80 horas. As 80 mulheres serão divididas em 4 turmas que terão aulas na unidade do Senac do Aquidabã, em Salvador (BA). Cada uma delas receberá um cartão de transporte, recarregado mensalmente, para comparecer às aulas. A formatura do curso será realizada em julho, como parte da programação do Julho das Pretas do Instituto Odara.

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