Creche atingida por balas no Nordeste de Amaralina: Onde as crianças negras estão seguras?

Nesta segunda-feira (15) o bairro do Nordeste de Amaralina, em Salvador (Ba), foi palco, mais uma vez, da violência do Estado e do racismo estrutural que atinge pessoas negras desde muito cedo.

Crianças dos 2 aos 5 anos, estudantes da Creche Dália Menezes, tiveram que se jogar no chão para se proteger de um tiroteio. Após o ocorrido as aulas foram suspensas por tempo indeterminado.

Qual garantia de segurança o Estado oferece para as crianças periféricas? Onde as mães negras podem encontrar tranquilidade para criar suas crianças?

As comunidades periféricas são alvo da mão armada do Estado desde sempre. A Polícia Militar segue cumprindo o papel para o qual  foi pensada: exterminar corpos pretos. Por isso fica claro o porquê de tiroteios acontecerem próximos a Creches e Escolas de bairros de periferias, mas nunca próximo a Creches e Escolas das classes médias e alta.

A retomada das aulas presenciais trouxe de volta um cenário preocupante: casos de violência nas unidades de ensino e em seus arredores. Somente este ano, viralizaram nas redes sociais vídeos de brigas em escolas nos mais diversos bairros de Salvador, tiroteios e negligencia com vidas negras. Além disso, foram registradas ocorrências de ameaças que assustaram toda comunidade escolar, esse cenário tem sido uma constante nesse retorno das aulas, sensação de insegurança e impunidade povoam o imaginário dessas comunidades.

Como proteger nossas crianças negras? Que desde muito cedo são expostas a violência, são desumanizadas, marginalizadas e têm seus sonhos massacrados por um Estado que não as inclui ao pensar políticas? 

São muitas perguntas que seguem nos tirando a paz e o sono. O que esperamos é que as crianças negras possam vivenciar experiências comuns de infância sem que corram risco de morte, que mães negras possam deixar seus filhos na Creche sem se preocupar que as supostas balas perdidas atiradas pelo racismo, achem os corpos pretos de suas crianças.

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