MANIFESTO: Os desafios para enfrentar a pandemia da Covid-19 ainda seguem firmes

A Campanha Justiça e Solidariedade para os Grupos Vulneráveis à Covid-19 na Bahia, lançada em abril de 2020, segue cobrando dos gestores estaduais e municipais: testagem e vacinação em massa, radicalização dos decretos de fechamento dos estabelecimentos comerciais e públicos, e garantia de renda mínima para a população.

A Campanha, no primeiro ano, atingiu aproximadamente 5 mil famílias com destaque para: mães e familiares de jovens negros vítimas da violência do Estado; catadores e catadoras de materiais recicláveis; marisqueiras e pescadores; trabalhadoras domésticas; comunidade de terreiros; agricultores e agricultoras familiar; trabalhadores e trabalhadoras dos empreendimentos solidários da costura e da alimentação. 

Neste ano fomos surpreendidos com o agravamento da crise sanitária e política, e com a ausência de estratégias de enfrentamento à pandemia por parte do governo federal. Os impactos são inúmeros: aumento do desemprego, da fome e dos óbitos, chegando a número superior a trezentas mil mortos  no país. A cada 24h são registradas mais de 3.000 pessoas mortas no Brasil. 

Os impactos da pandemia e os públicos atendidos pela Campanha

Os dados são emblemáticos e requerem atenção para sua análise, principalmente em relação aos grupos que estão em situação mais vulnerável, como é o caso  das mulheres negras; com destaque às trabalhadoras domésticas, categoria formada em 62,5% por mulheres negras (DIEESE), que desde o início da pandemia vem sendo diretamente afetadas em relação aos direitos trabalhistas, à saúde e ao acesso aos recursos. 

As mulheres negras e o trabalho doméstico já foram pauta na agenda pública brasileira no contexto da pandemia algumas vezes, com destaque:  A morte de Cleonice Gonçalves, a primeira vítima letal da Covid-19 no Brasil, em março de 2020; O decreto do governador do do Pará, Helder Barbalho (MDB), em maio de 2020, que declarava o trabalho doméstico como atividade essencial no estado foi outro momento emblemático para demarcar a cultura racista e sexista do país. 

Os dados referentes à raça/cor das pessoas mortas no Brasil até o momento não foram revelados pelos órgãos institucionais, mas pelo histórico de desigualdade estruturais centradas no Brasil não nos restam dúvidas de que as populações negras têm sido radicalmente impactadas. Segundo o Pnad, no mês de janeiro de 2021 , 12,8% dos brasileiros passaram a viver com menos de R$246,00 ao mês, R$8,20 ao dia, considerado linha da pobreza extrema, calculada pela FGV. O Auxílio Emergencial de R$250,00 que começaram a ser pagos no início de abril não são suficientes para cobrir as necessidades básicas dos beneficiários em nenhuma das 27 unidades da federação, seja no campo ou na cidade. Estas reflexões, no entanto, não têm servido para priorizar a população negra e outros grupos vulneráveis, no sistema de vacinação contra o coronavírus no país. De acordo com matéria publicada pela Agência Pública, em março deste ano, o número de pessoas brancas vacinadas no Brasil é duas vezes maior que o número de negros vacinados.  O levantamento exclusivo feito pela Pública analisou dados de 8,5 milhões de pessoas que receberam a primeira dose da vacina.

É fundamental que irmanad@s juntemos todas as energias na luta pela vacinação de todes e pela garantia e proteção dos trabalhadores e trabalhadoras que continuam arriscando suas vidas no combate da pandemia. Exigimos  equidade com justiça social como requisito para o tão esperado controle da pandemia.

Recentemente, no mês de março, a Bahia registrou 100% de ocupação dos leitos de UTI e quadruplicou os índices de contaminação. O Brasil segue se destacando no número de mortos em relação ao cenário mundial. Enfrentando todas as resistências na aquisição e liberação dos lotes de vacinas, os segmentos insistem no negacionismo e os Institutos de Estudos e Pesquisas seguem sucateados e sem respostas efetivas para a população.

Sabe aquele ditado “Boa romaria faz quem em sua casa está em paz”, pois, seguem cada vez mais aterrorizantes, ruas desertas, pessoas amedrontadas, vê uma pessoa sem máscara na rua é uma ofensa. A permanência em casa para algumas mulheres e meninas vítimas de violências domésticas ficou ainda mais perigosa. Estas ficaram mais expostas aos seus algozes, e o número de feminicídio aumentou. A violência do Estado contra a população negra nem se fala. Esta também tem se agravado bastante.

A grande estratégia de enfrentamento a este caos é caminhar de mãos dadas.”A superação desta crise depende de atitudes solidárias, pois juntos somos mais fortes.

Comer é um ato político e responsabilidade do Estado!

“VAMOS PRECISAR DE TODO MUNDO”

PELAS VIDAS NEGRAS.

DOE! Faça parte dessa Campanha!

PARA DOAÇÕES:

Banco Bradesco

Agência: 3602

Conta corrente: 0059343-5Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA)

CNPJ: 01.704.986/0001-43

Banco do Brasil

Agência: 2957-2

Conta corrente: 981699-2

Odara – Instituto da Mulher Negra

CNPJ: 17.589.472/0001-24

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