Mulher é assassinada a tiros pelo ex-companheiro na Chapada do Rio Vermelho, em Salvador (BA)

O crime aconteceu na manhã da última quinta-feira (21); A mulher deixa uma filha de apenas 9 anos

Redação Odara

Mais um caso de feminicídio chocou a população de Salvador, dessa vez, no bairro Chapada do Rio Vermelho, no Grande Nordeste de Amaralina. Uma mulher de 25 anos, que ainda não teve a identidade revelada, logo após levar sua única filha de 9 anos à escola, voltou pra casa e foi assassinada a tiros pelo ex companheiro, que em seguida cometeu suicídio. O homem também não teve o nome revelado.

O caso aconteceu na manhã da última quinta-feira (21). A polícia foi chamada por um vizinho que ouviu o som dos disparos, mas quando chegou ao local já encontrou os dois sem vida dentro da casa. 

Infelizmente, os casos de feminicídio se tornam cada dia mais comuns na Bahia. Uma pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança revelou que, em 2021, uma mulher foi vítima de violência a cada 2 dias no estado e 121 mulheres foram assassinadas ao longo do ano, 66 delas foram vítimas de feminicídio. O risco é ainda maior para mulheres negras. O Atlas da Violência 2020 mostra que mulheres negras têm três vezes mais chances de serem mortas na Bahia: em 2019, 92% das mulheres vítimas de homicídio eram negras.

Os casos em crescentes no estado acendem mais uma discussão importante e urgente: como ficam as órfãs e órfãos dos crimes de feminicídio? Essas crianças e adolescentes sofrem uma consequência direta da violência contra mulher, onde suas vidas são completamente mudadas e atravessadas pelo trauma da perda de suas mães, tias, avós ou mulheres responsáveis, bem como pelo desamparo estatal no sentido de proteção e direitos. Muitas vezes, são as mulheres assassinadas a primeira fonte de renda e proteção de seus filhos, muitas vezes crianças, que ficam desassistidas e suscetíveis a novas violações. 

O país não conta com nenhuma legislação nacional de acolhimento a menores de idade nessa situação, ou política nacional de manejo sobre qual será o destino dessas crianças e adolescentes. Com quem ficará a guarda? São muitas perguntas que lançam luz à ineficiência do Estado em tratar do enfrentamento às violências consequentes do próprio feminicídio, inclusive às violências imputadas a toda rede de familiares, inclusive seus filhos e filhas, e pessoas próximas às vítimas que também sofrem ao ver mulheres que têm suas mortes convertidas apenas em estatísticas. 

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