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Na tentativa de fugir de agressões e cárcere privado, a jovem Rainara Ribeiro, pulou do 3ª andar do prédio onde trabalhava há pouco mais de uma semana, no bairro do Imbuí, em Salvador

#OpiniãoOdara

Na última quarta-feira (25), mais uma notícia revoltante evidenciou a realidade de trabalhadoras domésticas no Brasil. Raiana Ribeiro, de 25 anos, caiu do 3º andar de um prédio no bairro do Imbuí, em Salvador, tentando fugir das violências praticadas pela patroa, identificada como Melina (sem sobrenome) em matéria do Jornal Correio24horas.

A jovem, natural do município de Itanagra (Ba), estava na residência há apenas 8 dias, e chegou neste serviço a partir de um anúncio no site OLX para trabalhar como babá de três crianças. Dormir na casa era parte do acordo trabalhista, mas ao perceber o regime de violência e exploração, a jovem informou que não queria mais o emprego.

Ao se levantar contra a violência e tentar deixar a residência, Raiana foi tratada como propriedade, sem poder de escolha. Mesmo sob agressão, cárcere e vigilância, ela conseguiu enviar um áudio aos familiares pedindo ajuda, mas teve seu celular confiscado logo em seguida. Uma tia da jovem foi até o local em busca dela, e a patroa mentiu dizendo que ela na se encontrava na residência.

Presa em um cômodo e temendo por sua vida, após ter sido agredida com tapas e uma colher de pau, Raiana viu como única opção pular pela janela. Ela foi encaminhada para o Hospital Geral do Estado, sem sequelas graves, agora se recupera.

Nos últimos tempos temos visto aumentar o número de denúncias  de trabalho escravo e violências no contexto do trabalho doméstico. Estes casos revelam como a cultura escravocrata ainda é tão presente no contexto do trabalho das mulheres negras.

Quantas mais jovens negras serão submetidas a se contentar com subempregos no Brasil? Até quando a branquitude irá se comportar como detentoras dos corpos e vidas dos trabalhadoras/es negra/os que lhes prestam serviço?

É impressionante, ainda, perceber como a patroa teve seu nome e identidade resguardado pela imprensa baiana. Ela precisa ser exposta a devida justiça. Raiana e sua família merecem ser indenizadas!

#TrabalhDomestico #MulheresNegras #Branquitude #TrabalhoEscravo 

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