NÃO SÃO SÓ UMAS BANANAS…

Por Aline Cruz
Esplêndida a atitude de comer a banana, prosseguir com o jogo e mostrar o quanto é talentoso em campo (palmas). Mas se isso não é acompanhado de um posicionamento realmente combativo é como se ele estivesse engolindo a banana e o racismo também. A atitude seguida de uma declaração de que não devemos dar importância a atos racistas chega a ser um desrespeito a luta do Movimento Negro que conquistou tantas vitórias.
Não vivemos numa democracia racial, e o racismo não esta na minha cabeça. Esta nos índices de mortalidade de jovens negros desse país, nas taxas de desemprego, de analfabetismo, de desnutrição, de pobreza e por ai vai…
Alôo, esta institucionalizado, em algum momento vai te afetar,mesmo que você não perceba! Não temos culpa dos anos de escravidão sofrido pelo povo negro, mas colhemos os frutos desse período até hoje e temos a responsabilidade social e política de combater e não reproduzir práticas racistas.
Não, não é exagero combater essa campanha ridícula que só legitima o racismo. O negro foi historicamente (e ainda é apesar dos avanços que conquistamos) considerado e tratado como animal. Por muito tempo lhes foi negada a condição de humano, de gente, de cidadão. O termo macaco sempre foi pejorativamente usado para reproduzir isso. Portanto eu não quero ser comparada com um animal, desde um cachorro em uma campanha publicitária de um vereador racista a uma campanha com bananas que se diz solidária. Dizem que somos todos macacos, mas vai falar de cotas pra negro, aí já é racismo. Meche nos privilégios deles pra vê até onde vai essa “solidariedade”.
Não queira pormenorizar o racismo, não queira pormenorizar minha revolta. Não é somente pela banana… é porque estou CANSADA!
Cansada de ser seguida no shopping, cansada de ver negros sendo espancados e amarrados em postes, cansada de ver meninas alisando desesperadamente os cabelos pra se enquadrar a um padrão de beleza que diz que seu cabelo é ruim, cansada por que a Claudia e o Amarildo poderiam ser meus parentes, por que minha prima preta ganhou dezenas de bonecas loiras em seu aniversário, por que muitos negros tem vergonha de afirmar sua identidade, porque minha cidade é majoritariamente negra e minha universidade é majoritariamente branca, cansada de ser vendida como divertimento pra gringo, cansada por que cotidianamente o negro é insultado por cultuar sua crenças religiosas de matrizes africanas. Enfim CANSADA!
Mas como diz a música:
“Eu não compactuo com esse jogo sujo, Grito mais alto ainda e denuncio esse mundo imundo” – Ellen Oléria
Aline Cruz – Coletivo Crioulo

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