No dia Internacional da Mulher Negra LatinoAmericana e Caribenha, milhares de mulheres negras da Bahia marcham nas ruas de Salvador

A marcha celebrou os 30 anos do Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha e integrou a programação da 10ª edição do Julho das Pretas – Mulheres Negras no Poder, construindo o Bem Viver!

Redação Odara

Na tarde da última segunda-feira (25), Dia Internacional da Mulher Negra LatinoAmericana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela, as ruas do Centro de Salvador estiveram repletas de Mulheres Negras de diferentes organizações, sexualidades, religiosidades e territórios da Bahia.

A Marcha das Mulheres Negras no Poder, construindo o Bem Viver teve início na Praça da Piedade, com microfone aberto para falas, apresentações de poesia e performances, e seguiu com percurso até o Terreiro de Jesus, com a participação de crianças, jovens, adultas e idosas que compõem o Movimento de Mulheres Negras da Bahia.

“A marcha desse ano vem com a perspectiva de definir reafirmar a denúncia sobre as violências e violações que as mulheres negras têm vivido nesse país, mas também reafirmar o lugar de autonomia e de não subalternidade política do Movimento de Mulheres Negras”, afirmou Naiara Leite, coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra.

Após três anos desde a realização da última marcha do 25 de Julho na Bahia, as Mulheres Negras voltaram às ruas para protestar contra o racismo, machismo, as diversas formas de violência, a LGBTfobia, o genocídio da população negra e todas as formas de opressões que atravessam a experiência de vida do povo negro. 

“Vivemos num momento de grandes retrocessos, de um contexto que não favorece as mulheres negras e a população negra de um modo geral, então, voltar às ruas e ocupar esses espaços é uma forma de trazermos o direito de ir e vir, o direito à democracia e à garantia de direitos à existência dos corpos negros”, comentou a Yalorixá Thiffany Odara, do Terreiro Oya Matamba, da cidade de Lauro de Freitas (BA).

Com as palavras de ordem “Mulheres Negras no Poder, construindo o Bem Viver”, a marcha também demarcou o movimento de insurgência das Mulheres Negras em todas as esferas do poder e a organização em torno da garantia de representação nos espaços de tomadas de decisão através do processo eleitoral.

“Precisamos refletir sobre o processo eleitoral, como fizemos em todos os anos anteriores, mas refletir com pé no chão, na tranquilidade de entender que poder pra nós, não perpassa por servir aos partidos eleitorais. O Movimento de Mulheres Negras tem agendas inegociáveis que precisam ser priorizadas e respeitadas”, explicou Érika Francisca, ativista e coordenadora do Projeto Ayomide Odara.

Mesmo com a intensa chuva que caía sobre a cidade de Salvador, a marcha seguiu pela Avenida Sete de Setembro, com faixas, cartazes e bandas percussivas embalando o ritmo da caminhada. Diversas organizações de Mulheres Negras de Salvador e Região Metropolitana, Recôncavo Baiano, Baixo Sul, Chapada Diamantina, dentre outras regiões do estado, se fizeram presentes, trazendo as suas pautas e o grito por reparação e igualdade de direitos.

“Trouxemos as mulheres negras para a rua para reivindicar por uma pauta única que pra gente é o Bem Viver. Se tem uma coisa que nos une é o racismo, e nós, mulheres negras, já compreendemos que só unidas é que a gente pode enfrentar esse sistema que nos mata todos os dias”, disse Lindinalva de Paula, ativista da Rede de Mulheres Negras da Bahia.

A marcha foi encerrada com o Festival das Pretas, que reuniu artistas negras baianas para celebrar o dia com muita música. O festival contou com apresentações musicais de Josi Clímaco, Matilde Charles, Samba Ohana, Iane Gonzaga, Rebeca Tárique e Banda Didá, além de mais intervenções poéticas e performances artísticas .

A marcha integrou a programação da 10ª edição do Julho das Pretas – Mulheres Negras no Poder, construindo o Bem Viver! – ação de incidência política idealizada pelo Instituto Odara – e celebrou os 30 anos desde que o Movimento de Mulheres Negras da América Latina e Caribe declarou o 25 de Julho como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.

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