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Nota de Apoio à Comunidade da Gamboa de Baixo e suas Lideranças

Diante de ameaças, intimidações e tentativas de criminalização após mais uma ação policial no território, reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida, dos direitos e da permanência da comunidade.

Redação Odara

O Odara – Instituto da Mulher Negra manifesta sua solidariedade à comunidade da Gamboa de Baixo, em Salvador (BA), às famílias atingidas pela violência e, em especial, à liderança comunitária Ana Caminha, diante das ameaças, intimidações e tentativas de criminalização que passaram a circular após suas denúncias públicas sobre a atuação policial no território.

Na última quinta-feira, 10 de setembro, uma operação policial realizada na Gamboa de Baixo resultou na morte de um morador e voltou a submeter a comunidade ao medo, à tensão e à violência. A Gamboa convive há anos com investidas sistemáticas das forças de segurança e com diferentes violações que atravessam o cotidiano de quem vive e constrói aquele território.

Após a operação, Ana Caminha, liderança histórica da Gamboa de Baixo, concedeu entrevistas à imprensa denunciando o que havia ocorrido e reafirmando a luta da comunidade por seus direitos. Depois disso, começaram a circular nas redes sociais ataques contra sua atuação, inclusive associações criminosas sem fundamento e manifestações provenientes de perfis identificados como pertencentes a agentes policiais. É grave que uma liderança comunitária seja ameaçada ou intimidada justamente por exercer o direito de denunciar violações cometidas contra seu território.

Ana Caminha construiu, ao longo de décadas, uma trajetória de luta em defesa da Gamboa de Baixo, do direito à moradia, à cidade e à permanência digna de sua comunidade em um território historicamente marcado pela disputa com interesses privados e pela especulação imobiliária. Sua atuação é coletiva e reconhecida, construída lado a lado com mulheres, famílias e diferentes gerações que, há décadas, sustentam a resistência e a permanência da comunidade em seu território.

Por isso, os ataques dirigidos a Ana, enfatizam a tentativa de criminalizar, intimidar ou tentar silenciar quem denuncia violações de direitos, assim como buscam enfraquecer a organização comunitária e produzir medo entre aquelas que seguem reivindicando direitos. É dever do Estado enfrentar o tráfico de drogas e as diferentes formas de criminalidade, mas nenhuma política de segurança pode ser construída à custa da vida, da liberdade e da dignidade de quem vive nos territórios populares. A violência não pode ser enfrentada com mais violência institucional, nem comunidades inteiras podem ser tratadas como inimigas do Estado ou transformadas em territórios onde a garantia de direitos deixa de valer. Segurança pública só pode ser legítima quando protege a população e assegura, para todas as pessoas, o pleno exercício de seus direitos. 

Para as comunidades negras e populares, a presença do Estado não pode continuar sendo marcada por operações violentas, mortes, intimidação e criminalização de suas lideranças. Segurança pública não pode significar apenas ameaça permanente à vida de quem mora nos territórios.

Por isso, o Odara – Instituto da Mulher Negra reafirma sua solidariedade à Gamboa de Baixo e às suas lideranças e seguiremos atentas aos desdobramentos do caso. Ana Caminha não está sozinha. A Gamboa de Baixo não está sozinha.

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