Odara participa de Fórum de Feminismos Negros com a presença de 300 mulheres negras de todo o mundo

Evento aconteceu em Barbados, no Caribe, entre os dias 4 e 6 de fevereiro, e marcou o anúncio internacional da 2ª Marcha Nacional de Mulheres Negras 2025

Por Brenda Gomes

Cerca de trezentas mulheres negras, representando uma diversidade de países ao redor do globo, reuniram-se no Caribe, para o Fórum de Feminismos Negros – Construindo Mundos Feministas Negros. O evento, que aconteceu entre os dias 4 e 6 de fevereiro, teve como palco Barbados, uma nação conhecida não apenas por suas praias paradisíacas, mas também por sua rica herança cultural afro-caribenha.

Em um contexto marcado pela ameaça persistente do autoritarismo, acirramento e exposição do racismo, ataques às mulheres e aos direitos sexuais e reprodutivos, além das consequências avassaladoras da pandemia e da crise climática, mulheres negras de diferentes origens, trajetórias e identidades se uniram para explorar, debater e aprender umas com as outras.

O Odara – Instituto da Mulher Negra marcou presença nessa agenda tão importante a partir das participações de Valdecir Nascimento, coordenadora de Captação de Recursos e Articulação Política, e idealizadora da organização; e de Beatriz Souza, articuladora do Núcleo de Juventude Odara. 

Beatriz Sousa comentou que o evento foi uma oportunidade única de conectar-se com mulheres que compartilham desafios e lutas semelhantes, e também de contribuir para a construção de um futuro melhor para todas. A jovem também destacou a importância de reconhecer o trabalho feito pelas mulheres negras mais velhas e suas estratégias de resistência, fortalecendo assim também os laços intergeracionais, para garantir que a luta por direitos seja contínua e progressiva.

“As trocas ampliaram a minha visão para entender que construir um mundo feminista negro precisa ser um debate cotidiano. É um trabalho de enxergar o futuro, mas também de retorno. De se apegar no que nossas mais velhas construíram, de voltar e refletir sobre esse caminho e sobre quem construiu esse caminho. Sem isso não conseguimos avançar na criação do nosso futuro”, afirmou Beatriz. 

O encontro, no entanto, não foi o primeiro do gênero. Em 2016, a Association for Women’s Rights in Development (AWID) organizou o pioneiro Fórum de Feminismos Negros na Bahia. Reunindo 300 mulheres de diversos cantos do mundo, o evento foi um marco na história do ativismo negro. Naquela ocasião, o encontro propiciou um espaço para reflexão e diálogo e fortaleceu laços de solidariedade e resistência diante das adversidades políticas crescentes.

Valdecir Nascimento destacou a variedade de vozes representadas no Fórum. “Chama muita atenção ter uma curadoria do evento formada por mulheres diversas. Entre elas uma menina de 9 anos, uma mulher trans brasileira, uma jovem, uma mulher portadora de necessidades especiais, uma mulher idosa… ou seja, o Fórum foi organizado levando em conta a diversidade do que é ser mulher negra.” 

A griô do Instituto Odara também ressaltou a importância do Fórum como um catalisador de transformação e empoderamento para as mulheres negras. “Me sinto privilegiada em participar de um evento como esse, porque é um espaço que nos dá certezas. É uma experiência que marca nossas vidas para sempre. Nos dá certezas que o mundo se moverá e será outro, a partir da nossa incidência, dos nossos projetos, das nossas propostas e nossas ações concretas de transformação, o Fórum revelou isso.”

O Fórum de Feminismos Negros também foi espaço para convocar as mulheres negras do mundo para participarem da segunda Marcha Nacional de Mulheres Negras, que acontecerá em novembro de 2025, dez anos após a Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, que aconteu em Brasília, em 2015. 

“Lançamos e convocamos todas as mulheres presentes para a Marcha de Mulheres Negras, que ocorrerá no Brasil, em novembro de 2025. O convite foi muito bem acolhido por todas. Agora há uma ansiedade para saber o que vamos fazer e como vamos fazer para que essa Marcha seja exitosa e que cada uma delas possa participar e construir, como boas aliadas que são. Porque entendemos neste Fórum que a luta contra o racismo patriarcal e a supremacia branca não é uma luta que se dá nas nossas fronteiras, mas é uma luta que ocorre para além das fronteiras, elas são transatlânticas. E nós precisamos trocar e construir juntas em todos os lugares que as mulheres negras se levantem”, convocou Valdecir.

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