ONU reconhece Escravidão Africana como crime mais grave contra humanidade, convergindo com o grito coletivo da Marcha das Mulheres Negras

Resolução da ONU ecoa diretamente as reivindicações centrais da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que aconteceu em Brasília (DF), em novembro de 2025, consolidando-se como uma expressiva vitória desse movimento histórico
Por Brenda Gomes | Redação Odara
Nesta quarta-feira, 25 de março, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu, em decisão histórica, o tráfico transatlântico de escravizados como “o crime mais grave contra a humanidade”, estabelecendo um precedente internacional inédito no combate às injustiças que marcaram a história da humanidade. A votação contou com 123 Estados-membros a favor, apenas 3 países – Argentina, Estados Unidos e Israel – contra e 52 abstenções, demonstrando amplo consenso global sobre a necessidade de enfrentar esse legado devastador.
O documento exige ações concretas como pedidos formais de desculpas, a criação de um fundo de reparações e a restituição de bens culturais, artefatos e documentos históricos aos países de origem. Essa postura incisiva das Nações Unidas legitima a urgência de reparar os danos seculares que ainda afetam as populações de ascendência africana ao redor do mundo, promovendo a justiça e os direitos humanos de forma inegociável.
Nesse contexto, a resolução da ONU ecoa diretamente as reivindicações centrais da Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que aconteceu em Brasília (DF), em novembro de 2025, consolidando-se como uma expressiva vitória desse movimento histórico. Desde a sua primeira edição em 2015, e culminando nas mobilizações massivas do ano passado, as mulheres negras têm pautado incansavelmente a reparação histórica e a justiça racial como pilares inegociáveis. As mulheres negras brasileiras, juntamente com mulheres de 39 países, afirmaram nas ruas de Brasília exatamente o que a comunidade internacional agora reconhece: que não há justiça social sem a reparação dos impactos da escravização e sem a garantia de incentivos diretos para aqueles que sofrem as consequências mais profundas desse legado.
O posicionamento da ONU fortalece o projeto político do “Bem Viver” defendido pela Marcha, que reivindicava o direito a uma existência com dignidade, autonomia e respeito. Ao pressionar por reparações e por um enfrentamento real do legado escravocrata, as Nações Unidas alinham-se à agenda das mulheres negras que marcham para garantir que suas vozes sejam ouvidas nos espaços de decisão.
Essa convergência demonstra que a luta por reparação e Bem Viver travada nas ruas do Brasil reverbera globalmente, provando que as demandas das mulheres negras são, fundamentalmente, o caminho indispensável para a construção de um futuro com menos racismo, sexismo, lgbtfobia e com justiça social de fato.

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