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PRESIDENTE LULA, URGENTE! Precisamos parar o genocídio dos povos Guarani e Kaiowá!

Por Lídia Souza | Redação Odara



Por votarem massivamente em Lula, após o segundo turno das eleições, povos Guarani e Kaiowá sofrem ataques e ameaças no Mato Grosso do Sul; os episódios reforçam o genocídio histórico contra os povos indígenas no Brasil

O Odara – Instituto da Mulher Negra manifesta solidariedade aos povos Guarani e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, diante da sequência de ataques e ameaças denunciados após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).

Os episódios, registrados em diferentes municípios do estado, incluem denúncias de atropelamentos intencionais, agressões, intimidações e ameaças de envenenamento da água consumida pelas comunidades, algumas delas associadas a manifestações de racismo e retaliação pelo resultado eleitoral.

O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigações para apurar os casos, após denúncias encaminhadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Ativistas indígenas da região relatam o medo e a insegurança que atravessam as comunidades, ameaçando a integridade de seus integrantes e o exercício de seus direitos políticos.

Em Tacuru, município do estado, áudios que circularam nas redes sociais registraram ameaças de envenenamento da água utilizada pelas comunidades indígenas como forma de retaliação ao resultado das eleições. O caso passou a ser investigado pelo MPF, diante do risco à segurança das famílias e da necessidade de garantir o acesso à água potável.

Na quinta-feira (29), outro episódio atingiu a espiritualidade e a ancestralidade dos Guarani e Kaiowá. Na Aldeia Jaguapiré, em Tacuru, a casa de uma liderança espiritual de 90 anos, Ñandesy Roberta, foi destruída por um incêndio denunciado como criminoso pela organização Kuñangue Aty Guasu. O fogo consumiu pertences e instrumentos sagrados utilizados nos rituais tradicionais. O caso se soma às denúncias de perseguição e intolerância religiosa contra lideranças responsáveis pela preservação dos saberes e das práticas espirituais de seus povos.

Embora tenham ganhado repercussão após as eleições, esses episódios integram um histórico de violência contra os Guarani e Kaiowá. Há décadas, esses povos enfrentam conflitos territoriais, execuções sumárias e violações de direitos. A disputa pela terra, a ausência de proteção efetiva e a impunidade contribuem para a permanência desse cenário. A violência recente é expressão de um processo histórico de racismo e genocídio indígena que precisa ser interrompido.

Diante da gravidade dos acontecimentos, o Odara cobra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva um posicionamento público e uma resposta urgente e efetiva para garantir a vida e a segurança dos povos Guarani e Kaiowá. É indispensável assegurar proteção imediata às comunidades, investigar rigorosamente os ataques e as ameaças, responsabilizar os envolvidos e apurar possíveis omissões das autoridades. 

Também é necessário garantir a segurança das lideranças, o acesso à água potável e a efetivação dos direitos territoriais. A atuação do Estado brasileiro não pode se limitar à investigação dos crimes. É preciso impedir que novas violências ocorram.

Enquanto organização de mulheres negras, o Odara reafirma seu compromisso de irmandade e parentesco firmado entre mulheres negras e indígenas. Essa aliança política reconhece que nossas histórias e lutas estão profundamente conectadas no enfrentamento ao racismo, à violência colonial e à expropriação dos territórios. A defesa da vida dos povos indígenas também integra a luta das mulheres negras por justiça, dignidade e transformação social.

Os povos, culturas e resistências indígenas são parte fundamental do projeto político e do Pacto do Bem Viver que defendemos e construímos coletivamente. Não existe Bem Viver sem o direito à terra, à memória, à ancestralidade, à espiritualidade e à autodeterminação dos povos. Tampouco é possível construir um futuro de justiça social enquanto o racismo e a violência continuarem ameaçando vidas e territórios.

O Odara se soma às organizações indígenas que exigem providências imediatas e reafirma seu compromisso com o fortalecimento das alianças entre mulheres negras e indígenas, reconhecendo que a defesa da vida, dos territórios e dos direitos dos povos originários é uma responsabilidade coletiva.

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