Rede de Mulheres Negras do Nordeste faz encontro com o Movimento de Mulheres Negras da Paraíba

A ação foi organizada pela Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba e contou com a presença de cerca de 50 mulheres negras do estado

Redação Odara

O domingo (16) amanheceu na Paraíba repleto de muito axé, afeto, cheiros, sabores, arte, cultura, folhas e flores, no encontro da Rede de Mulheres Negras do Nordeste com o Movimento de Mulheres Negras da Paraíba. A atividade aconteceu na Bodega Arte Café e contou com a apresentação artística cultural da Associação Cultural de Mulheres Capoeiristas, representadas por Karutê Akata no pandeiro e Ana Margarida no berimbau, seguidas e acompanhadas da performance de Tutu Carvalho; com cantigas e rezas de cura e acolhimento; momento fechado pelas Iyalorixás, Ekédis, Makotas, Iaôs, mulheres iniciadas no Axé, com reverência às Yabás.

A mediação da atividade foi feita por Durvalina Rodrigues e Terlúcia Silva, da Abayomi – Coletiva de Mulheres Negras na Paraíba, que junto com Ayabás – Instituto da Mulher Negra do Piauí e Odara – Instituto da Mulher Negra, compõem a coordenação da Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

Ao longo da apresentação das quase 50 mulheres negras presentes, os contextos de potencialidades e desafios do estado foram aparecendo nas suas falas. A atividade também foi marcada de muita emoção por encontros e reencontros.

“Estou tão emocionada de estar aqui, pelo tempo sem ver muitas aqui por conta da pandemia. A gente se encontrou muito no virtual, vimos uma ou outra em outras atividades. Mas como hoje faz muito tempo”, disse Luz Santos.   

“Estar aqui hoje e nesse processo com as mulheres negras faz parte da minha cura enquanto pessoa. Consegui sair de um relacionamento abusivo graças à força das mulheres Yalodês, e ao movimento de mulheres negras que me acolheu”, afirmou Josi Alves, denunciando a situação da violência doméstica no estado.

“Faço parte da Articulação de Mulheres Brasileiras, que desde 2015, tem como prioridade o fortalecimento do Movimento de Mulheres Negras da Paraíba”, contou Hildevânia Macêdo.

O racismo religioso no estado também foi denunciado: “O monumento de Yemanjá daqui já foi decepado duas vezes. Sempre na semana santa. E já fizemos uma série de denúncias para a prefeitura e governo do estado. Hoje o governo quer colocar a cabeça de volta. E nós fizemos um projeto que queremos uma estátua de 6  metros e alumínio fundido”, comentou Iyadagãn Mariah Marques.

Valdecir Nascimento, do Instituto Odara, contou a história de articulação da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência, e pelo Bem Viver, que aconteceu em Brasília, em 2015. “Nós somos o caminho. Quem passou aqui e não se curou aqui hoje? Quem não vai sair daqui mais fortalecida? Isso também aumenta nossa responsabilidade”. Valdecir fechou sua fala trazendo a informação que em abril de 2023 a Rede Nordeste faz 10 anos, e faremos um encontro de adesão de novas integrantes e de celebração e força política histórica para o Nordeste e o Brasil.

Halda Regina, do Instituto Ayabás, fala de como é bom fechar a Caravana de Encontros e Visitas ao Nordeste com a energia da Paraíba. Ela trouxe um pouco mais sobre a história da Rede Nordeste, finalizou sua fala agradecendo por esse encontro.

Naiara Leite, do Instituto Odara, explicou como funciona o processo de filiação à Rede Nordeste e mais uma vez convocou as mulheres a conhecer e participar da Rede para pensar ações articuladas na região. Enquanto distribuía o folder da Rede, Naiara brincou que aquilo era a agulha e linha para as mulheres presentes seguirem tecendo a Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

Estiveram presentes no encontro, além das organizações que compõem a coordenação da Rede Nordeste: a Associação Cultural de Mulheres Capoeiristas; Marcha da Negritude Unificada da Paraíba; Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI – IFPB); Organização de Mulheres Negras de Caiana-Comunidade-Quilombola Caiana dos Crioulos-Alagoa Grande/PB; Cunhã  – Coletivo Feminista; Programa de Rádio 6969 FM; Grupo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais Maria Quitéria; Rede de Feministas Lésbicas e Bissexuais – Candaces; Levante Popular da Juventude/PB; Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); Articulação Nacional de Psicólogos Negra/os e Pesquisadora/es (ANPISINEP); Projeto Enegrecida; Fórum de Juventude Negra da Paraíba; a Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas (ANJF); Clube de Mãe de Aratu; Ateliê Multicultural Elioenai Gomes; Sindicato das Trabalhadoras Domésticas; Associação das Prostitutas da Paraíba – APROS-PB em João Pessoa; Comissão Psicologia Raça e Etnia do CRP13; Espaço Humanista de Saúde Integral João Pessoa- EHUSIN; Observatório – IFa- Rhadá de Arte Negra; Mulheres de axé do Brasil- MAB; Grupo de Mulheres de Terreiros Iyálodê; Movimento de Terreiros/ João Pessoa/PB; Rede de Mulheres de Terreiro, Fórum da Diversidade Religiosa; Projeto AfroAfeto de João Pessoa; Comunidade colaborativa RECOSEC; Movimento Católicas pelo direito de decidir; Projeto Socio-educacional e Cultural de Capoeira que atende crianças e adolescentes na cidade de Aroeiras-PB.

A série de encontros estaduais é uma estratégia para fortalecer o movimento de mulheres negras, aprofundar as leituras de contexto na região no pós pandemia, promover espaços de escuta e de denúncia e tem marcado a retomada das atividades públicas presenciais. Os contextos apresentados nos estados irão orientar a incidência política da Rede no próximo ano. Os encontros fazem parte de um projeto do Instituto Odara, com apoio da ONU Mulheres e da Heinrich Böll.

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