TV Bahia utiliza imagens do Ilê Asè Maa Asé Ni Odé em reportagem sobre charlatanismo, causando indignação à comunidade religiosa

As imagens utilizadas foram gravadas em 2012 durante cerimônia religiosa na Casa de Axé; Em nota, o terreiro repudia a irresponsabilidade da emissora e exige retratação.

Durante a edição do telejornal Bahia Meio Dia, exibido pela TV Bahia na última segunda-feira (29), foi ao ar uma reportagem que denunciava um suposto Sacerdote do Candomblé acusado de se utilizar da religião para aplicar golpes em pessoas que o buscavam para obter orientação espiritual. Ao abordar o caso, o telejornal utilizou imagens de cerimônia religiosa realizada no terreiro Ilê Asè Maa Asé Ni Odé, localizado no município de Simões Filho (Ba), em 2012. Na ocasião, as imagens haviam sido gravadas para uma reportagem do programa Globo Repórter.

A Associação Beneficente Caboclo Sultão das Matas – Ilê Asè Maa Asé Ni Odé divulgou nota de repúdio exigindo respeito e retratação da emissora pela vinculação errônea da imagem do terreiro a um contexto criminoso.

“Nós exigimos que a Rede, por meio do telejornal Bahia Meio Dia, se retrate publicamente, desvinculando as imagens da nossa casa e do nosso sagrado de fatos criminosos e ilícitos”, diz trecho da nota que pode ser lida na íntegra abaixo:

Érika Francisca, coordenadora do Projeto Mulheres de Axé, do Odara – Instituto da Mulher Negra, lembra que é comum os veículos de comunicação utilizarem, de forma irresponsável, imagens relacionadas às religiões de matriz africana, sobretudo em casos de denúncia.

“A forma como é tratada toda e qualquer denúncia relacionada às religiões de matrizes africanas é com descaso e desrespeito às práticas, aos espaços sagrados, e às pessoas que professam a sua fé, sem analisar o perigo que colocam àquela comunidade. O profissional que selecionou os vídeos sabia que não tinha a ver com a denúncia ocorrida, mas se sentiu confortável porque a estrutura garante a ele impunidade diante do ocorrido”, afirmou Érika.

Ela pontua ainda que é importante que as Comunidades de Axé estejam sempre atentas às “minuciosas formas estratégicas de dissipar e desrespeitar o Povo de Santo” para que possam “evitar que o racismo religioso se perpetue”.

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