Brasil, eleições 2020. É chegada a hora


Por Alane Reis

É chegada a hora.

A fumaça do fogo de Mineapolis, que invadiu nossas retinas em maio desse ano, anunciava que mesmo com toda dor, nós iríamos respirar.

A frase angustiante de Floyd, os tantos pretos asfixiados pelo vírus, os rostos das crianças mortas pelo racismo, o fantasma da fome.

Não teve sequer um coração justo que não viu o pulmão do lado titubear. Deu trabalho respirar em 2020.

Mas a delegacia de Mineapolis em chamas, gente branca jovem emprestando seus corpos à luta em defesa das vida negras e o racismo na ordem do dia – anunciavam a fúria cautelosa de Xangô a nos observar.

Mais de 88 mil mulheres negras candidatas no país laboratório do racismo no mundo. A nação inventada na mistura das três raças e a farsa da democracia racial: um crime quase perfeito se não fosse o mantra observado pela grande Conceição. “Nós combinamos de não morrer”.

E é chegada a hora!

Eleições municipais no Brasil, e é oficial: nossos corpos, de mulheres negras, são os mais disputados. O liberalismo fez do racismo lucrativo não só para os brancos. Desproporcionalmente, a negros também.

Que cada coração justo que segue respirando fundo compreenda que o que há de mais importante em disputa no Brasil é qual cultura política seguiremos alimentando. Essa reflexão é a lente da visão que representatividade importa, mas nem tudo que reluz é ouro, e gente preta é humana como a contradição.

Um bom caminho pra separar os alhos dos bugalhos é conhecer a trajetória dos movimentos sociais negros no Brasil, a celebre história do movimento de mulheres negras contemporâneo e de maneira mais fina, a emergência do debate da Geopolítica do Poder.

A crise não é somente sanitária, da política ou do capitalismo. A crise é civilizatória. E nós, povo negro, continuaremos tensionando.

0 0 vote
Avaliar
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Feedbacks
Ver todos os comentários
0
Que tal deixar um comentário?x
()
x