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Comitiva de organizações brasileiras em Washington (USA) denuncia riscos de interferência externa nas eleições e alerta para violência política 

Em agenda de incidência política , ativistas apresentaram preocupações sobre o avanço da violência política de raça e gênero e defenderam o debate sobre Reparação  Histórica e Pacto do Bem Viver

Nos dias 20 a 23 de julho, ativistas do Odara – Instituto da Mulher Negra e do Instituto Marielle Franco (IMF) integraram uma comitiva, formada por representantes de 15 organizações da sociedade civil brasileira, em uma agenda de incidência política em Washington D.C., nos Estados Unidos. Durante a missão, que foi articulada pelo Washington Brazil Office, o grupo realizou encontros com, senadores e deputados norte-americanos e suas equipes, além de sindicalistas, jornalistas, acadêmicos e lideranças da sociedade civil, para debater a democracia brasileira, direitos humanos e os impactos das disputas políticas e econômicas entre Brasil e Estados Unidos. 

A missão teve como objetivo dialogar com representantes do poder público e da sociedade civil estadunidense sobre os riscos de interferência do governo dos Estados Unidos nas eleições brasileiras que se aproximam. A preocupação das organizações parte do histórico de intervenções e tentativas de influência em processos eleitorais em outros países da América Latina, como Colômbia, Honduras e Argentina.

Gabriela Ramos, coordenadora do projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, do Instituto Odara, e  Larissa Amorim, diretora de estratégia e programa do Instituto Marielle Franco, focaram especialmente na discussão sobre a possibilidade de intensificação das violências políticas de raça e gênero, que não dizem respeito apenas a mulheres negras que ocupam ou concorrem a cargos eletivos, mas também a ativistas e defensoras de direitos humanos. 

Nesse sentido, Larissa Amorim,  destacou que o avanço da articulação política da extrema direita via plataformas digitais têm agravado o contexto de violência política no ambiente digital e representa uma ameaça à nossa democracia. “Enfrentar a violência política de gênero e raça é defender alguns dos princípios fundamentais da nossa democracia, como o direito à representação e a participação do maior grupo populacional do nosso país, que são as mulheres negras. Pesquisas do Instituto Marielle Franco apontam que o principal alvo desta violência são as mulheres negras, LBTs e defensoras de direitos humanos com atuação mais territorializada como as vereadoras e deputadas estaduais.” 

A diretora de programas e estratégia do Instituto Marielle Franco ainda frisou que mais de 60% das ameaças de morte sofridas pelas defensoras que tiveram seu caso acompanhado de 2023 a 2025, em mais de 11 estados brasileiros mencionavam o assassinato de Marielle Franco como advertência brutal para coibir a atuação. “Nas rodadas de conversa com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e Organização dos Estados Americanos (OEA), defendemos que este precisa ser um dos principais pontos de atenção durante o processo de monitoramento e observação eleitoral do Brasil”, disse Larissa Amorim.

Para Gabriela Ramos, a defesa da democracia precisa estar diretamente vinculada ao enfrentamento das desigualdades raciais e de gênero. “Os movimentos negros e de mulheres negraos há décadas afirmam que não existe democracia sem igualdade racial e de gênero, mas os ativistas de esquerda sempre entendem que há urgência em defender esta democracia, a despeito de todas as violências que são perpetradas contra a população negra. Não devemos deixar o ultraconservadorismo vencer no Brasil, ainda menos violando nossos direitos fundamentais e desmoronando nosso sistema político. ”, afirma.

A ativista avalia que, embora seja urgente proteger as instituições democráticas, também é preciso discutir qual projeto de sociedade se pretende construir. Segundo ela, a Marcha Global das Mulheres Negras, realizada em Brasília em novembro de 2025, expressou essa perspectiva ao reunir mais de 300 mil pessoas em torno de uma agenda de Reparação e Bem Viver.

“É inviável que um país estruturarado a partir da escravidão e colonialismo seja capaz de alcançar uma democracia ou um modo de gestar a sociedade que seja equânime e que desfaça as desigualdades raciais e de gênero. Os diversos modelos de democracia pelo mundo não foram suficientes para resolver este problema em lugar nenhum. Nesse sentido é que estamos propondo o Pacto do Bem Viver como resposta radical que supera a disputa pela estabilização da democracia que nunca se consolidou.”, conclui.

LISTA DE ORGANIZAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS DA COMITIVA:

Articulação dos Povos Indígenas (APIB), Comissão Arns, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Direitos Já, Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), Instituto Futuro, Instituto Marielle Franco (IMF), Instituto Vladimir Herzog, IP.rec – Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife, Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Odara – Instituto da Mulher Negra e Plataforma CIPÓ.

ORGANIZAÇÕES LOCAIS APOIADORAS DA COMITIVA:

4H5H MEDIA, Amazon Watch, Brazilian Studies Association (BRASA), Center for Economic and Policy Research (CEPR), Defend Democracy in Brazil Committee – New York (DDB-NY), Anistia Internacional USA, Fundación Avina, Fundação Heinrich Böll, Instituto Libera, US Network for Democracy in Brazil (USNDB), WOLA – Washington Office on Latin America e Brazilian Women’s Group.

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