Instituto Odara se reúne com candidatas negras para discutir apoio nas eleições de 2022

O encontro contou com a presença da candidata a deputada federal Laina Crisóstomo e da candidatura coletiva Pretas Pela Bahia, representada por Cleide Coutinho e Márcia Ministra

Redação Odara

Na manhã da última terça-feira (16), ativistas do Odara – Instituto da Mulher Negra se reuniram com a covereadora da Mandata Pretas por Salvador (PSol) e candidata a deputada federal Laina Crisóstomo (PSol), e as candidatas a codeputadas estaduais pela candidatura coletiva Pretas Pela Bahia (PSol), Cleide Coutinho e Márcia Ministra, para um diálogo sobre as eleições de 2022. Cleide Coutinho é também covereadora em exercício na Mandata Pretas por Salvador.

Durante a conversa, foram pautadas as dificuldades enfrentadas pelas mulheres negras para realizar campanhas eleitorais e as potencialidades de cada candidatura frente ao cenário político atual.

Por entender que as candidatas possuem diálogo e compromisso com as pautas defendidas pelo Movimento de Mulheres Negras, o Instituto Odara decidiu prestar apoio às candidaturas.

“A reunião foi mais um passo na perspectiva de fortalecimento de candidaturas de mulheres negras, uma vez que temos refletido a ocupação dos cargos eletivos enquanto estratégia política de incidência e nos colocamos como rede de apoio para as pretas que se alinham e se dispõem para construção de um projeto político favorável ao tratamento de nossas questões mais latentes”, afirmou Joyce  Lopes, coordenadora do Projeto Pretas no Poder: Participação Política, Representatividade e Segurança de Ativistas Negras, do Instituto Odara.

Laina Crisóstomo comentou sobre a importância de receber apoio de uma organização de mulheres negras para a sua candidatura, sobretudo num contexto em que os partidos políticos ainda se configuram como espaços que podem ser violentos, adoecedores e que, por muitas vezes não reconhecem a trajetória política das mulheres negras.

“As organizações de mulheres negras são fundamentais para fazer o debate do enfrentamento na política institucional e na política partidária. Ter uma organização tão potente como o Odara apoiando a nossa candidatura tem a ver com o processo de entender e reconhecer o que a gente tem feito na política institucional”, afirmou Laina.

Cleide Coutinho destacou que a parceria com o Instituto Odara pode potencializar a campanha das Pretas Pela Bahia, sobretudo por ser uma troca que pode se estender para além do período eleitoral.

“O Odara é uma instituição que adentra a casa das pessoas e se coloca de forma muito ativa com as famílias. Para nós é uma grande satisfação ter o nosso projeto político levado até essas pessoas pelo Odara”, disse Cleide.

Márcia Ministra, que também é mobilizadora do Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, na comunidade do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA), afirmou estar muito feliz com a parceria e lembrou que as bandeiras de luta defendidas por sua candidatura se alinham com a agenda de incidência política que vem sendo protagonizada pelo Instituto Odara.

“O Odara é uma importante referência na luta contra as violências contra as mulheres, a intolerância religiosa e o genocídio da população negra, que também são pontos fundamentais da agenda política das Pretas Pela Bahia”, destacou Márcia.

Além de Márcia e Cleide, que são moradoras de Salvador, a candidatura coletiva Pretas Pela Bahia também é composta por Iracema Santos, do município de Acajutiba (Ba), que é ambientalista, agricultora e militante de Movimentos Sociais, e Dulce Rodrigues, historiadora, pedagoga e conselheira do Conselho Municipal dos Direitos Humanos e do Conselho Municipal da Mulher de Valença (BA), de onde é moradora.

O apoio às candidaturas de Laina Crisóstomo e das Pretas Pela Bahia é mais uma das ações que o Instituto Odara tem realizado no campo do fortalecimento das candidaturas de mulheres negras na Bahia e no Nordeste, através do Projeto Pretas no Poder. Neste sentido, entre os dias 7 e 9 de julho, o Odara realizou o Encontro de Mulheres Negras Nordeste-Amazônia: Qual o nosso Projeto de Nação?, que reuniu mais de 100 ativistas, parlamentares e candidatas negras e indígenas das regiões Nordeste e Amazônia para refletirem e construírem estratégias de participação política rumo à construção de um projeto político centrado no Bem Viver. Na ocasião, foi lançado o Mapa da Violência Política contra Mulheres Negras no Nordeste e a CARTA ABERTA À SOCIEDADE: Questões inegociáveis para Mulheres Negras e Indígenas na disputa por poder.

O projeto também lançou, durante o Março de Lutas, a Campanha Pretas no Poder, que apresenta uma série de publicações nas redes sociais do Instituto Odara, com objetivo de elucidar a função do voto e da democracia, provocar partidos sobre a falta de investimento em candidaturas de mulheres negras, visibilizar ações políticas protagonizadas por mulheres negras já eleitas e incentivar o voto em mulheres negras e indígenas da Amazônia e Nordeste, comprometidas com as pautas das desigualdades, direitos humanos e Bem Viver.

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