Lázaro Barbosa, uma história de horror à brasileira

Opinião Odara

Depois de 20 dias em fuga, Lázaro Barbosa, protagonista do espetáculo midiático “o Serial Killer do DF”, foi morto em suposta troca de tiros com policiais nesta segunda-feira (28). Todo o caso Lázaro é composto por uma série de absurdos, violações de direitos humanos e organização de grandes poderes econômicos – inclusive a mídia sensacionalista, para se aproveitarem desta tragédia.

Policiais militares, a população local, o Governador e o Secretário de Segurança Pública de Goiás apareceram ou deram declarações em festa pela morte de Lázaro. A polícia incompetente achou o fugitivo depois de 20 dias e a máxima racista brasileira “bandido bom é bandido morto” venceu mais uma vez.

Falam sobre troca de tiros, mas que tipo de confronto seria possível entre uma única pessoa já feriada, contra centenas de policiais fortemente armados? Há pena de morte no Brasil? Não! É o que diz o inciso 47 do artigo 5º da nossa Constituição. Mas Lázaro foi executado com 38 tiros, ao que dizem as notícias. E mais de 150 disparos. A mídia, a policia, os governantes, a população, parecem achar que o fiasco da operação foi um sucesso. Quando o certo seria que Lázaro fosse preso, e que respondesse na justiça brasileira por cada um dos crimes cometidos, como têm acontecido com os bandidos brancos: o vereador carioca igualmente psicopata Jairinho (Solidariedade), a socialite pernambucana Sari Corte Real, a também psicopata Suzane Von Richthofen, e tantos outros.

Outra coisa, quem vai indenizar as dezenas de terreiros de candomblé e umbanda do DF que foram invadidos na busca por Lázaro? Quem vai indenizar as religiões de matriz africana de forma geral no Brasil, por serem agora associadas pelo imaginário e sociedade racistas ao serial killer dos rituais de “magia negra”? Cai na conta de quem a legitimação do racismo religioso que o caso Lázaro desencadeou?

E a esposa de Lázaro, que foi agredida e torturada para informar onde encontrar o rapaz foragido, quem irá indenizar? E o jovem negro Brendo, do Mato Grosso do Sul, que foi sequestrado e espancado por ser “confundido” com Lázaro, quem vai indenizar?

E o fazendeiro preso, Elmi Caetano Evangelista, acusado de dar abrigo a Lázaro, abrigou por qual motivo? Seria pela especulação de desvalorização das terras no território do Cocalzinho? E a noticia que diversos donos de sítios e chácaras já pensavam em vender seus pequenos pedaços de terra para os grandes fazendeiros do agronegócio? São tantas as perguntas, vácuos e problemas no roteiro desta série de horror veiculada pela mídia sensacionalista brasileira.

O caso Lázaro se encerra trágico, como começou, parecendo aquelas “americans horror stories” à brasileira, de baixíssimo orçamento, com governantes e policiais incompetentes, com a sanha sanguinária de uma sociedade que acredita piamente que preto bom, é preto morto.

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