Marcha e festival marcam o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha em Salvador (BA)

Os eventos acontecem no dia 25 de julho, organizados por dezenas de organizações do Movimento de Mulheres Negras da Bahia

Redação Odara

No próximo dia 25 de Julho, acontece em Salvador (BA) a Marcha das Mulheres Negras no Poder, construindo o Bem Viver e o Festival das Pretas. A concentração para a marcha será a partir das 14h na Praça da Piedade, com saída às 15h30 em direção à Praça Terreiro de Jesus, no Centro Histórico, onde ocorrerá o festival.

A marcha integra a programação da 10ª edição do Julho das Pretas – Mulheres Negras no Poder, construindo o Bem Viver! e marca os 30 anos desde que o movimento de mulheres negras da América Latina e Caribe declarou o 25 de Julho como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. No Brasil, desde 2014, o 25 de Julho é instituído também como o Dia Nacional de Tereza de Benguela.

“A nossa Marcha das Mulheres Negras é um marco político! No dia 25 de Julho de 2022 seguiremos marchantes. Os passos que vêm de longe! Herdamos de nossas ancestrais a concepção do Bem Viver. Vamos pras ruas, Pretas!”, convoca Luciana Silveira de Mello, ativista do Grupo de Mulheres do Alto das Pombas (GRUMAP).

A expectativa do Movimento de Mulheres Negras da Bahia em poder voltar às ruas, após dois anos de pandemia de Covid-19, é alta, como afirma Dailza Araújo, do Coletivo Angela Davis:

“O Movimento de Mulheres Negras foi construído nas ruas. O ato de marchar está diretamente ligado ao ativismo político da população negra para reivindicar demandas coletivas na busca por direitos negados, no combate às várias formas de violências. E assim no dia 25 de julho seremos milhares nas ruas de Salvador ecoando em uma só voz: Mulheres negras no poder: construindo o Bem Viver!”.

Naiara Leite, coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra, aponta também que a marcha deste ano é um momento de extrema importância para mobilizar as mulheres negras diversas e de vários territórios para marchar pelo direito à vida, por justiça e pelo Bem Viver.   Ela afirma que:

“Diante de tantos processos que a gente tem vivenciado em função do racismo estrutural, do patriarcado, mas também em função da pandemia, esse ano as mulheres negras vão pras ruas com mais gás ainda para falar de todos os impactos, para denunciar, pra chamar atenção da sociedade em relação às suas agendas e às suas vidas, fundamentalmente”.

Oceane Batista dos Santos, Coordenadora da Associação Papo de Mulher, também fala da emoção de estar marchando nas ruas: “Depois dessa pandemia,  a gente poder se reunir, reivindicar os nossos direitos, poder estar na rua protestando, é muito bom. Isso é o Julho das Pretas: é nós por nós!”, conclui. 

O Festival das Pretas, que acontece logo após a marcha, reunirá mulheres artistas de Salvador e de outras cidades da Bahia para celebrar o dia 25 de julho. Em breve, mais informações sobre as atrações confirmadas.

Acompanhe o Julho das Pretas no Instagram @julho_das_pretas. A agenda completa da 10ª edição está disponível aqui.

Sobre o Julho das Pretas

Criado em 2013, pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, o Julho das Pretas é uma ação de incidência política e agenda conjunta e propositiva com organizações e movimentos de mulheres negras do Brasil, voltada para o fortalecimento da ação política coletiva e autônoma das mulheres negras nas diversas esferas da sociedade brasileira.

A agenda celebra o 25 de Julho, Dia Internacional da Mulher Negra Afro Latino-Americana e Caribenha. Desde o início, o Julho foi aderido e potencializado pela Rede de Mulheres Negras do Nordeste, ganhando em poucos anos toda a região e logo depois o Brasil.

Todos os anos, diversos movimentos de mulheres negras se reúnem para decidir um tema para o Julho das Pretas que dialogue com a conjuntura política.

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