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Policiais acusados de matar o jovem Carlos Alberto Júnior, no Nordeste de Amaralina, vão a júri popular 13 anos após o crime

Trabalhador do setor hoteleiro e pai de uma criança de um ano e seis meses, Júnior estava de folga e saía de casa para jogar futebol quando foi atingido por disparos da PM-BA

Por Redação Odara

A Justiça da Bahia determinou que os três policiais militares acusados pelo assassinato de Carlos Alberto dos Santos Júnior, ocorrido em 13 de junho 2013, serão julgados pelo Tribunal do Júri. A decisão, conhecida como sentença de pronúncia, ocorre 13 anos após o crime que aconteceu no Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA), e marca uma etapa decisiva no processo que investiga a conduta dos agentes.

Os policiais Diego Luiz Rezende Silva, Iapuran Cerqueira de Souza Júnior e Jefferson Silva França foram pronunciados por homicídio qualificado. Segundo a decisão da 1ª Vara do Tribunal do Júri, o crime será julgado com base em duas qualificadoras: motivo torpe e utilização de meio que impossibilitou a defesa da vítima. Os réus respondem ao processo em liberdade até a realização do julgamento.

Casos como o de Carlos Alberto Júnior se repetem diariamente em Salvador. O jovem foi morto na mesma rua onde, anos antes, seu primo Joel Castro, de apenas 10 anos, também teve a vida ceifada por disparos policiais. Joel e Carlos Alberto simbolizam o trauma de uma mesma família que vê o Estado falhar “em sua missão de proteger”.

A demora de 13 anos sem respostas é uma decisão da Justiça da Bahia, que evidencia que a responsabilização por vidas negras não tem sido prioridade para o sistema de justiça. O tempo de espera é visto como um prolongamento da execução, onde a burocracia e a impunidade se tornam novas formas de agressão contra as famílias que sobrevivem.

O CASO: 13 ANOS DE ESPERA POR JUSTIÇA

O crime aconteceu em 13 de junho de 2013. Carlos Alberto Júnior, então com 22 anos, era trabalhador do setor hoteleiro e pai de uma criança de um ano e seis meses. Na tarde do ocorrido, o jovem estava de folga e saiu de casa para jogar futebol quando foi atingido por disparos durante uma operação policial na comunidade onde vivia. 

Embora a versão inicial dos agentes tenha sugerido um confronto, as investigações e os depoimentos de testemunhas apontaram para uma execução em um terreno baldio. Carlos não possuía antecedentes criminais e, ironicamente, na infância, alimentava o sonho de se tornar policial, desejo que abandonou ao presenciar as diversas operações policiais violentas em seu bairro. Ele era descrito como um jovem prestativo, torcedor fervoroso do Vitória e um pai dedicado, que trabalhava para garantir o futuro do filho.

A luta por justiça tem sido liderada por Rita de Cássia, mãe de Carlos, seu único filho. Mesmo diante de problemas de saúde agravados pelo trauma, ela reafirma seu compromisso com a memória do filho. “Eu ainda não consigo falar sem chorar, não consigo. Mas eu seguirei lutando por justiça enquanto eu tiver vida. Filho único, desejado… eu fico guardando os próximos passos e a promessa que fiz de cuidar do meu neto.”

Com a sentença de pronúncia, o processo entra em fase de preparação para o júri popular. O caso de Carlos Alberto Júnior é acompanhado pelo Instituto Odara, desde 2015.

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