Ativistas negras marcham contra as violências e o genocídio do povo negro, no Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA)

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A marcha foi organizada pelo Odara – Instituto da Mulher Negra através do projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar

Redação Odara

Durante a tarde da última sexta-feira (13), ativistas negras, mães e familiares de vítimas do Estado, percorreram as ruas do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA), em marcha contra as violências e o genocídio da população negra, sobretudo das juventudes. A marcha percorreu toda rua principal do Nordeste, que é também circuito oficial do carnaval de Salvador, o Circuito Mestre Bimba, bloqueando um dos sentidos da pista.

Segundo Gabriela Ramos, advogada, Mestre em Direito e técnica do projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, o Nordeste de Amaralina foi escolhido para a realização da Marcha por apresentar altos índices de assassinatos de adolescentes e jovens negros e negras pelas mãos da polícia.

“É um território importante para Salvador, produz muita cultura e uma série de outras coisas, mas o tempo inteiro tem sido visibilizado na mídia pela violência. Mas não é uma violência que surge do nada, é uma violência que surge a partir da criminalização desse lugar”, pontuou Gabriela.

Nadjara Ricarda é moradora deo Nordeste de Amaralina e mãe de um adolescente negro de 17 anos. Ela contou que se esforçou para conseguir sair mais cedo do trabalho e acompanhar a marcha junto com o seu filho. “Meu filho sai e eu fico preocupada, não com moradores ou pela fama que o bairro tem, mas pela ação dos policiais, que quando chegam no bairro causam medo na população. Então, essa marcha é muito importante”, afirmou.

Durante todo o percurso da marcha, as ativistas fizeram falas sobre as diversas formas de violência que atingem as comunidades negras e menções ao 13 de maio, data marcada como o dia da abolição da escravatura no Brasil. 

“O 13 de maio, para muitos, representa o dia da abolição, mas sabemos que ainda estamos aprisionados. Marchar aqui no Nordeste neste dia é dar um basta, é dizer ‘estamos atentas, atentes e atentos a isso’. Combater o racismo é a meta. Não existe democracia com racismo”, enfatizou Márcia Ministra, integrante do Grupo Mulheres em Luta e mobilizadora do projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar no Nordeste de Amaralina.

A manifestação contou com a participação de mulheres que integram o projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar, Coletivo Incomode e Quilombo Educacional Ana Santos, além do Grupo Percussivo Nova República e das poetas Maiara Silva e Negreiros Souza, que através da arte, conseguiram prender a atenção de quem passava por perto.

“A arte tira do lugar comum e chama pro debate. Através da arte, a gente consegue trazer várias questões do cotidiano e fazer as pessoas pensarem, refletirem”, disse Negreiros Souza.

Ao final da Marcha, Gabriela Ramos falou sobre a importância de conscientizar a comunidade de forma sistêmica e com o apoio de outras comunidades e organizações, para que fique ainda mais evidente que as vidas negras importam. “É preciso ter esse corpo na rua o tempo inteiro para demarcar para o Estado e para a sociedade que nós não esquecemos dos nossos mortos e queremos preservar as nossas vidas”, concluiu.

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