EXONERAÇÃO JÁ: Mãe e filha são assassinadas no município de Guanambi (Ba) e delegado do caso culpa roupas das vítimas

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Suspeito de cometer o crime foi identificado pela polícia, confessou a autoria e encontra-se preso desde a última segunda-feira (13)

Por Jamile Novaes / Redação Odara

Alcione Malheiros Teixeira Ribeiro (42) e Ana Julia Teixeira Fernandes (16), mãe e filha, foram assassinadas enquanto realizavam uma caminhada na zona rural do município de Guanambi, no sudoeste baiano. Seus corpos foram encontrados com marcas de pedradas em um rio à beira da estrada no domingo, dia 12.

Próximo aos corpos, a polícia encontrou uma motocicleta pertencente a Marco Aurélio da Silva, de 36 anos, que foi conduzido à delegacia e após tentativas de negar ter cometido o crime, acabou confessando ter assassinado as duas mulheres com medo de ser denunciado por tentativa de estupro. Marco Aurélio encontra-se preso desde a última segunda-feira (13).

Em entrevista à imprensa local da cidade de Guanambi na última terça-feira (14), o delegado Rhudson Barcelos afirmou que as roupas utilizadas por duas vítimas de tentativa de estupro seguido de morte, teriam chamado a atenção e motivado a ação do suspeito de cometer o crime.

“Pelo que ficou subentendido e a gente apurou até o momento, não houve premeditação. Ele não tinha a intenção de praticar o estupro específico com as vítimas. Foi uma questão de coincidência, quando ele saiu do trabalho, (…) se deparou com as duas, com aquelas roupas de malhação, de caminhada, obviamente chamando atenção. Ele disse que daí começou a ter desejo sexual e as seguiu. Passou por elas, estacionou e ficou esperando”, afirmou o delegado.

As declarações de Rhudson causaram revolta e protestos em frente à delegacia que investiga o caso. A  22ª Coordenadoria de Polícia do Interior (22ª Coorpin), em decisão administrativa, afastou o delegado do caso.

É inadmissível que um funcionário público designado para lidar com um caso de duplo feminicídio, tão bárbaro e cruel, venha a público proferir um discurso tão machista e desrespeitoso, que diariamente contribui para que tantas mulheres percam as suas vidas a troco de nada, simplesmente por serem mulheres.

É inadmissível que, mesmo depois de mortas, Alcione e Ana Júlia sejam culpabilizadas, sexualizadas e tenham as suas memórias manchadas dessa forma.

É inadmissível que em pleno 2021 ainda seja necessário vir aqui reafirmar que o problema não está nas roupas ou nas mulheres, mas sim, nessa cultura machista que objetifica os nossos corpos e faz com que homens se sintam no direito de nos violentar e assassinar.

Afastar o delegado do caso sem nenhuma punição não é uma medida suficientemente combativa e só reforça a impunidade característica de casos como este. Exigimos que Rhudson Barcelos seja EXONERADO do cargo de delegado e que sirva de exemplo para qualquer outro que se sinta à vontade em normalizar o fato de homens atentarem contra as vidas das mulheres sob justificativas tão absurdas.

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