Heloisa Gabrielle (6 anos), assassinada com um tiro no peito durante ação do Bope em Porto de Galinhas, no Grande Recife (PE)

A menina foi atingida enquanto brincava no terraço de casa; população denuncia que não houve confronto e que a polícia já chegou na comunidade fazendo disparos

Redação Odara

Na tarde da última quarta-feira (30), a menina Heloísa Gabrielle, de 6 anos, brincava no terraço de casa quando foi atingida por um tiro no peito. A criança chegou a ser socorrida, mas não resistiu ao ferimento. O crime aconteceu durante uma ação policial do Batalhão de Operações Especiais (Bope) na comunidade de Salinas, em Porto de Galinhas, no Grande Recife (PE). 

Segundo a Polícia Militar de Pernambuco (PM – PE), houve troca de tiros com traficantes da região e ainda não foi possível identificar de onde partiu o disparo. A população nega essa versão, afirmando que apenas a polícia estava atirando. 

Desde a noite de quarta-feira, a comunidade segue pedindo justiça por Heloísa e protestando contra a ação dos policiais. Em resposta às manifestações, a Secretaria de Defesa Social do Governo de Pernambuco enviou cerca de 250 policiais para “reforçar a segurança” na comunidade.

“A polícia entra aqui todos os dias e a gente não tem mais sossego, infelizmente. Eu tenho filhas gêmeas de 10 anos. Vou trabalhar e fico com o coração na mão, porque é polícia 24 horas praticamente na porta”, disse Ana Luiza, prima de Heloísa, ao G1 Pernambuco.

A últimas madrugadas foram de tensão na comunidade. Moradores que preferiram não se identificar relataram ao G1 Pernambuco que a polícia lançou bombas de efeito moral contra a população. 

As codeputadas da mandata coletiva Juntas (PSol), de Pernambuco, estiveram em Porto de Galinhas na manhã da última sexta-feira (1º) para prestar solidariedade à comunidade e cobrar uma resposta das instituições responsáveis. A codeputada Robeyoncé Lima, que faz parte da mandata e já havia se manifestado sobre o caso em suas redes sociais na noite do dia 31, afirmou que:

“Quanto mais teremos que dizer que nenhuma operação policial, qualquer que seja, pode resultar na MORTE de uma criança? Se isso aconteceu é um aviso incisivo de que as forças policiais são despreparadas e propícias a cometer operações desastrosas, lesando diretamente o bem que deviam proteger: a vida das pessoas. Nós, da mandata Juntas, estamos realizando visita na região para fortalecer a população e a família de Heloysa, bem como, providenciar junto às instituições responsáveis, as medidas cabíveis para que essa situação seja encerrada imediatamente, não volte a se repetir, e os culpados pelo assassinato de Heloysa sejam devidamente responsabilizados”.

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