Projeto Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar realiza ação presencial na comunidade do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA) 

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Encontro reuniu mais de 20 mulheres na biblioteca da Associação de Moradores da Nova República para planejar as atividades do projeto em 2022

Por Jamile Novaes / Redação Odara

A equipe do Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar realizou o primeiro encontro presencial junto às mulheres que integram o projeto na região do Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA). A reunião aconteceu na última quarta-feira (23), na biblioteca da Associação de Moradores da Nova República, com o objetivo de realizar uma escuta ativa e planejar as ações para o ano de 2022.

A atividade foi iniciada com uma dinâmica que incentivou as mulheres a direcionar frases positivas umas para as outras, buscando elevar a autoestima e fortalecer os laços entre elas. Em seguida, foi realizada uma rodada de apresentações para introduzir as recém-chegadas ao grupo. 

O Grupo Mulheres Em Luta, como é chamado o núcleo do projeto que atua na comunidade do Nordeste de Amaralina, trouxe para a roda as suas expectativas para 2022 e apresentou proposições de atividades que pretendem desenvolver ao longo do ano. 

Reunião de planejamento do Minha Mãe Não Dorme Enquanto Eu Não Chegar.

Muitas delas apontaram a necessidade de realizar cursos profissionalizantes para aprimorar os seus conhecimentos, gerar renda e autonomia. Para alcançar esses objetivos, uma das ações fundamentais que já está em execução, é a criação de uma cooperativa, onde possam produzir e comercializar produtos, de acordo com as habilidades de cada uma.

“A cooperativa será um ganho para essas mulheres. Elas serão responsáveis pelo seu próprio negócio e terão essa tão sonhada independência financeira”, explicou Márcia Nascimento, mobilizadora do Minha Mãe Não Dorme na comunidade. Edvalda de Deus, também presente no encontro, sinalizou a importância de uma formação em administração para levar o empreendimento adiante.

Ainda falando sobre formações, o grupo sugeriu a continuidade da realização de oficinas e rodas de conversa para discutir temas como violência policial, violência contra as mulheres, saúde da mulher, garantia de direitos e funcionamento das instituições políticas que prestam serviços à comunidade onde vivem.

Edvalda de Deus falou sobre a importância de trazer discussões de cunho político para que tenham instrumentos de fiscalização das instituições e adquiram conhecimentos para formar lideranças comunitárias dentro do grupo, que possam desempenhar uma atuação eficaz na comunidade e atender às diversas demandas existentes. 

Para ela, o Minha Mãe Não Dorme tem ajudado muito a questionar e se posicionar politicamente.“Foi um desenvolvimento muito grande, tanto para mim, quanto para outras mulheres que passaram a frequentar. O projeto ensinou sobre quais são os nossos direitos, o nosso momento de falar e que somos fortes e podemos lutar e seguir adiante nos nossos objetivos”, afirmou.

Outra demanda apresentada pelo grupo, foi a necessidade de um espaço fixo, onde as mulheres negras possam realizar reuniões e desenvolver atividades de forma segura e confortável. Também foi falado sobre a confecção de crachás que as identifiquem enquanto ativistas do projeto, evitando abusos e violência policial durante o deslocamento para as ações.

Hildete Emanuele Nogueira, que assumiu a coordenação do projeto em 2021, avaliou positivamente o encontro de planejamento e o estreitamento de laços entre o Odara – Instituto da Mulher Negra e as mulheres que compõem o Minha Mãe Não Dorme. 

Hildete Emanuele, Coordenadora do projeto.

Para 2022, Hildete aponta, como principal desafio, gerar incidência política direta sobre o grupo de mulheres e suas respectivas comunidades: “Vamos precisar trabalhar muito na formação política para a incidência dessas mulheres, porque existem muitas queixas sobre a ausência e incompetência das lideranças comunitárias. Elas precisam se reconhecer também enquanto lideranças dos bairros para poder incidir politicamente. Faremos um trabalho forte para isso durante este ano”. 

Todas as demandas e sugestões apresentadas foram sistematizadas no planejamento, com a definição de prazos, nomes das respectivas responsáveis por viabilizar as ações e meios para a execução de todas as propostas colocadas. O acompanhamento será feito pela coordenação do projeto, que também garantirá o suporte necessário para que todo o cronograma seja cumprido até dezembro.

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