Julho das Pretas 2026: Webinários Globais sobre Reparação e Bem Viver articulam a luta transnacional das Mulheres Negras

Encontros acontecem nos dias 1º e 8 de julho, reunindo nomes fundamentais para debater projetos de sociedade forjados pelas mulheres negras
Por Redação
A 14ª edição do Julho das Pretas, em 2026, marca um momento histórico de expansão para o movimento de mulheres negras no Brasil e no mundo. Sob o lema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”, a agenda deste ano conecta as mulheres do mundo em suas lutas, histórias e territórios, reafirmando que o enfrentamento ao racismo patriarcal é uma pauta global que exige respostas transnacionais.
Como prova dessa articulação, o movimento promove os “Webinários Globais: Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”, que acontecem de forma virtual, nos dias 1º e 8 de julho, reunindo nomes fundamentais para debater projetos de sociedade forjados pelas mulheres negras. Os encontros terão tradução simultânea para inglês, espanhol, francês e português, ocorrendo às 12h (Brasília), 10h (Panamá) e 18h (África Ocidental). As inscrições para os encontros podem ser realizadas até o dia 30 de junho, às 23h59 (horário de Brasília), clicando aqui.
Esta edição do Julho das Pretas carrega o vigor e os legados da Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, realizada em Brasília (DF), em novembro de 2025, que reuniu 300 mil mulheres de 40 países. A continuidade dessa marcha reflete-se em uma agenda robusta onde a tecnologia serve como ponte para unir vozes em um diálogo contínuo sobre justiça e dignidade.
AGENDA GLOBAL DE MULHERES NEGRAS
No dia 1º de julho, o primeiro webinário abordará o tema “Sujeitas do Fim do Mundo – Geopolítica e a construção do Bem Viver: Um Projeto de Sociedade Global forjado pelas Mulheres Negras”. O objetivo é ampliar as trocas sobre como os contextos geopolíticos atravessam as populações negras mundialmente, refletindo sobre o Bem Viver como um horizonte ético-político e uma imaginação radical em contraponto ao capitalismo racista, à colonialidade, ao fascismo e ao genocídio antinegro.
Dando sequência à reflexão, no dia 8 de julho, o segundo encontro terá como tema “Imaginação Radical de Mulheres Negras – Tecendo os projetos globais de Reparação”. Este debate visa aprofundar a discussão sobre a distribuição das riquezas geradas pela exploração da mão de obra negra e africana, defendendo que a Reparação vai além de compensações financeiras, exigindo mudanças estruturais. O webinário mergulhará em experiências reparatórias pelo mundo e nos olhares das mulheres negras sobre o tema, fortalecendo alianças transnacionais para disputar um mundo com justiça histórica.
Janira Sodré, coordenadora da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), destaca a potência das trocas com as mulheres do mundo. “É impossível enfrentar o patriarcado cis-heteronormativo e o capitalismo neoliberal sem uma estratégia global. O pós-marcha coloca as mulheres negras no centro de um diálogo para deter o ecocídio e o genocídio, detendo a morte da terra e das populações contra as quais se produz inimizade. É inegável a relevância de manter à tona a pauta política que temos construído como potência e possibilidade futura. Acreditamos em um devir negro, pois estamos do lado de cá do futuro e não pode haver futuro sem a gente.”
Para Paola Inofuentes, coordenadora-geral da Rede de Mulheres Afrolatino-Americanas, Afrocaribenhas e da Diáspora, os webinários representam uma importante estratégia para fortalecer a articulação política construída pelas mulheres negras em escala global. Segundo ela, “diante de um contexto geopolítico regional e mundial desafiador, marcado pelo avanço de discursos radicais e pelo desmonte de políticas de igualdade, nós, mulheres negras do mundo, precisamos seguir tecendo alianças. Manter este espaço nos permite proteger nossa agenda comum e avançar juntas rumo a um horizonte verdadeiramente decolonial e antipatriarcal.”
SOBRE O JULHO DAS PRETAS
O Julho das Pretas foi criado em 2013 pelo Odara – Instituto da Mulher Negra, na Bahia, celebra anualmente o 25 de Julho, Dia da Mulher Negra Afrolatinoamericana, Afrocaribenha e da Diáspora. A programação é organizada pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), pela Rede de Mulheres Negras do Nordeste e pela Rede Fulanas – Negras da Amazônia. O Julho das Pretas reafirma como metodologia uma imaginação política, que constrói novos pactos civilizatórios e fortalece a esperança de um mundo onde a reparação histórica, o combate ao genocídio negro, e o Bem Viver estejam no centro do debate.
As inscrições para os encontros podem ser realizadas clicando aqui.

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