Série de Entrevistas “Pretas no Poder: Desafios, Conquistas e Violência Política em Debate”

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Mulheres negras da Região Nordeste, que desafiam as barreiras do racismo e do sexismo na política partidária, contam sobre suas experiências e percepções sobre a conjuntura brasileira 

Por Alane Reis e Nádia Conceição

Quem passeia os olhos pelo cenário político brasileiro pode se imaginar em um país do continente europeu dada a falta de representatividade nas instâncias de poderes estadual, municipal e federal. Para a questão de gênero na política, podemos considerar que o ano de 2014 representou um avanço, com a eleição da primeira mulher presidenta do Brasil. Porém, a cultura patriarcal da política brasileira não suportou a presença de uma mulher liderando o Palácio do Planalto e tratou de perpetrar um golpe político que destituiu injustamente Dilma Rousseff no seu segundo mandato.

Se para as mulheres brancas a desproporcinalidade de representatividade política já é alarmante, no que tange a questão racial, temos um déficit ainda maior de negros e negras nesses espaços, que distancia ainda mais as mulheres negras do exercício do poder político. A fórmula é exata: o racismo e o sexismo impedem que tenhamos representantes eleitas e eleites, devidamente comprometides com a produção e gestão de políticas públicas focadas na equidade racial e de gênero no país.

A falta de representatividade na política brasileira fica evidente quando olhamos os números: segundo a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), no ano de 2019, nós, mulheres negras, éramos mais de 28% da população brasileira; porém, ocupamos apenas 14 das 594 vagas no Congresso Federal (entre Câmara e Senado), representando 2,36% dos legisladores federais em exercício no Brasil. Percebe? A desproporção é gritante!

Nas câmaras municipais o número de representantes negras aumenta, mas é ainda muito abaixo da realidade demográfica: ocupamos apenas 6% das cadeiras de vereanças no Brasil. No executivo municipal a sub-representação é a mesma: mulheres negras são apenas 4% das eleitas.

Enquanto nos cargos institucionais a presença das mulheres negras é tão pouca, sabemos que na vida política somos nós as lideranças natas das nossas famílias, comunidades, nos nossos espaços religiosos, nos sindicatos e até nos partidos políticos.

Mulheres negras são consideradas grandes mobilizadoras nos partidos de todas as frentes ideológicas, contudo, ainda sofrem um processo de desestímulo e boicote quando resolvem ingressar na corrida por um cargo eletivo. Até mesmo as políticas validadas de inclusão como as cotas de gênero e as de incentivos financeiros para candidaturas de mulheres negras e pessoas LGBTQIA + ainda encontram resistências partidárias para serem realmente fatores de ampliação da participação das mulheres negras na disputa eleitoral.

Para tratar sobre o assunto estamos lançando a Série de Entrevistas Pretas no Poder: Desafios, Conquistas e Violência Política em Debate, contando algumas experiências de mulheres que enfrentaram as adversidades nesse universo hostil e violento e conquistaram um cargo de vereadora, covereadora, codeputada, deputada estadual ou federal e, algumas, com objetivos de dar vôos mais altos neste cenário. 

A Série Pretas no Poder é uma ação do Projeto Pretas no Poder: Participação Política, Representatividade e Segurança de Ativistas Negras, do Odara – Instituto da Mulher Negra, e tem por objetivo estimular as candidaturas e a eleição de mais mulheres negras em 2022.

Seja bem vinda e bem vinde à nossa série especial e tenha uma ótima leitura. Vem com a gente!!

Coordenação editorial: Alane Reis.

Reportagem: Nádia Conceição.

Fontes entrevistadas: Adriana Castro, Cleide Coutinho, Estela Bezerra, Jô Cavalcante, Lila M. Salú, Marta Rodrigues e Robeyoncé Lima.

Edição: Alane Reis e Jamile Novaes.

Artes e identidade visual: Poliana Silva.

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